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Dólar sobe e é cotado aos R$ 3,86; Bolsa fecha o dia perto da estabilidade

Em dia de cenário externo conturbado, dólar teve alta de 0,34%; Bolsa subiu 0,08%, aos 76.652,58 pontos

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2018 | 15h35
Atualizado 16 de julho de 2018 | 18h34

A queda de mais de 4% nos preços petróleo foi destaque nos mercados nesta segunda-feira, produzindo efeitos negativos sobre outros segmentos, como câmbio e ações. A Bolsa oscilou em terreno negativo na maior parte do dia e acabou por fechar perto da estabilidade, com ligeiro viés de alta, de 0,08%, aos 76.652,58 pontos. Já o dólar  teve uma manhã volátil, mas firmou alta na parte da tarde desta segunda-feira e subiu 0,34%, terminando o dia em R$ 3,8627.

O desempenho da commodity refletiu um conjunto de fatores, liderados pela sinalização dos Estados Unidos e Rússia de que podem trabalhar para reduzir o preço do óleo, durante encontro histórico entre os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin. Ataques a portos da Líbia, sanções dos EUA contra o Irã, crise econômica na Venezuela e dados da produção norte-americana também pressionaram os preços para baixo.

O real e o peso argentino estão entre as moedas com pior desempenho ante a divisa dos Estados Unidos nesta segunda-feira, 16, considerando os principais países emergentes. O dólar caiu ante moedas como o peso mexicano e o rand da África do Sul.  Operadores relatam que o cenário externo mais cauteloso, marcado por forte queda dos preços do petróleo e preocupações com o cenário eleitoral brasileiro estão entre os fatores que estimularam as compras de dólar.

No mercado de ações, como destaques positivos do dia, os papéis da Embraer fecharam o pregão em alta de 1,65%, a R$ 21, após a empresa receber um pedido de 25 aviões da United Airlines. Ações da Gol (PN) tiveram valorização de 11,60%, a R$ 12,51 e ações da Cielo, que anunciou uma mudança em seus cargos executivos nos últimos dias, tiveram alta de 4,73%, a R$ 17,70.

+ Expectativa de alta para o Ibovespa ainda predomina

Dólar.   A liquidez no mercado no pregão desta segunda-feira, 16, foi menor que outros dias e, segundo operadores, movimento de compra por algumas tesourarias de bancos e importadores estimularam a alta da moeda.  O giro menor reflete a cautela antes de eventos importantes nos próximos dias, que inclui dois depoimentos no Congresso dos EUA do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, nesta terça e quarta-feira.

No cenário político, esta semana começam as convenções nacionais dos partidos, com o PDT fazendo a sua em Brasília na sexta-feira, que vai definir a candidatura de Ciro Gomes. O pedetista, aliás, foi mencionado por vários operadores como um fator de preocupação para o mercado, na medida em que vem tentando buscar aliados no chamado Centrão. No final de semana, Ciro esteve reunido com líderes de partidos como PP, Solidariedade e DEM, em São Paulo.

As eleições "altamente incertas" devem seguir contribuindo para pressionar o dólar no Brasil, prevê o banco norte-americano JPMorgan, destacando ainda que a perspectiva fiscal do País, que já era fraca, pode ficar ainda mais deteriorada com medidas em discussão no Congresso que podem ou aumentar as despesas do governo ou reduzir a arrecadação. O banco vê chance de o real bater em R$ 4,00 em setembro, ou seja, um mês antes da votação nas urnas. Outro fator que deve seguir pressionando o dólar é a ampliação da tensão comercial entre os EUA e a China, destaca relatório do banco nesta segunda-feira. Para dezembro, a previsão da moeda norte-americana no Brasil foi elevada de R$ 3,60 para R$ 3,80.

O grupo financeiro holandês ING também vê chance de um dólar ainda mais pressionado no Brasil antes das eleições. As cotações de equilíbrio da moeda norte-americana podem ficar na casa dos R$ 4,00 a R$ 4,20, na medida em que as chances de vitória de um candidato com perfil mais amigável ao mercado permanecem baixas, ressalta o economista-chefe para a América Latina do ING, Gustavo Rangel, em relatório. Para ele, uma nova rodada de alta do dólar pode ocorrer no final de agosto ou setembro, se as pesquisas eleitorais seguirem mostrando que candidatos mais populistas têm maior probabilidade de vencer.

+ Papel do BC não é determinar um patamar para o dólar, afirma Ilan

Bolsa. Sem notícias relevantes no front doméstico, as principais referências vieram do mercado internacional, onde os destaques também não foram muitos. Depois de ter caído até 0,61%, pela manhã, o Ibovespa terminou o dia aos 76.652,58 pontos, com elevação de 0,08%. O volume de negócios totalizou R$ 11,5 bilhões, incluindo os R$ 3,99 bilhões movimentados no exercício de opções sobre ações.

A movimentação nas mesas de renda variável não foi de sobressaltos, uma vez que as oscilações foram moderadas durante todo o pregão. Um dos motivos para esse ambiente foi a resiliência das ações Petrobrás diante das quedas expressivas do petróleo. A commodity reagiu a um conjunto de notícias apontando para a possibilidade de elevação da oferta. Na Nymex, o petróleo WTI para entrega em agosto fechou em baixa de 4,15%, para US$ 68,06 por barril. Na ICE, o barril do Brent para setembro recuou 4,63%, para US$ 71,84. As ações da Petrobras acompanharam a queda, mas em menor proporção. Tiveram perdas de 0,97% (ON) e 1,27% (PN).

No exterior, o principal evento do dia foi a entrevista coletiva conjunta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin. Eles sinalizaram que podem trabalhar em conjunto para regular os mercados de petróleo e gás em meio ao esforço dos dois para diminuir os preços do óleo. A expectativa pela entrevista chegou a gerar alguma instabilidade pela manhã, mas teve efeito neutro no mercado à tarde.

"Foi uma segunda-feira de poucas notícias e oscilações contidas em Nova York. O principal destaque foi o petróleo despencando. Com o noticiário político ainda indefinido, as referências domésticas para os próximos dias devem ficar em torno de indicadores econômicos e noticiário corporativo", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora.

A restauração do fluxo estrangeiro na Bolsa em julho - depois de dois meses de saída robusta - é outro fator positivo que se fez presente no pregão. Segundo os dados divulgados nesta segunda pela B3, os estrangeiros ingressaram com R$ 858,4 milhões líquidos na última quinta-feira, 12. Em julho, o saldo até essa data é positivo em R$ 2,216 bilhões. Em junho, houve saída líquida de R$ 5,9 bilhões e, em maio, de R$ 8,4 bilhões. A volta do capital externo este mês, ainda que de maneira discreta, contribui para o ganho acumulado de 5,35% do Ibovespa em julho.

O noticiário corporativo deve ganhar maior relevância nos próximos dias, com o início da temporada de divulgações de resultados trimestrais. Weg abre o período, com balanço no dia 18. O primeiro banco a divulgar resultado será o Santander, no dia 25, mesma data da Vale. Bradesco apresenta seus números no dia seguinte.

Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, a maior alta do dia foi de Gol ON, que disparou 11,60% como reação ao anúncio de um contrato para aquisição de aeronaves com a Boeing, de 15 jatos 737-MAX 8. Smiles ON, sua controlada, subiu 3,97%.

Pela manhã, dois indicadores econômicos concentraram atenções, mas sem grandes surpresas. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) teve baixa de 3,34% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal. O IGP-10 avançou 0,93% em julho, acima da mediana (0,83%) das estimativas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast.

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