Bolsa dos EUA sobe e fica perto de seu recorde

O mercado norte-americano de ações teve uma alta forte, com o índice Dow Jones chegando ao fim do dia no nível mais alto desde 18 de janeiro de 2000 e apenas 145 pontos abaixo de seu recorde histórico de 11.722,98 pontos, estabelecido em 14 de janeiro de 2000. O Standard & Poor's-500 também fechou no nível mais alto dos últimos cinco anos. O mercado reagiu ao fato de o número de postos de trabalho criados em abril ter ficado abaixo das previsões. "Este foi um caso clássico de o que é bom para Wall Street não é bom para Main Street", comentou o estrategista-chefe da The Hartford, Quincy Krosby (Main Street, ou rua principal, é uma referência à chamada economia real). "Os investidores ficaram em júbilo com os indicadores, que podem ajudar o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) a decidir-se pelo fim do ciclo de elevações das taxas de juro, ou pelo menos fazer uma pausa, depois da reunião de maio. Se os indicadores econômicos continuarem a sair fracos, isso certamente vai ajudar", acrescentou Krosby. Das 30 componentes do índice Dow Jones, 28 fecharam em alta, com destaque para as ações de empresas mais sensíveis ao ambiente de juros, como JP Morgan Chase (+2,10%), American Express (+1,90%) e Home Depot (+2,56%). As da Exxon Mobil subiram 1,09%, em dia de recuperação dos preços do petróleo. As da Hewlett-Packard, que lança uma grande campanha publicitária na próxima semana, avançaram 1,74%. As ações da empresa de energia PG&E subiram 3,4% e as da seguradora de automóveis Mercury General avançaram 3,6%, em reação a reportagem do Wall Street Journal segundo a qual a Berkshire Hathaway, holding controlada pelo megainvestidor Warren Buffett, vai anunciar uma grande aquisição durante sua reunião anual, neste fim de semana. As ações da Berkshire Hathaway subiram 0,8%. As ações da produtora e distribuidora de gás natural El Paso avançaram 13%, em reação a seu informe de resultados. O índice Dow Jones fechou em alta de 138,88 pontos (1,21%), em 11.577,74 pontos. A mínima foi em 11.440,62 pontos e a máxima em 11.586,86 pontos. O Nasdaq fechou em alta de 18,67 pontos (0,80%), em 2.342,57 pontos, com mínima em 2,332,68 pontos e máxima em 2.344,37 pontos. O Standard & Poor's-500 subiu 13,51 pontos (1,03%), para 1.325,76 pontos. O NYSE Composite avançou 101,33 pontos (1,19%), para 8.632,94 pontos. O volume negociado na NYSE ficou em 1,692 bilhão de ações, de 1,749 bilhão ontem; 2.486 ações subiram, 849 caíram e 136 fecharam nos mesmos níveis de ontem. No Nasdaq, o volume ficou em 1,963 bilhão de ações negociadas, de 2,065 bilhões ontem, com 1.914 ações fechando em alta e 1.128 em queda. Na semana, o Dow acumulou uma alta de 1,85%, o Nasdaq, um ganho de 0,86% e o S&P-500, um avanço de 1,16%. Os preços dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) subiram, com correspondente queda nos juros. O mercado reagiu ao fato de o número de postos de trabalho criados nos EUA em abril ter ficado abaixo das previsões. Segundo o Departamento do Trabalho, foram criados 138 mil postos de trabalho no mês passado, quando os economistas previam +205 mil. A taxa de desemprego ficou inalterada em 4,7% e o salário médio pago por hora trabalhada teve uma elevação de 0,54%, quanto se previa +0,30%. Para o chefe da mesa de Treasuries da Lehman Brothers, Scott Gewirtz, os dados fortalecem as previsões de que o Federal Reserve vai fazer, em breve, uma pausa no ciclo de apertos monetários. "Eu não acho que o Fed saiba o que vai fazer em junho. Mas minha sensação é a de que, se aparecerem mais indicadores fracos, eles provavelmente farão uma pausa. Já o chefe da mesa de Treasuries do Deutsche Bank, Jason Evans, observou que as compras de títulos do tesouro foram mais fortes por causa do recente crescimento de posições "vendidas" por participantes que apostavam que os preços dos Treasuries cairiam ainda mais. Para ele, o fato de o indicador de salários ter acelerado sua alta "não muda muito a previsão do mercado quanto ao que o Fed vai fazer". Na próxima semana, o mercado estará atento não só à reunião do fed, na quarta-feira, mas também aos leilões de títulos de 3 e 10 anos, totalizando US$ 34 bilhões. No fechamento em Nova York, o juro projetado pelos títulos de 30 anos estava em 5,193%, de 5,237% ontem; o juro dos papéis de 10 anos estava em 5,107%, de 5,150% ontem; o juro dos papéis de 2 anos estava e 4,937%, de 4,971% ontem. As informações são da Dow Jones.

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