Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Após nove baixas seguidas, Petrobrás recupera R$ 31 bi em valor de mercado

Sinalização de que o pior momento da crise de abastecimento no País já passou motivou valorização de até 14% nas ações da companhia nesta terça-feira; em teleconferência, presidente da estatal afirmou que planejamento estratégico da petroleira será mantido

Fernanda Nunes, Karin Sato e Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 17h25
Atualizado 29 Maio 2018 | 23h02

RIO e SÃO PAULO - Após nove dias consecutivos de desvalorização das ações, a Petrobrás conseguiu nesta terça-feira, 29, recuperar R$ 31 bilhões do seu valor de mercado. A sinalização de que o pior momento da crise já passou fez com que as preferenciais subissem 14,13%, e as ordinárias, 12,38%. O mercado se sentiu ainda mais confiante depois que o presidente da empresa, Pedro Parente, convocou teleconferência com analistas para dissipar dúvidas sobre possível intervenção do governo na companhia e um eventual pedido de demissão. 

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“A Petrobrás não é uma ilha dentro do Brasil. Muitas outras empresas passaram por esse problema. Sem deixar de reconhecer que a credibilidade da empresa hoje é menor do que há duas semanas, não posso deixar de registrar que deriva de uma crise de proporções importantes”, disse o executivo. 

A alta das ações da petroleira ajudou o Ibovespa a fechar com valorização de 0,95%. Já o dólar cedeu, fechando o dia cotado a R$ 3,7303, em queda de 0,08%.

Ao mercado, Parente reforçou que as premissas econômicas da atual política de definição do preço do óleo diesel serão mantidas, mesmo que nova metodologia seja definida junto com o governo. Ainda afirmou que a empresa foi “erroneamente identificada como origem do problema”, como responsável pela alta dos valores dos combustíveis e pela greve dos caminhoneiros. A mensagem aos investidores é que nada vai mudar na empresa. 

“A política da Petrobrás entrou numa discussão pública bastante intensa, muito personificada na pessoa do presidente da empresa, no caso eu”, disse Parente. Complementou ainda que continuará a implementar o plano estratégico, com foco na redução da dívida e venda de ativos. 

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“A teleconferência teve boas notícias, com o reforço de que a Petrobrás não tem o poder de influenciar as variações de preços (do petróleo e do câmbio). Ele também reforçou que o governo reconhece e respeita bem isso e que todo o planejamento estratégico da companhia vai ser mantido”, disse Marco Saravalle, analista da XP Investimentos.

Saravalle avaliou como positiva a percepção de que Parente ainda “tem um trabalho longo à frente da Petrobrás”. Mas disse que o mercado ainda não está completamente seguro com o texto da medida provisória que vai oficializar os pontos acordados entre o governo e a Petrobrás.

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Nesta terça-feira, o diretor financeiro da Petrobrás, Ivan Monteiro, se reuniu com representantes dos ministérios da Fazenda, Planejamento e Minas e Energia para negociar uma nova metodologia de cálculo do preço do diesel, que vai constar na MP e decreto de regulamentação das propostas anunciadas pelo presidente da República, Michel Temer. Por enquanto, as únicas certezas são que o Tesouro vai subvencionar R$ 0,30 do valor pago pelo consumidor pelo litro do combustível na bomba e que, ao fim de julho, os preços voltarão a ser reajustados, só que a cada mês e não diariamente. 

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Imposto. Além disso, toda vez que os preços da Petrobrás estiverem acima da cotação internacional, o governo vai utilizar o imposto de importação para conter a concorrência de importadores que poderiam tomar participação de mercado da estatal. E a petroleira ainda conta com a garantia de que vai receber do Tesouro a subvenção de R$ 0,30 por litro no período de um mês. Também é estudada pela estatal e equipe econômica a utilização de uma fórmula de revisão dos preços que poderá dar mais previsibilidade ao mercado de como os valores vão flutuar a cada mês. 

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Durante a teleconferência de Parente com analistas, Luiz Carvalho, do banco UBS, ressaltou que a preocupação dos investidores é se ainda há espaço de interferência do governo na empresa. O executivo garantiu, no entanto, que independentemente da periodicidade, os reajustes de preços continuarão acompanhando as variações externas das cotações.

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