Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Bolsa e dólar fecham em queda com cenário político e feriado no exterior

Bovespa encerrou negócios em queda de 0,18%, limitada por ganhos da Petrobrás e do BB; dólar fechou a R$ 3,57 influenciado também por disputa técnica

Paula Dias, Silvana Rocha, Lucas Hirata, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2016 | 18h20

O feriado americano do Memorial Day reduziu drasticamente o volume de negócios no mercado brasileiro de ações. A Bovespa alternou pequenas altas e baixas e terminou o dia em queda de 0,18%, aos 48.964,34 pontos. Os negócios na Bolsa brasileira totalizaram R$ 2,107 bilhões no horário regular, o mais baixo volume desde 17 fevereiro de 2005 (R$ 2,104 bilhões). A alta dos preços do petróleo no mercado internacional garantiu a valorização das ações da Petrobrás, que por sua vez limitaram a baixa do Ibovespa. 

A cautela do cenário político foi reforçada pela divulgação de novo áudio gravado pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, divulgado neste domingo, 29, pelo programa Fantástico, da Rede Globo. Desta vez, o ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, aparece em conversas com o Sérgio Machado e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), orientando como eles deveriam agir em relação às investigações da Operação Lava Jato. Após reunião com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, Temer teria decidido manter Silveira no cargo "por enquanto".

Por outro lado, causaram repercussão positiva as declarações feitas pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Entre outros pontos, o ministro disse que, apesar da queda no  potencial de crescimento do Brasil, um país que registra dois anos de recessão possui muita capacidade ociosa e pote ter uma recuperação mais rápida que o previsto. Meirelles disse ainda não ter pressa de vender os ativos do Fundo Soberano Brasileiro (FSB). A declaração teve impacto direto sobre as ações ordinárias do Banco do Brasil, que subiram 1,74%.

As ações da Petrobrás acompanharam os preços do petróleo e terminaram o dia em alta de 0,86% (ON) e de 1,82% (PN). Os contratos futuros de petróleo tiveram leve alta, às vésperas da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), na quinta-feira. No pregão eletrônico da New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo para julho subiu 0,54%. Na Intercontinental Exchange (ICE), o contrato para agosto, fechou em alta de 0,82%. Com o resultado de hoje, o Ibovespa passa a contabilizar queda de 9,17% em maio e alta de 12,95% em 2016.

Câmbio. O dólar fechou a segunda-feira em queda, na contramão do exterior. A moeda operou sob pressão de baixa dos investidores vendidos em contratos cambiais nesta véspera de definição da última taxa Ptax (cotação que serve de referência para os contratos) de maio, nesta terça-feira, 31. Por isso, apesar da ausência de alguns negociadores em função do feriado nos Estados Unidos e em Londres, a liquidez no mercado cambial não foi tão baixa. Somava cerca de US$ 1,029 bilhão por volta das 17h. Além disso, após oscilar nos primeiros negócios, a moeda passou a cair e ampliou o ajuste negativo ao longo da sessão. A alta do petróleo contribuiu para o recuo de preço.

O dólar à vista fechou em queda de 0,89%, a R$ 3,5783. A mínima foi de R$ 3,5742 (-1,01%) e a máxima, a R$ 3,6156 (+0,14%). 

"Os vendidos em câmbio estão mais fortes e já brigam por um dólar mais fraco em um dia de liquidez menor com os feriados de NY e Londres", disse Jefferson Rugik, diretor da Correparti. Lá fora, segundo ele, o dólar continuou forte em relação a maioria de seus pares principais e também das divisas emergentes e ligadas às commodities. O mercado externo ainda ecoa a mensagem deixada pela presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, na sexta-feira, quando sinalizou chances de alta de juros em breve nos EUA, afirmou.

Investidores "vendidos" em câmbio defendem a queda do dólar à vista e os comprados, a alta. A intenção é influenciar a formação da taxa Ptax de amanhã. Ela será usada na quarta-feira para a liquidação do contrato de dólar futuro de junho e também para balizar os ajustes dos contratos de derivativos cambiais e de swap cambial com vencimentos em meses subsequentes. Ambos os investidores têm o objetivo, nessa disputa, de maximizar o retorno financeiro na liquidação de suas posições cambiais no mercado futuro. Hoje, a taxa Ptax já fechou em queda de 0,47%, a R$ 3,5997. 

Para um gerente de derivativos, o mercado minimizou o áudio com conversas entre o ministro da Transparência, Fabiano Silveira, e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado porque não houve nenhuma movimentação em Brasília que pudesse gerar compra mais forte de dólares", comentou. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.