Daniel Teixeira/Estadão
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Bolsa interrompe série sem perdas e cai 0,81%; dólar sobe 0,33% e fecha em R$ 4,75

Ibovespa sofreu uma realização de lucros em dia de agenda relativamente esvaziada pelo feriado nos Estados Unidos

Luís Eduardo Leal e Antonio Perez, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2022 | 18h48

Sem a referência de Nova York no feriado pelo Memorial Day, o Ibovespa se inclinou a uma pausa para realizar lucros, vindo de sete sessões nas quais não registrou perdas. Nesta segunda-feira, 30, em ajuste distribuído pelos setores e ações de maior liquidez - à exceção de Vale ON (+1,08%) -, o Ibovespa cedeu 0,81%, aos 111.032,11 pontos.

Faltando apenas a sessão de amanhã para o fechamento do mês, o índice acumula ganho de 2,93% em maio, retomando a trajetória positiva que prevaleceu entre dezembro e março, interrompida em abril (-10,10%), quando registrou a segunda maior perda do período da pandemia, atrás apenas de março de 2020 (-29,90%). Bem fraco, o giro financeiro de hoje ficou em R$ 19,4 bilhões. No ano, o Ibovespa sobe 5,92%.

Em dia de agenda relativamente esvaziada pelo feriado nos Estados Unidos, alguns sinais positivos chegaram da China, com o registro dos menores números de contaminação por covid-19 em três meses, observa em nota a Nova Futura Investimentos, destacando também "plano com 50 políticas, inclusive volta ao trabalho presencial", delineado por autoridades do país, o que contribuiu para uma sessão asiática positiva assim como, um pouco mais tarde, também na Europa. Em Dalian, o minério de ferro teve alta de 2,81%, a US$ 131,87 por tonelada.

"A China reabrir é muito interessante, na medida em que volta a tracionar a economia com estímulos que ajudam o minério e as empresas de siderurgia, com efeito sobre preço e demanda no setor. Também é um dos países que mais consomem petróleo, o que tende a mantê-lo em nível alto", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Hoje, contudo, em dia de avanço acima de 1% para o Brent de julho, na casa de US$ 121 por barril, as perdas em Petrobras chegaram a superar 4% no pior momento, estendendo a correção da sexta-feira ante incertezas sobre a resiliência da política de preços da estatal, sob ataque tanto do presidente Jair Bolsonaro (PL) como também de seu principal opositor na eleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Com relação à Petrobras, todos esses ruídos são ruins, recuando 7% frente à máxima. O diesel está em falta globalmente: há uma questão de refino colocada mundialmente, não é algo particular", acrescenta o gestor. No ano, os ganhos acumulados pelas ações ON e PN da estatal ainda superam 28%, com os do mês entre 8,91% (ON) e 10,14% (PN), bem acima do observado no Ibovespa nos mesmos intervalos. "A rotação de setores continua a favorecer as empresas de valor em relação às de crescimento, no momento em que os juros sobem. Como já estavam muito descontadas (as de crescimento), há aí uma recuperação de preço, mas não uma mudança de tendência", diz Moliterno.

Na ponta do Ibovespa nesta segunda-feira, destaque para BB Seguridade (+2,62%), Braskem (+2,57%) e Minerva (+2,07%). No lado oposto, Locaweb (-4,99%), MRV (-4,42%), Yduqs (-4,12%) e Magazine Luiza (-4,00%). Ao fim, Petrobras ON e PN mostravam, respectivamente, baixa de 2,16% e 1,99% na sessão.

Dólar

Apesar da onda de enfraquecimento da moeda americana no exterior e da valorização das commodities, o real não encontrou forças para nova rodada de apreciação nesta segunda-feira, 30. O dólar até chegou a cair nas primeiras horas de negociação, rompendo o piso de R$ 4,70 na mínima (R$ 4,6911), mas retomou fôlego ainda pela manhã e passou a maior parte da tarde entre estabilidade e leve alta. Com uma arrancada na reta final do pregão, a moeda encerrou o dia cotada a R$ 4,7536, alta de 0,33%. Pesaram sobre o mercado de câmbio local o tom negativo do Ibovespa, abalado pelo tombo das ações de Petrobras e já de olho na corrida presidencial, e ajustes técnicos no mercado futuro na véspera da formação da última Ptax de maio.

Operadores ressaltam que a liquidez foi bastante reduzida, em razão da ausência de negócios nas Bolsas em Nova York e no mercado de renda fixa americano, fechados em conta do feriado de Memorial Day nos Estados Unidos. O contrato de dólar futuro para junho, principal termômetro do apetite dos investidores, girou menos de US$ 8 bilhões. Além disso, o dólar vem de duas semanas seguidas de queda (quando desceu do patamar de R$ 5,05 para perto do piso de R$ 4,70) e era de se esperar que houvesse uma pausa para ajuste de posições.

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