Bolsa de Valores vai apoiar projetos de meio ambiente

Depois de lançar a Bolsa de Valores Sociais (BVS), em que empresas e pessoas físicas podem financiar projetos educacionais e acompanhar seu andamento, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) começa a concentrar suas ações de responsabilidade social no meio ambiente. A partir de abril, a BVS vai incluir ações ambientais em sua lista de projetos, que passa a oferecer 35 programas para os "investidores sociais". A expectativa é que, no prazo de um ano, os projetos ambientais representem 40% das doações. "Decidimos incluir dos projetos ambientais na BVS como uma forma de nos inserir no debate sobre o meio ambiente, um dos maiores problemas do mundo moderno", afirma o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho. A BVS - que, com a mudança, passará a se chamar Bolsa de Valores Sociais & Ambientais (BVS&A) - funciona como uma ponte entre organizações não-governamentais (ONGs) que mantêm projetos nas áreas educacionais e os interessados em doar fundos a estes programas. As doações, em dinheiro, são feitas por meio do site da Bovespa. Em três anos e meio de operações, a BVS já levantou R$ 4,7 milhões e financiou 36 projetos. Segundo Magliano, a inclusão de projetos ambientais deve atrair mais investidores, inclusive estrangeiros. "Há uma expectativa de crescimento, já que o momento atual estimula a conscientização ambiental das pessoas", justifica. De acordo com o diretor de Responsabilidade Social da Bovespa, Izalco Sardenberg, os projetos que tratam de neutralização de carbono, reflorestamento e educação ambiental devem sair na frente no levantamento de recursos. De acordo com a Bovespa, cerca de 70% das doações são feitas por pessoas jurídicas, mas também há espaço para doações anônimas e de pessoas físicas. É o caso dos brasileiros Nicholas Rawdon-Jones, de 26 anos, e Roberto Zuccolo, de 22, que mesmo morando em Londres, fazem investimentos na BVS. Desde abril do ano passado, eles captaram US$ 4,5 mil com os recursos publicitários de um site criado por eles. A página começou a ser divulgada entre amigos e, em menos de um ano, atingiu a marca de quatro mil acessos diários, atraindo anunciantes como a Delta Air Lines. Cerca de 80% do valor arrecadado foi revertido para quatro projetos educacionais da BVS. "É uma forma de ajudar o terceiro setor de nosso país, mesmo morando longe", diz Nicholas. Agora, eles querem usar as ações ambientais como um chamariz para investidores. "Quando se fala em Brasil, a Amazônia é a primeira coisa que os estrangeiros lembram." O presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, Fernando Almeida, acredita que a iniciativa da Bovespa é positiva. "Qualquer ação que provoque mudança no uso dos serviços ambientais é louvável." Mas faz ressalvas. Para ele, as empresas devem saber separar responsabilidade social de filantropia. "Sozinha, ela não resolve o problema."

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