Bolsa de NY fecha em queda após indicador fraco de vendas de casas

O mercado norte-americano de ações fechou em queda depois de a Associação Nacional dos Corretores de Imóveis dos EUA informar que as vendas de residências usadas caíram 4,1% em julho. "O indicador de vendas de residências foi muito fraco e o estoque de casas à venda disparou, levando os investidores a sentirem que a economia está se desacelerando, talvez mais rapidamente do que se esperava. Isso torna as pessoas menos confiantes quanto à estabilidade financeira e sobre como elas pretendem gastar seu dinheiro", comentou Malcolm Polley, da S&T Wealth Management. O mercado abriu em alta, em reação à baixa dos preços do petróleo, mas reverteu a direção após a divulgação do indicador de vendas de imóveis. Operadores também disseram que o mercado reagiu ao boato, que circulou no fim da manhã, de que o Irã teria se declarado um "país nuclear". As ações das construtoras de casas estiveram entre as que mais caíram (KB Homes -6,2%, Beazer Homes -3,7%, Ryland Group -2,6%, DR Horton -2,4%). No setor de tecnologia, as ações da National Semiconductor subiram 3,5%, embora a empresa tenha rebaixado sua projeção de vendas; a empresa manteve sua meta de lucratividade, o que foi bem recebido pelos investidores. As ações da Sun Microsystems avançaram 3,7%, depois de a empresa de pesquisa de mercado IDC dizer que a empresa recuperou uma porção considerável do mercado de servidores corporativos. As ações das provedoras de utilidades públicas caíram, revertendo a alta de ontem; das 15 componentes do índice Dow Jones Utility Average, 13 fecharam em queda, com destaque para Pacific Gas and Electric Company (-2,5%). Entre as componentes do Dow Jones, a ação com melhor desempenho foi Merck, com alta de 1,8%, depois de a empresa divulgar um relatório sobre os riscos do medicamento para artrite Arcoxia. O índice Dow Jones fechou em queda de 41,94 pontos (0,37%), em 11.297,90 pontos. A mínima foi em 11.359,78 pontos e a máxima em 11.265,32 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 15,36 pontos (0,71%), em 2.134,66 pontos, com mínima em 2.126,75 pontos e máxima em 2.160,11 pontos. O Standard & Poor's-500 caiu 5,83 pontos (0,45%), para 1.292,99 pontos. O NYSE Composite recuou 44,05 pontos (0,53%), para 8.320,19 pontos. O volume negociado na NYSE alcançou 1,224 bilhão de ações, de 1,223 bilhão ontem; 984 ações subiram, 2.280 caíram e 163 fecharam nos mesmos níveis de ontem. No Nasdaq, o volume ficou em 1,486 bilhão de ações, de 1,592 bilhão ontem, com 1.000 ações fechando em alta e 1.999 em queda. Os preços dos bônus de 30 anos do Tesouro dos EUA tiveram uma leve alta, com correspondente baixa nos juros; os preços das T-notes de 10 anos chegaram ao fim do dia praticamente no mesmo nível de ontem e os das T-notes de 2 anos recuaram. Operadores observaram que a reação inicial do mercado ao indicador de vendas de residências usadas foi incomum; embora o indicador fraco sugira desaceleração no crescimento da economia, o que reduziria as chances de o Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, voltar a elevar as taxas de juro, houve um movimento de venda de Treasuries logo depois da divulgação dos dados. Operadores disseram que isso aconteceu por causa do componente de preços dos dados divulgados pela Associação dos Corretores de Imóveis; os preços das residências usadas subiram 0,4% em julho, apesar do crescimento forte do estoque de imóveis usados à venda (para o equivalente a 7,3 meses de vendas), o que foi interpretado como sinal de pressões inflacionárias. "Quando os estoques disparam, há uma oferta grande de casas usadas á venda, o que alimenta a impressão de que as coisas estão piorando, principalmente agora, que estamos no pico da temporada de compras de casas", comentou Michael Cheah, gerente de carteira da AIG SunAmerica Asset Management. O outro indicador econômico divulgado hoje também foi fraco (o índice de atividade industrial nacional do Federal Reserve Bank de Chicago, que caiu a -0,12 em julho de +0,43 em junho). Embora a curva de juros dos Treasuries mostrasse no fechamento a mesma inclinação de ontem, pela manhã ela tinha a maior inversão desde março, com o spread entre os juros das T-notes de 2 e de 10 anos alcançando -8 pontos porcentuais, de -6 ontem. Estrategistas do mercado disseram que compras de fim de mês para extensão da duration das carteiras podem ter contribuído para a recuperação dos preços dos Treasuries de prazos mais longos à tarde. Gerentes de fundos freqüentemente compram treasuries no fim do mês para aumentar a duration e reequilibrar suas carteiras com o índice de bônus da Lehman Brothers, que serve de referência para o mercado. Com os leilões de refinanciamento do Tesouro para o trimestre em agosto e as altas fortes dos preços dos Treasuries ocorridas durante o mês, a extensão do índice de Treasuries deverá ser maior do que normalmente; os estrategistas da Morgan Stanley estimam que "a extensão no índice de Treasuries deverá ser significativa, de cerca de 25 meses". Participantes do mercado observaram que os preços dos Treasuries de prazos mais curtos poderão ser pressionados nos próximos dias; nesta quinta-feira, o tesouro anunciará os detalhes dos próximos leilões primários de T-notes de 2 e 5 anos, marcados para os dias 29 e 30; além disso, o presidente do Fed, Ben Bernanke, falará em público na sexta-feira. No fechamento em Nova York, o juro projetado pelos T-bonds de 30 anos estava em 4,949%, de 4,952% ontem; o juro das T-notes de 10 anos estava em 4,812%, de 4,811% ontem; o juro das T-notes de 2 anos estava em 4,874%, de 4,865% ontem. As informações são da Dow Jones.

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