Bolsa de NY tem segundo dia consecutivo de queda forte

O mercado norte-americano de ações fechou seu segundo pregão consecutivo de queda forte. Esta foi a primeira semana em que o índice Dow Jones acumulou recuo, depois de cinco semanas seguidas de altas. O Nasdaq encerrou no nível mais baixo dos últimos três meses. "Os últimos dois dias foram muito perturbadores. Não havia lugar seguro para se esconder. Acho que os investidores reagiram exageradamente aos temores de inflação em alta, com suas motivações primárias sendo a falta de vigor do dólar e o informe de hoje sobre os preços das importações norte-americanas, que subiram mais do que se previa. Na melhor das hipóteses, acho que essas duas questões terão impacto somente no curto prazo", comentou o chefe de pesquisa e estratégia da Dover Management, Chris Wolfe. Entre os destaques negativos do pregão estava Expedia, do setor de reservas de viagem via internet, com queda de 26%, depois da divulgação de seu informe de resultados. Isso afetou outras ações da área de serviços via internet, como Google (-3,3%), Amazon.com (-2,5%) e Cendant (-1,3%). Os papéis da fabricante de semicondutores NVidia caíram 7,5%, também em reação a seu informe de resultados. As ações da Barr Pharmaceuticals caíram 5%, depois de o Escritório de patentes dos EUA rejeitar a renovação da patente do anticoncepcional Seasonale; as da ImClone Systems, fabricante do medicamento anticâncer Erbitux, avançaram 8,9%, devido a especulações de que haveria uma oferta para a aquisição da empresa. Apenas quatro das 30 componentes do Dow Jones subiram, com destaque para general Motors (+1,1%), após a KeyBank Capital Markets prever que os trabalhadores da indústria de autopeças Delphi não deverão entrar em greve. A preocupação com as taxas de juro fez caír as ações do setor financeiro (Bear Stearns -2,2%, merrill Lynch -1,7%, Goldman Sachs -2%). O índice Dow Jones encerrou em baixa de 119,74 pontos (1,04%), em 11.380,99 pontos. A mínima foi em 11.374,74 pontos e a máxima em 11.500,11 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 28,92 pontos (1,27%), em 2.243,78 pontos, com mínima em 2.243,32 pontos e máxima em 2.264,19 pontos. O Standard & Poor's-500 caiu 14,68 pontos (1,12%), para 1.291,24 pontos. O NYSE Composite recuou 115,48 pontos (1,35%), em 8.411,26 pontos. O volume negociado na NYSE alcançou 1,857 bilhão de ações, de 1,840 bilhão ontem; 653 ações subiram, 2.648 caíram e 136 fecharam nos mesmos níveis de ontem. No Nasdaq, o volume ficou em 2,307 bilhões de ações negociadas, de 2,459 bilhões ontem, com 740 ações terminando em alta e 2.296 em queda. Na semana, o Dow acumulou uma queda de 1,70%, o Nasdaq, uma baixa de 4,22% e o S&P-500, uma perda de 2,60%. Os preços dos títulos do Tesouro dos EUA voltaram a cair, com correspondente alta nos juros. Apesar da queda forte do mercado de ações, não houve "fuga para a qualidade" dos títulos do Tesouro norte-americano. No fim do dia, o juro de 10 anos estava no nível mais alto dos últimos quatro anos. Participantes do mercado atribuíram a queda dos preços dos títulos à incerteza quanto à perspectiva da política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). "O que deixou o mercado mais nervoso é a falta de uma orientação no comunicado divulgado pelo Fed na quarta-feira, que sugere que a próxima medida do Fed dependerá dos indicadores. E se existe alguma coisa de que os mercados não gostam, é a incerteza", comentou o economista da Wells Fargo Economics, Scott Anderson. Os indicadores divulgados hoje não tiveram impacto importante nos preços dos títulos do Tesouro, mas alimentaram o sentimento negativo. O déficit comercial dos EUA ficou em US$ 62 bilhões em março, quando se previa um déficit de US$ 67,50 bilhões. Os preços das importações norte-americanas subiram 2,1% em abril, mas com alta zero quando se excluem os preços da energia, e o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan ficou em 79,0 na pesquisa preliminar de maio, de 87,4 em abril. O economista Steve Wood, da Insight Economics, observou que "por si mesmos, os dados da balança comercial vão contribuir com 0,3 ponto porcentual na revisão para cima do crescimento do PIB no primeiro trimestre. Combinando isso com outros dados e revisões, o avanço do PIB no primeiro trimestre poderá ser revisado para cima em até 1,3 ponto porcentual, para 6,1%". No fim da tarde, em Chicago, os futuros de Fed Funds projetavam uma probabilidade de 44% de que a taxa dos Fed Funds seja elevada para 5,25% na próxima reunião do Fed, em 28 e 29 de junho; a probabilidade de que ela esteja em 5,25% após a reunião de agosto era de 76%. No fechamento em Nova York, o juro projetado pelos juros do título do Tesouro de 30 anos estava em 5,297%, de 5,246% ontem; o juro de 10 anos estava em 5,189%, de 5,173% ontem; o juro do papel de 2 anos estava em 5,009%, de 4,996% ontem. As informações são da Dow Jones.

Agencia Estado,

12 de maio de 2006 | 19h24

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