Bolsa do Japão sobe, mas crise provoca suicídio

Um dia após ter despencado e derrubado as principais bolsas de valores do mundo, o mercado japonês recuperou-se 2,31%. Mas a situação está longe de ficar tranqüila e, para piorar, surgiu um cadáver. Um executivo ligado à Livedoor, empresa investigada por suspeitas de falsificar resultados, morreu, num aparente suicídio. O índice Nikkei, o principal da Bolsa de Tóquio, fechou em alta de 355,10 pontos, em sessão mais curta, a segunda consecutiva, e recuperando-se das perdas dos dois pregões anteriores. Foi o maior ganho em pontos desde junho de 2002. Esse resultado animou as Bolsas pelo mundo todo. Em Nova York, o Dow Jones teve alta de 0,21% e o Nasdaq, 0,91%. A Bolsa de Tóquio abriu 30 minutos mais tarde, para evitar a sobrecarga no sistema de processamento dos negócios. Na última quarta-feira, o mercado teve de fechar 20 minutos mais cedo. ?Olhando para o tamanho da queda (dos dois últimos pregões), o mercado reagiu exageradamente na quarta à tarde e isso abriu caminho para a entrada de investidores genuínos no dia seguinte?, disse o gerente de fundos Gentoku Kiyokawa. Apesar disso, alguns analistas não consideraram que a forte alta de ontem tenha sido uma recuperação técnica e disseram que o mercado ainda deve passar por mais correções. ?Podemos esperar outra correção no futuro próximo?, disse o estrategista de ações Shinichi Ichikawa, do CSFB. As ações da Livedoor não acompanharam o bom desempenho do setor de tecnologia. Os papéis da provedora de internet desabaram 30,2% em comparação como fechamento na terça-feira, depois de não terem sido negociadas na quarta. O executivo Hideaki Noguchi foi encontrado com os pulsos cortados num hotel na região de Okinawa, ao sul do Japão, e levado para um hospital, onde morreu. Ele era vice-presidente da corretora HS e estava envolvido nas compras hostis realizadas pela Livedoor. A HS foi incluída na investigação iniciada segunda-feira contra empresas relacionadas com a Live door, que desencadeou o pânico da bolsa, provocando maciças perdas na Bolsa de Tóquio. Segundo a Promotoria, Noguchi não havia sido convocado a depor. A Livedoor, fundada em 1996, teve um crescimento muito rápido e era admirada no mundo todo. Seu presidente, Takafumi Horie, disse que uma investigação interna não encontrou irregularidades. Irritação Autoridades e empresários japoneses ficaram muito irritados com a suspensão do pregão na quarta-feira, decidido pela administração da Bolsa que temia um colapso no sistema de informática por causa do volume de negócios. Foi o terceiro problema sério em três meses. O ministro de Serviços Financeiros, Kaoru Yosano, ameaçou que se ?a Bolsa não conseguir assegurar o curso normal das negociações, suas funções serão suspensas?. O jornal Yomiuri, o de maior tiragem do Japão, criticou hoje a Bolsa e a acusou de ?ser o centro de mais um fiasco?, por não ter tomado medidas para evitar uma suspensão das negociações ?quaisquer que sejam as circunstâncias?. AE - Dow Jones

Agencia Estado,

20 de janeiro de 2006 | 09h26

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