Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Bolsa fecha em alta de quase 2%, no maior patamar desde março de 2012

Vale e bancos impulsionaram movimento, embalado por uma melhor perspectiva para a economia do País; dólar encerrou em baixa, aos R$ 3,16

Renato Carvalho, Paula Dias, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2017 | 18h32

Com a melhora da percepção dos investidores sobre o Brasil e a entrada de recursos estrangeiros no País, o dólar comercial abriu a semana em baixa de 0,41%, aos R$ 3,1663. O movimento também beneficiou a Bovespa, que avançou 1,90% e encerrou os negócios na máxima do dia, aos 65.748,62 pontos. O patamar é o maior desde 27 de março de 2012.  

A Bolsa brasileira operou em terreno positivo durante praticamente toda a sessão, mas os ganhos só foram efetivamente alavancados pouco antes das 14h, com a notícia de que havia sido suspensa a decisão judicial que impedia o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) de concorrer à reeleição para a presidência da Câmara. A partir desse momento, o Ibovespa passou a renovar sucessivas máximas, com altas generalizadas entre as ações. Na máxima, o índice chegou a 65.815,85 pontos (+2,01%).

A leitura é a de que a permanência de Maia, aliado do governo Michel Temer, elimina riscos e favorece o bom andamento das reformas estruturais no Congresso. Além disso, a súbita ausência do relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), com atraso na homologação de delações, acaba por ter uma leitura favorável ao governo, por dar mais tempo e fôlego a Temer na busca pelo avanço dos trabalhos parlamentares.

As melhores perspectivas também para o minério de ferro impulsionaram a procura por ações dos bancos e da Vale. No caso da mineradora, houve inclusive uma melhora na recomendação das ações por um banco, e as siderúrgicas seguiram a mesma tendência. Dentro do setor bancário, além da melhora nas projeções para inflação e juros neste ano, analistas citam o começo do período de divulgação de balanços, que será inaugurado pelo Santander na próxima quinta-feira. Na ponta negativa, Estácio e Kroton reagiram ao noticiário sobre o Fies e terminara o pregão em queda de 2,85% e 4,44%, respectivamente.

A Vale ficou entre as principais valorizações do Ibovespa, com altas de 4,83% (PNA) e 3,77% (ON). Bradespar PN avançou 5,19%. O Citi elevou a recomendação da Vale para compra diante do aumento da projeção para o preço do minério de ferro. Para 2017, a estimativa para o preço do insumo foi elevado de US$ 56 a tonelada para US$ 65 a tonelada.

Segundo relatório enviado ao mercado, os analistas afirmam que a estimativa do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da mineradora brasileira para 2017 subiu para US$ 15 bilhões, ante uma previsão anterior de US$ 11,315 bilhões. O preço alvo da ADR da Vale foi revisto para US$ 14, ante o preço anterior de US$ 8,80. 

O minério de ferro com teor de concentração de 62% de ferro iniciou a semana com alta de 0,9% e foi a US$ 80,8 a tonelada seca no porto de Tianjin, na China, de acordo com dados do The Steel Index. Já o insumo com pureza de 62% de ferro e com 2% de alumínio, cotado no porto de Qingdao, subiu 0,9% indo a US$ 81,1 a tonelada seca.

Entre as siderúrgicas, a maior alta do Ibovespa ficou com Usiminas PNA (+8,30%, na máxima). Também subiram CSN ON (+3,76%), Gerdau PN (+3,85%) e Metalúrgica Gerdau PN (+4,54%). Hoje, o Citi manteve a recomendação de venda para CSN, mas elevou o preço-alvo de R$ 5,40 para R$ 6,50. Os operadores citam ainda que as ações das siderúrgicas têm elevada relação risco/retorno, o que estimula a compra por investidores que buscam ganhos no curto prazo.

No caso da Usiminas, as sócias controladoras Ternium e Nippon Steel marcaram para a primeira quinzena de fevereiro a reunião que poderá colocar fim ao conflito societário entre as companhias que já perdura por quase três anos. Mais cedo, a Coluna do Broad informou que a Justiça irá julgar, no dia 8 de fevereiro, a apelação da CSN, que tenta provar que houve troca de controle na Usiminas no momento em que o grupo ítalo-argentino Ternium/Techint ingressou no capital da siderúrgica mineira, em 2012.

Já a Petrobrás  fechou mais perto da estabilidade, com a PN em leve queda de 0,06%, e a ON em alta de 0,84%. Na Nymex, em Nova York, o petróleo WTI para março fechou em baixa de 0,88%, a US$ 52,75. Na ICE, em Londres, o tipo Brent também para março caiu 0,47%, a US$ 55,23 o barril.

O mercado doméstico também reagiu a um dos primeiros atos de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Nesta segunda-feira, Trump assinou um decreto que retira formalmente o país da Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês) e o distancia da Ásia nas relações comerciais.

O dólar acompanhou o exterior e encerrou os negócios no menor patamar em quase dois meses, refletindo a cautela dos investidores. Também os leilões de swap cambial tradicional contribuíram. O Banco Central vendeu hoje o lote integral de 15 mil contratos para rolagem dos vencimentos de fevereiro. Com este leilão, o BC já vendeu o equivalente a 3,450 bilhões de dólares para rolar o total de 6,431 bilhões de dólares que vencem em fevereiro. /COM REUTERS

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