Renato S.Cerqueira/Futura Press
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Bolsa fecha na máxima e retoma 103 mil pontos

No mercado de câmbio, o dólar subiu para R$ 3,78 com prudência antes de decisões de juros aqui e no exterior

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2019 | 18h15

O compasso de espera retraiu o investidor e reduziu significativamente o volume de negócios na Bolsa paulista nesta segunda-feira, 29. Decisões de política monetária no Brasil e no mundo, indicadores econômicos e resultados corporativos compõem o cenário de expectativas.

Nesse ambiente, o índice Bovespa oscilou em um intervalo estreito, com fôlego um pouco maior na última hora de negociação. Assim, terminou o pregão na máxima do dia, aos 103.482,63 pontos, em alta de 0,65%. Os negócios somaram R$ 12,1 bilhões, contra R$ 16,9 bilhões da média diária registrada em julho.

O dólar chegou a bater em R$ 3,80 hoje pela manhã, mas desacelerou o ritmo de alta na parte da tarde, em linha com o movimento da moeda americana no exterior. A forte queda da libra por conta do temor de uma saída não negociada do Reino Unido da União Europeia acabou contaminando outras moedas e contribuindo para fortalecer o dólar no mercado internacional. O dólar à vista fechou em alta de 0,28%, a R$ 3,7831.

 

Setor de consumo lidera ganhos

O desempenho positivo do Ibovespa foi garantido em boa medida por ações dos setores de consumo, que também lideram os ganhos acumulados em julho.

Por outro lado, Vale e bancos tiveram desempenho pouco empolgante. Para Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Corretora, esta é a semana mais pesada do ano, se consideradas as agendas do Brasil e do mundo. Em sua avaliação, a importância de cada um dos eventos aguardados será definida conforme os resultados ficarem dentro ou fora das estimativas do mercado. 

Segundo Silveira, o bom desempenho de ações ligadas a consumo e imobiliário reflete as apostas do investidor em eventos dedicados ao aquecimento da economia. Entre eles está a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que na quarta-feira decide sobre a taxa Selic. No mercado futuro de juros, a aposta majoritária é de um corte de 0,5 ponto porcentual. 

Expectativa com juros

Para Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora, a decisão de política monetária do Federal Reserve é o evento com maior potencial para influenciar os negócios nesta semana. "As mudanças nos juros americanos têm poder de interferir nos fluxos de recursos em todo o mundo. E um corte mais forte pode impulsionar os mercados de ações de maneira geral", afirma.

Além do BC americano, o mercado operou aqui e lá fora na expectativa pelas reuniões de política monetária no Japão e na Inglaterra.

Os eventos da semana começam a ganhar corpo nesta terça-feira, quando começam as reuniões para definir os juros aqui e do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Dependendo da intensidade dos cortes no Brasil e lá fora o diferencial de juros do país com o resto do mundo, especialmente em relação aos Estados Unidos, pode ser alterado, influenciando a atratividade dos ativos brasileiros para os estrangeiros.

O Société Générale espera corte de 0,25 ponto aqui e pelo Fed. O JPMorgan e o Rabobank projetam corte de 0,50 ponto aqui e 0,25 pelo Fed.

"O dólar se fortalece no começo de que parece ser a semana mais agitada do ano", ressalta o estrategista de moedas do banco de investimento Brown Brothers Harriman (BBH), Win Thin. Mesmo com o corte esperado pelo Fed, o executivo avalia que o diferencial de juros ainda favorece o dólar na economia mundial, por isso a moeda americana tende a se fortalecer no curto prazo. Para o Brasil, ele espera redução de 0,25 ponto, mas ressalta que há várias apostas no mercado de corte maior, de 0,50 ponto.

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