Estadão
Estadão

Receio sobre Previdência e cenário externo fazem dólar encostar em R$ 4

A percepção de que a tramitação da reforma na comissão especial não será fácil e de que a proposta deve ser desidratada pesou sobre o real; moeda americana terminou o dia cotada a R$ 3,9864, o maior valor desde outubro do ano passado

Renée Pereira e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2019 | 11h49
Atualizado 25 de abril de 2019 | 10h59

Apesar da aprovação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, na noite de terça-feira, o dólar não deu trégua e fechou na maior cotação desde 1.º de outubro de 2018. A moeda americana terminou o pregão desta quarta-feira, 24, cotada a R$ 3,9864, com alta de 1,64%.

A valorização é resultado tanto das incertezas em relação ao ambiente doméstico – com risco de desidratação da reforma da Previdência e fraco desempenho da atividade econômica – como do cenário externo.

Nos últimos dias, o dólar tem apresentado forte valorização em relação ao euro e às divisas emergentes. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, atingiu o patamar mais alto em dois anos. Na Argentina, onde o quadro econômico e político também está conturbado, o dólar subiu 3% na quarta-feira, contaminando outros mercados da região, como a Colômbia.

O movimento é resultado de uma série de fatores, como indicadores fracos da Alemanha, mudança de direção do Banco Central do Canadá e renovados temores sobre os rumos do Brexit após a imprensa inglesa informar que as negociações entre conservadores e trabalhistas no Parlamento britânico estão próximas de um “colapso”.

Por aqui, a aprovação da reforma da Previdência na CCJ, que deveria dar algum alívio ao mercado, não conseguiu segurar o nervosismo dos investidores. “A vitória na CCJ, que é a parte mais fácil do processo, já era esperada. Mas, pela amostra que vimos, já ficou claro que o governo precisa aumentar a adesão dos deputados para aprovar a reforma”, afirma o economista da Tendências Consultoria Integrada, Silvio Campos Neto.

Diante da dificuldade de articulação do governo no Congresso, a maioria dos economistas está refazendo seus cálculos em relação à economia com a reforma. “Tudo está convergindo para R$ 600 bilhões em vez de R$ 1 trilhão. O governo terá de mutilar a reforma para conseguir aprová-la”, afirma o economista, Paulo Gala, diretor da Fator Administração de Recursos.

Na quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro, em cadeia nacional, agradeceu o comprometimento do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para aprovação da reforma na CCJ e afirmou que continua “a contar com o espírito patriótico dos parlamentares para aprovação da nova Previdência”.

Índices fracos

Os números ruins da economia brasileira também reforçaram o mau humor do mercado. A arrecadação federal e a geração de empregos no mês de março decepcionaram.

O Ibovespa, principal índice da B3, também acompanhou o pessimismo do investidor e fechou em queda de 0,92%, em 95.045 pontos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.