SERGIO CASTRO|ESTADÃO
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Dólar cai 0,9% e Bovespa sobe 1% com Lava Jato e exterior

Moeda terminou cotada a R$ 3,559 e acumulou baixa de 3,31% na semana; avanço das blue chips ajudou a Bolsa

Fabricio de Castro, O Estado de S. Paulo

01 de abril de 2016 | 12h35

O noticiário político-policial do dia, após o lançamento da 27ª fase da Operação Lava Jato, favoreceu o recuo do dólar e a alta da Bovespa nesta sexta-feira, 1. A avaliação dos investidores foi de que as investigações podem prejudicar ainda mais a situação da presidente Dilma Rousseff, em sua luta contra o impeachment. No caso da Bolsa brasileira, a melhora do ambiente externo, em especial durante a tarde, ajudou a consolidar os ganhos.

O dólar fechou em baixa de 0,90%, aos R$ 3,5590, neste primeiro dia útil de abril. Na semana, a moeda acumulou baixa de 3,31%. 

Pela manhã, o dólar até chegou a subir ante o real em alguns momentos. A maior cotação do dia, de R$ 3,6209 (+0,82%), foi registrada às 10h41. Depois disso, a nova fase da Lava Jato passou a pesar mais sobre a moeda. Chamada de Carbono 14, a operação de hoje busca esclarecer um esquema de lavagem de cerca de R$ 6 milhões "provenientes do crime de gestão fraudulenta do Banco Schahin, cujo prejuízo foi posteriormente suportado pela Petrobras", conforme registrou nota da força-tarefa da Lava Jato.

Segundo a Procuradoria da República, durante as investigações da Lava Jato, constatou-se que o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contraiu um empréstimo fraudulento junto ao Banco Schahin em outubro de 2004 no montante de R$ 12 milhões. Do valor total emprestado a Bumlai, pelo menos R$ 6 milhões tiveram como destino o empresário do município de Santo André (SP), Ronan Maria Pinto. Os investigadores querem saber por que Ronan recebeu o dinheiro. E a procuradoria admitiu que também são objeto de investigação os fatos que envolvem o assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), em 2002.

Para parte do mercado financeiro, este noticiário é negativo para o PT, para o ex-presidente Lula e, em consequência, para a própria presidente Dilma Rousseff. Às 13h03, o dólar à vista chegou a marcar a mínima de R$ 3,5401 (-1,43%) sob influência destas avaliações e também pelo reflexo de alguns stops (ordens de parada de perdas) de investidores no mercado futuro, depois que a moeda para maio atingiu os R$ 3,600. Posteriormente, houve certa desaceleração da baixa do dólar ante o real, mesmo porque a moeda americana subia ante outras divisas no exterior.

Ações. No caso da Bovespa, o noticiário em torno da Lava Jato e, em especial, o avanço dos principais índices de ações em Nova York conduzia os ganhos durante a tarde. O Ibovespa terminou em alta de 1,01%, aos 50.561,53 pontos, com ganhos importantes em algumas blue chips.

Vale ON subiu 2,38% e Vale PN teve alta de 4,31%. No setor financeiro, Bradesco PN avançou 1,96% e o papel PN de Itaú Unibanco teve alta de 0,67%. Petrobrás titubeou: -0,94% a ON e +0,12%.

Em Nova York, as bolsas reagiram positivamente a levantamentos da indústria e de confiança dos consumidores, que trouxeram resultados melhores do que o previsto. Esses dados ajudaram a anular a reação negativa nas bolsas ao payroll (dados sobre o mercado de trabalho). O Dow Jones subiu 0,61%, aos 17.792,75 pontos, o S&P 500 teve ganho de 0,63%, aos 2.072,78 pontos, e o Nasdaq ganhou 0,92%, aos 4.914,54 pontos.

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