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Bolsa recua e dólar sobe para R$ 3,19 com exterior

Expectativa de elevação dos juros nos Estados Unidos no próximo mês levou à realização de lucros na Bovespa

Paula Dias, Ana Luísa Westphalen, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2016 | 17h58

A Bovespa fechou em queda nesta terça-feira, 16, após atingir o maior patamar em quase dois anos, com investidores reagindo à fala do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Nova York, William Dudley. O dirigente não descartou uma elevação de juros nos Estados Unidos em setembro, um dia antes da divulgação da ata da última reunião de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc).

Principal índice de ações do mercado brasileiro, o Ibovespa encerrou os negócios em baixa de 0,49%, aos 58.855,43 pontos, em um recuo contido pelo avanço das ações da Petrobrás e da Vale. Na mínima, o índice à vista recuou aos 58.589 pontos (-0,94%). No início da tarde, tentou uma recuperação amparado na desaceleração das perdas em Nova York, quando bateu máxima aos 59.187 pontos (+0,07%). Mas a alta foi apenas pontual. O giro financeiro somou R$ 7,06 bilhões. No mês de agosto, a Bolsa acumula valorização de 2,70% e, no ano, ganho de 35,77%.

O discurso do dirigente também influenciou as negociações no mercado de câmbio. O dólar à vista fechou em alta de 0,20%, cotado R$ 3,1940, na máxima do dia. Pela manhã, o movimento generalizado de enfraquecimento do dólar frente a outras divisas levou a moeda a cair até os R$ 3,1561 (-0,99%) no Brasil. À tarde, a moeda americana ganhou fôlego ante algumas divisas emergentes, ao mesmo tempo em que aumentou a cautela do investidor com as indefinições dos cenários interno e externo. Com isso, o dólar virou para o terreno positivo na última hora de negócios e fechou cotado a R$ 3,1940 no mercado à vista, na máxima do dia, em alta de 0,20%. 

Entre os analistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, prevalece a percepção de que a tendência de curto prazo para o dólar ainda é de depreciação frente ao real. O movimento, essencialmente restrito a operações com derivativos, mostraria a antecipação de um aumento do ingresso de recursos ao País a partir do desfecho do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e o avanço das medidas de ajuste fiscal. Até lá, o Banco Central deve continuar limitando a volatilidade por meio da oferta maior de contratos de swap cambial reverso. Hoje, pelo quarto dia consecutivo, o BC vendeu um lote 15 mil contratos de reversos, o que representa US$ 750 milhões. Até o último dia 10, a ração diária era de 10 mil contratos (US$ 500 milhões). 

Mercado de ações. As ações da Petrobrás encerraram em alta de 0,96% (ON) e 1,46% (PN), beneficiadas pela escalada dos preços do petróleo no exterior. Os contratos futuros da commodity fecharam em alta hoje pela quarta sessão seguida, sustentados pelo dólar enfraquecido e pela perspectiva de um acordo de congelamento da produção entre grandes exportadores no próximo mês. Já as ações da Vale subiram 2,98% (ON) e 1,13% (PNA), acompanhando o bom desempenho de suas pares globais. 

Mas as perdas do setor financeiro sobrepuseram-se ao avanço de Petrobrás e Vale e acabaram impondo o sinal negativo ao Ibovespa hoje. Itaú Unibanco PN, papel de maior peso na carteira teórica do índice à vista, recuou 0,41%, seguido por Bradesco PN (-1,59%), Banco do Brasil ON (-2,24%) e units do Santander (-1,43%). 

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