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Bolsa perde os 100 mil pontos com fraqueza da indústria

Otimismo com a alta de 0,4% do PIB no segundo trimestre foi abalado com a divulgação nesta terça-feira de queda de 0,3% da produção industrial

Antonio Perez e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2019 | 18h08

Em meio a dados fracos da indústria brasileira e americana e ao impasse nas negociações comerciais entre EUA e China, o Ibovespa não conseguiu emendar o quarto pregão seguido acima da linha dos 100 mil pontos. O principal índice da B3 passou a maior parte do dia em queda e encerrou a sessão desta terça-feira aos 99.680,83 mil pontos, em baixa de 0,94%.

Já o dólar tentou engatar queda mais forte nesta terça-feira, 3, mas o movimento perdeu fôlego na parte da tarde. A moeda americana subiu ante divisas fortes, mas recuou ante emergentes pares do Brasil, com o México, Argentina e Colômbia. No final do dia, fechou aqui em leve queda de 0,09%, a R$ 4,1790.

As bolsas em Wall Street, que não abriram na segunda-feira, operaram em queda firme, refletindo temores de recessão nos Estados Unidos. O índice de atividade industrial lá caiu para 49,1 em agosto, apontando contração da atividade. E o índice dos gerentes de compras industrial (PMI, na sigla em inglês) recuou para o menor nível em 10 anos, refletindo a queda nas exportações.

Ao temor de prolongamento da guerra comercial e recessão americana somam-se as tensões em torno da saída do Reino Unido da União Europeia. O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, defensor ferrenho do Brexit, perdeu a maioria no parlamento, o que pode levar a novas eleições.

"Com a economia brasileira parada, o mercado está muito sensível ao setor externo. Qualquer movimento de aversão ao risco acaba contaminando a bolsa", afirma Pedro Galdi, analista de investimentos da Mirae Asset, ressaltando que a volatilidade tende a continuar exacerbada.

O Ibovespa também sofre com a ausência de fatores internos capazes de dar sustentação aos preços das ações. O leve otimismo com a retomada da atividade econômica desencadeado pela alta de 0,4% do PIB no segundo trimestre foi abalado com a divulgação de queda de 0,3% da produção industrial em julho.

"O PIB não anda, as reformas estão paradas e não há novidade nas privatizações. Isso tudo deixa o mercado com um pé atrás", diz Ariovaldo Ferreira, gerente da mesa de renda variável da H. Commcor.

O tombo do Ibovespa só não foi maior por conta da alta das ações da Petrobrás, a despeito doa queda dos preços do petróleo no mercado internacional. A ação PN da petroleira subiu 1,19%, ao passo que a ON ganhou 0,50%. A estatal informou nesta terça-feira que a produção de petróleo e gás, incluindo líquidos de gás natural, atingiu recorde em agosto, ficando em 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed).

Entre as principais ações, Vale fechou em queda de 1,06%, e papéis do setor financeiro e siderúrgicas amargaram recuo superior a 1%. Também contribuiu para deprimir o Ibovespa o tombo das ações da Eletrobras (ON caiu 3,27%), após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) solicitar ao presidente da empresa Wilson Ferreira Júnior, que dê as bancadas parlamentares sobre à venda da companhia, o que pode atrasar o processo de privatização.

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