Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsa sai do vermelho com noticiário político e fecha em alta de 0,16%

Ibovespa terminou aos 77.486,84 pontos, após investidores reagirem com otimismo ao apoio do PP à pré-candidatura de Geraldo Alckmin; dólar caiu 0,06%, encerrando a R$ 3,8423

Paula Dias, Altamiro Silva Junior e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2018 | 19h00

Após ter caído até 1,90%, o Ibovespa fechou em alta de 0,16%, aos 77.486,84 pontos, em reação à notícia do Broadcast sobre o apoio do PP à pré-candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). A sinalização de que o ex-governador de São Paulo poderá ter o apoio dos partidos do "Centrão", do qual o PP faz parte, embalou os negócios e anulou as perdas que marcavam a sessão de negócios nesta quinta-feira, 19.

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Do mesmo modo, o dólar registrava alta em relação ao real durante quase o dia inteiro, mas virou com o maior otimismo dos investidores com as eleições, encerrando em R$ 3,8423, em queda de 0,06%. Pela manhã e até o meio da tarde, o noticiário externo foi o fator determinante para a alta da moeda americana, em meio a temores de piora da situação comercial na economia mundial.

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Bolsa. Segundo fontes, o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, telefonou nesta quinta-feira, 19, a dirigentes estaduais do partido comunicando que a sigla vai apoiar Alckmin. Segundo dois presidentes estaduais do PP ouvidos pelo Broadcast Político, o anúncio oficial será no próximo dia 26 e deve acontecer com outros partidos do centro: DEM, PR, Solidariedade e PRB.

"Sem dúvida a notícia sobre o apoio a Alckmin foi o que alimentou a reação do mercado no final dos negócios. É um fator que aponta para a possibilidade de um consenso do Centrão em torno do nome dele, mas ao mesmo tempo ainda é cedo para dizer que o ex-governador será o escolhido pelo bloco", disse Ariovaldo Ferreira, gerente de renda variável da H.Commcor.

A virada do Ibovespa foi conduzida principalmente pelas ações do setor financeiro, bloco de maior peso na composição do índice. Em geral, esses são os primeiros papéis a refletir melhora ou piora da percepção de risco dos investidores, ao lado das ações de empresas estatais. Itaú Unibanco PN teve alta de 1,44% e Bradesco PN subiu 1,26%. 

Mas a melhora do Ibovespa não foi suficiente para reverter as fortes quedas das ações de mineração e siderurgia. As ações da Vale e da sua acionista Bradespar foram os grandes destaques de queda, com perdas de 3,93% e 3,91%.

Os papéis foram vítimas das ameaças feitas na quarta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas sobre as importações de automóveis europeus, o que derrubou ações de mineradoras e siderúrgicas pelo mundo. Entre estas últimas, as maiores quedas foram de Gerdau PN (-1,84%) e CSN ON (-1,73%).

Trump voltou a influenciar os mercados ao criticar a política monetária do Federal Reserve, o banco central americano, dizendo que não estava feliz com os aumentos de juros nos Estados Unidos. "Não concordo com as altas de juros. Não estou empolgado porque nossa economia está acelerando, e, toda vez que nossa economia acelera, o Fed quer elevar os juros novamente. Eu não estou feliz com isso", disse Trump.

A declaração de Trump favoreceria um patamar de juros menores no país, o que tende a beneficiar o caixa das companhias, que gastam menos para financiar suas operações e impactam positivamente os mercados de ações.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, afirmou em nota que o presidente dos Estados Unidos não deseja interferir nas decisões de juros do Federal. As declarações tiveram impacto nos ativos internacionais e reduziram pontualmente o ritmo de queda das bolsas de Nova York, com reflexos também nos negócios no Brasil. A virada para o positivo, no entanto, só ocorreu após a notícia sobre Geraldo Alckmin.

Enquanto isso, o fluxo de estrangeiros na bolsa brasileira segue positivo. Na última terça-feira, 17, ingressaram R$ 747,655 milhões na B3 em recursos externos, levando o acumulado de julho para R$ 3,970 bilhões. Com a alta desta quinta, o Ibovespa passa a contabilizar valorização de 6,49% no mês.

"Apesar das indefinições, há um certo otimismo dos investidores estrangeiros com o Brasil, com a percepção de que o vencedor da eleição presidencial, seja ele quem for, estará comprometido com a questão fiscal", disse Shin Lai, estrategista da Upside Investor. Para ele, contribui para essa melhora de visão a constatação de que a maioria dos partidos brasileiros é de centro, o que traz maior segurança aos investidores.

Dólar. As declarações de Trump primeiro fizeram o dólar se fortalecer no mundo, ao criticar a decisão da União Europeia de multar o Google e voltar a prometer sobretaxar os veículos da região importados pelos EUA. A União Europeia prometeu retaliar. Com isso, o mercado financeiro mundial ficou mais tenso e a moeda norte-americana bateu máximas aqui, indo a R$ 3,89 pela manhã. Depois, na parte da tarde, Trump criticou a política do Fed, o que fez o dólar perder força aqui.  

Mas operadores ressaltam que o que ajudou o real a ganhar força foi a sinalização de que o Centrão está pendendo mais a apoiar o ex-governador de São Paulo do que Ciro Gomes (PDT). Os estrategistas da Icatu Vanguarda avaliam que o mercado teria reação binária: muito negativa caso o Centrão feche apoio a Ciro Gomes ou muito positiva com Alckmin. 

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, afirma que o ideal é que haja logo uma definição, principalmente sobre as alianças eleitorais e sobre quem terá o apoio do cobiçado Centrão, para dar mais previsibilidade. "O que a gente precisa são definições, quem vai ser, e encarar isso como uma realidade", afirmou. A avaliação do gerente é de que, até agora, Alckmin não conseguiu emplacar nas pesquisas, mas se a candidatura do tucano ganhar corpo isso poderia trazer certo alívio ao mercado, já que ele seria um candidato comprometido com as reformas.

Fora do mundo político, Galhardo afirmou que o real está "à mercê" do mercado externo, que tem apresentado uma aversão ao risco generalizada em meio ao acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e potências como a China e a União Europeia.

Por aqui, pesam sobre o câmbio a interferência do governo na economia (como no caso do tabelamento do preço do frete) e a indefinição no cenário eleitoral. "Essa desconfiança está levando o dólar a ficar ao sabor da necessidade (dos investidores)", disse.

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