Brendan McDermid/Reuters - 22/9/2021
Brendan McDermid/Reuters - 22/9/2021

Bolsa de Nova York sobe mesmo após Federal Reserve sinalizar aperto nos estímulos

Segundo Jerome Powell, presidente do BC americano, se os dados do mercado de trabalho dos EUA vierem fortes em setembro, Fed poderá reduzir o programa de compra de ativos já em novembro

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2021 | 17h30

Dando sequência ao movimento de retomada visto no pregão anterior, os principais índices do exterior voltaram a subir nesta quarta-feira, 22, com os investidores menos preocupados com a situação da Evergrande, diante de perspectivas positivas para o futuro da empresa, e também à espera da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que veio apenas quando as Bolsas de Ásia e Europa já estavam fechadas.

Como já era esperado pelo mercado, os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed, órgão equivalente ao Copom, decidiram manter a taxa de juros dos Estados Unidos na faixa entre 0% e 0,25% ao ano. A decisão foi unânime.  

Ponto mais aguardado pelo mercado, Jerome Powell, presidente do Fed, afirmou hoje que há grande consenso entre dirigentes sobre o cronograma de diminuição do programa de compra de ativos, processo chamado 'tapering'. Segundo ele, dados fortes para o mercado de trabalho em setembro já poderiam apoiar o início do tapering em novembro, para quando está marcada a próxima reunião. No entanto, Powell ressaltou que o processo será "muito gradual".

Sobre a economia americana, Powell disse que o país segue com desequilíbrios no mercado de trabalho, mas acredita que eles serão resolvidos. Outro tema destacado foram as expectativas de inflação no país, que ele reconheceu terem "subido um pouco nas nossas projeções". Para este ano, a projeção do Fed saltou de 3,4% para 4,2% - para 2022, foi de 2,1% para 2,2%. Powell atribuiu o aumento nos preços ao gargalo na produção, que deverá se manter até o próximo ano, e se comprometeu a agir, caso seja necessário.

Outro grande acontecimento para o mercado, foi a informação de que a Evergrande pretende honrar o pagamento de juros que vencem na quinta-feira, 23. Além disso, há relatos de que o governo chinês planeja reestruturar a empresa e transformá-la numa estatal. Nova injeção de liquidez pelo o banco central chinês no mercado também melhora os ânimos.

Sobre o tema, a LPL Markets aponta que a Evergrande é a maior manchete dos mercados no momento, e indica que um contágio como o observado durante a crise financeira global de 13 anos atrás é improvável, dados os interesses e o nível de controle do governo chinês, a qualidade das garantias da empresa e a exposição limitada a um possível calote fora da China. 

Bolsa de Nova York

Afetada parcialmente pelo tom mais "duro" adotado pelo Fed, a Bolsa de Nova York se apoiou no noticiário positivo sobre a Evergrande para manter o bom desempenho. O índice Dow Jones fechou com ganho de 1%, o S&P 500, de 0,95% e o Nasdaq, de 1,02%.

Bolsas da Europa

Os índices europeus fecharam com alta generalizada nesta quarta. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da zona do euro, subiu 0,99%. A Bolsa de Londres teve ganho de 1,47%, Paris, de 1,29% e Frankfurt, de 1,03%. Já os índices de Milão, Madri e Lisboa subiram 1,44%, 0,60% e 2,22% cada.

Bolsas da Ásia

Os índices do continente asiático ficaram sem direção única, com o mercado chinês voltando de um feriado. A Bolsa de Tóquio caiu 0,67%, enquanto na China, o índice de Xangai subiu 0,40%, mas o de Shenzhen cedeu 0,25%. As Bolsas de Hong Kong e Seul não operaram, também devido a feriados locais.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul, sustentada por ações da indústria petrolífera, e avançou 0,32%.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta hoje, em sessão marcada por certo alívio com a visão de que o mercado chinês deverá contar com maior liquidez após notícias positivas sobre a crise fiscal da incorporadora Evergrande. Além disso, dados mostraram que os estoques de petróleo nos EUA tiveram queda de 3,481 milhões de barris na semana encerrada em 17 de setembro. O recuo foi maior do que o previsto por analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal, que esperavam queda de 2,4 milhões de barris nos estoques.

Em resposta, o petróleo WTI para novembro fechou em alta de 2,47%, a US$ 72,23 o barril em Nova York, e o Brent para o mesmo mês subiu 2,46%, a US$ 76,19 o barril em Londres. /MAIARA SANTIAGO, GABRIEL BUENO DA COSTA, FRANCINE DE LORENZO, ILANA CARDIAL, MATHEUS ANDRADE E SÉRGIO CALDAS

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