Bolsa nega que governo propôs aumento de margem

Mudanças na tributação para estrangeiros não mudam os planos de expansão da BM&FBovespa, segundo a Bolsa

Vinicíus Pinheiro, da Agência Estado,

21 de outubro de 2010 | 14h53

O diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, negou que o governo tenha proposto à bolsa aumentar a exigência de depósito de margem nas operações com derivativos. De acordo com reportagens publicadas pela imprensa, o governo teria sugerido à BM&FBovespa dobrar a exigência de margens por investidores estrangeiros como alternativa à elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). "O governo jamais fez esse pedido, é um absurdo", afirmou o executivo, em teleconferência com jornalistas.

Edemir ressaltou que a definição das margens de garantia não passa pelo conselho da bolsa e é determinada pelo comitê de risco da instituição, formado por vários diretores e que se reúne semanalmente. "Qualquer elevação só pode ser decidida a partir de justificativas técnicas, olhando o cenário de risco", disse.

Ele lembrou que as margens exigidas nas operações com derivativos não podem inviabilizar a operação nem a câmara de compensação (clearing) da bolsa, que é contraparte nos contratos.

O presidente da bolsa destacou que as medidas do governo são pontuais, com o objetivo de combater o excesso de valorização do real, e que, nesse sentido, foram corretas. "Mas é lógico que essa decisão nos atrapalha", reconheceu. Para Edemir, não é o momento de propor às autoridades alternativas como a possibilidade de depósito das garantias no exterior, uma reivindicação antiga da bolsa e que poderia contribuir para evitar uma maior apreciação da moeda brasileira.

Internacionalização

O executivo ressaltou que as mudanças na tributação para estrangeiros não mudam os planos de expansão da BM&FBovespa. Entre os projetos da bolsa está o de tornar o Brasil um centro financeiro internacional. "Nos últimos 20 anos, passamos por muitas crises, com impacto muito maior do que as medidas recentes, e não foi por isso que deixamos de pensar no futuro", afirmou.

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