Bolsa lidera ranking de investimentos pelo 3º mês seguido

Embalada pelas pesquisas eleitorais, Bolsa sobe quase 10% no mês e avança 19% no ano; lanterna fica com o dólar, que registrou recuou mensal de 1,23%

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

29 de agosto de 2014 | 19h54

Pelo terceiro mês consecutivo no topo do ranking de investimentos, a Bovespa disparou em agosto. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) - principal termômetro do mercado acionário brasileiro - avançou 9,78% no mês - mais do que o acumulado entre janeiro e julho. Com o novo resultado, a alta do índice no ano escalou para 18,99%. Na lanterna ficou o dólar, que recuou 1,23% em agosto.

Boa parte da alta foi uma resposta do mercado à divulgação de pesquisas eleitorais que apontavam a ascensão da candidata à presidência Marina Silva (PSB), aumentando as chances de um segundo turno. "A alta foi alavancada por uma mudança na perspectiva eleitoral, em favor de uma alteração do governo", diz Michael Viriato, coordenador do Laboratório de Finanças do Insper. "O que estamos vendo é uma correção de portfólios, pois há uma insatisfação com a política econômica e agora se enxerga de fato a possibilidade de mudança", diz.

Especialistas alertam, no entanto, que é preciso ter cautela num cenário de alta. "Nessa hora todo mundo quer entrar; mas a estratégia é comprar gradativamente ao longo das baixas e vender gradativamente nas altas", diz Fabio Colombo, administrador de investimentos. "Como a Bovespa ainda está depreciada em relação às bolsas mundiais, os preços permanecem baixos para o investidor que quiser entrar - mas só se estiver pensando no longo prazo", diz.

Em segundo lugar no ranking e com avanço muito inferior ficaram os fundos de renda fixa, com alta de 0,75% no mês e de 5,93% no ano. O ganho, no entanto, é limitado. "A alternativa de ficar nos juros é manter o poder aquisitivo da moeda que você tem", diz Colombo. 

Ele cita como exemplo as NTN-Bs, títulos do Tesouro Direto referenciados à inflação. "Mas o imposto de renda e a taxa de administração corroem boa parte dos ganhos, não sobra muito", diz. "O grosso das aplicações desse tipo tem de ficar nos fundos DI, com baixa taxa de administração."

Já o dólar comercial recuou 1,23% no mês. No ano, a queda foi de 4,84%. "O investidor deveria investir em dólar só para neutralizar alguma dívida ou viagem que tenha de fazer. O juro brasileiro é muito alto, então vale mais a pena deixar dinheiro no CDI no longo prazo", diz Viriato.

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