Stringer/Reuters
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Bolsa de Xangai volta a despencar e recua 7,6%

Perdas acumuladas nos últimos dois dias somam mais de 15%, com incertezas dos investidores sobre medidas de estímulo do governo chinês; na véspera, queda nas bolsas da China causou pânico no mercado financeiro global

Sérgio Caldas, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 07h29

A Bolsa de Xangai voltou a ter fortes perdas nesta terça-feira, 25, fechando abaixo da importante marca de 3 mil pontos pela primeira vez desde dezembro de 2014, com os investidores indispostos a tomar risco em meio à ausência de medidas de suporte mais contundentes do governo chinês. Outros mercados asiáticos, com exceção do de Tóquio, conseguiram se recuperar, diante do aumento da demanda por barganhas e apesar da nova rodada de liquidação das ações chinesas. Na véspera, as fortes perdas na China causaram pânico no mercado financeiro global.

O Xangai Composto, principal índice acionário chinês, despencou 7,6%, encerrando o pregão 2.964,97 pontos, após chegar a cair 8,2% nos negócios durante a tarde (pelo horário local) e acumulando perdas superiores a 15% nos dois últimos dias. Apenas na segunda-feira, o Xangai sofreu um tombo de 8,5%, o maior em uma única sessão em mais de oito anos. O Shenzhen Composto, de menor abrangência, teve queda de 7,1% hoje, a 1.749,07 pontos, enquanto o ChiNext, formado principalmente por startups, recuou 7,5%, a 1.990,71 pontos.

A falta de apoio de Pequim continuou prejudicando os negócios nas bolsas. "O mercado se sente como se estivesse implodindo porque está muito acostumado a contar com a mão (do governo)", comentou Steve Wang, diretor de pesquisa da corretora Reorient Group. "Em vez disso, os reguladores (da China) estão esperando para ver o que acontece.. .eles intervieram muito no passado e não deu certo", acrescentou.

Em outras partes da Ásia, o dia foi de recuperação, após as perdas do pregão anterior e com a demanda maior por ações baratas. Em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,72%, a 21.404,96 pontos, enquanto no mercado taiwanês, o Taiex saltou 3,58%, a 7.675,64 pontos, e em Seul, o índice sul-coreano Kospi teve ganho de 0,92%, a 1.846,63 pontos. A exceção foi a Bolsa de Tóquio, que havia chegado a subir 1,6% mais cedo, mas terminou a sessão com queda de 3,96%, a 17.806,70 pontos.

Já a Bolsa de Tóquio não se recuperou do movimento de baixa. O índice Nikkei fechou em queda de 3,96%, aos 17.806 pontos, a maior queda desde fevereiro de 2010. A perda veio após a desvalorização de 4,6% da véspera, a maior em um único dia em dois anos.

Na Oceania, o mercado australiano também se recuperou, após atingir o nível mais baixo em dois anos no pregão anterior. O S&P/ASX 200, índice que reúne as empresas mais negociadas em Sydney, subiu 2,7%, a 5.137,30 pontos, após cair 4,1% na véspera, na maior queda porcentual desde janeiro de 2009.

Insegurança. Os investidores estão particularmente frustrados com a ausência de novas medidas do Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês), como um esperado corte nos compulsórios bancários, por exemplo.

Numa tentativa de reverter saídas de capital, no entanto, o PBoC voltou a agir no mercado aberto hoje, ao injetar 150 bilhões de yuans (US$ 23,4 bilhões) no sistema financeiro por meio de contratos de recompra reversa de sete dias, que funcionam como uma espécie de empréstimo de curto prazo ao setor bancário. Esse tipo de operação costuma ocorrer às terças e quintas. Na semana passada, o PBoC fez uma injeção líquida de 150 bilhões de yuans, a maior desde meados de fevereiro.

Para alguns analistas, mesmo um eventual corte nos compulsórios pelo PBoC seria insuficiente para resgatar os mercados chineses a essa altura. "A intensidade da turbulência global nos mercados acionários exigem algo mais substancial, tanto do lado monetário quanto do fiscal", avaliou Bernard Aw, da corretora IG, com sede em Cingapura. 

Moeda. O yuan fechou em queda frente ao dólar nesta terça-feira, após Pequim ter orientado a moeda chinesa para baixo por meio de sua taxa de referência diária.

No fim do dia em Xangai, o dólar estava em 6,4124 yuans, com alta de 0,12% ante o fechamento de 6,4044 yuans da véspera. Em meados de agosto, o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) anunciou uma forte desvalorização do yuan e decidiu que a taxa de câmbio passaria a ser mais determinada pelas forças de mercado.

O PBoC estipulou a taxa de paridade de hoje em 6,3987 yuans por dólar, ante 6,3862 yuans/dólar na sessão anterior. A moeda chinesa pode variar até 2% diariamente, para cima ou para baixo, em relação à taxa de paridade. (Com informações da Dow Jones Newswires).

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