Amanda Perobelli/ Reuters
Amanda Perobelli/ Reuters

Dólar cai 0,7%, a R$ 5,18, no menor valor de fechamento desde 6 de setembro; Bolsa sobe

Alívio nas tensões entre Ucrânia e Rússia, com o governo russo dando sinais de trégua, trouxe alívio aos investidores; Ibovespa encerrou no maior nível desde 15 de setembro

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2022 | 14h24
Atualizado 15 de fevereiro de 2022 | 19h17

A diminuição, mesmo que temporária, das tensões entre Ucrânia e Rússia, aliviou a pressão sobre o dólar fechou em queda de 0,72%, a R$ 5,1807, no menor valor de fechamento desde 6 de setembro do ano passado. As negociações desta terça-feira, 15, também foram favoráveis para o mercado acionário, com a Bolsa brasileira (B3) encerrando em alta de 0,82%, aos 114.828,18 pontos, na máxima do dia e no maior valor desde 15 de setembro.

Sinais de que a Rússia pode abandonar eventual plano de invadir a Ucrânia, após notícias de desmobilização parcial das tropas russas na fronteira entre os países, abriram espaço para a busca pelo risco no mundo a fora, levando a uma rodada de enfraquecimento global da moeda americana. Para a Oxford Economics, as tensões na Ucrânia devem terminar com uma solução diplomática, mas há risco também de uma "incursão limitada" da Rússia no território vizinho.

Hoje, o Ministério de Defesa russo informou a retirada de cerca de 10 mil soldados, de uma força estimada em cerca de 130 mil que ocupa a fronteira do país com a Ucrânia. A percepção de que a possibilidade de uma invasão diminuiu foi reforçada por comentários do presidente russo Vladimir Putin, em coletiva de imprensa após reunião com o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz. Além de acenar pela continuidade de esforços diplomáticos, o mandatário disse temer que as negociações estagnem, mas garantiu que os alemães continuarão recebendo suprimento de gás russo "a preços de longo prazo".

Neste cenário, os contratos fecharam em queda superior a 3%, em torno de US$ 93. Segundo o TD Securities, os preços ficaram vulneráveis por conta da diminuição das tensões geopolíticas, isso porque, em teoria, o agravamento da situação poderia afetar a produção russa, o que sustentaria os preços.

Em compensação, no câmbio, dólar e outros portos seguros perderam terreno. Ao fim da tarde, o euro avançava a US$ 1,1363 e a libra subia a US$ 1,3539, enquanto o índice DXY, que mede o dólar ante seis rivais, caiu 0,40%. O ouro seguiu movimento semelhante, a entrega para abril, o contrato mais líquido, fechou em baixa de 0,71%, a US$ 1.856,20 por onça-troy,

Por aqui, a moeda chegou a operar momentaneamente na casa de 5,16 no fim da manhã, quando registrou a mínima da sessão, a R$ 5,1667, queda de 0,99%. Após terminar janeiro com desvalorização de 4,84%, a divisa já acumula perdas de 2,36% em fevereiro.

Hoje, o alívio nas tensões geopolíticas falou mais alto que o forte avanço da inflação ao produtor nos Estados Unidos em janeiro (PPI subiu 1%, o dobro do esperado por analistas) e a cautela diante da divulgação, amanhã, da ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O PPI americano subiu 1% em janeiro ante dezembro, o dobro da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

Para o economista-chefe da Integral Group Daniel Miraglia, o mercado já absorveu a perspectiva de que o Fed possa elevar a taxa de juros em 50 pontos-base em março e levá-la para cerca de 1,5% ainda neste ano. Ainda segundo ele, a forte apreciação do real está muito ligada ao fluxo de capital de curto prazo, em meio a uma rotação global de portfólio. Ele prevê um aumento da volatilidade da taxa de câmbio a partir de abril ou maio, quando a corrida eleitoral vai "começar a fazer preço" no mercado. "Não acho que esse cenário tranquilo vai continuar. Nosso cenário base é de dólar a R$ 5,90 no fim do ano", diz o economista.

Bolsas

O dia foi de recuperação para os mercados acionários. Na Europa, o índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, subiu 1,43%, enquanto a Bolsa de Londres teve alta de 1,03%, a de Frankfurt, de 1,98% e a de Paris, de 1,86%. Em Nova York, o Dow Jones avançou 1,22%, o S&P 500, 1,58% e o Nasdaq, 2,53%.

Por aqui, o Ibovespa conseguiu costurar seu sexto ganho consecutivo,  sua mais longa sequência positiva desde a passagem de maio para junho passado. Porém, sem a contribuição de Petrobras ON e PN, em baixas de 2,07% e 1,58% cada, e da Vale, em baixa de 2,97%, o índice andou menos do que as referências em Nova York.

Ainda assim, as perdas observadas no setor de commodities tiveram o contrapeso do bom desempenho das ações de bancos, com BB em alta de 4,74% à frente, após o balanço da instituição divulgado na noite de ontem. Na ponta de ganhos da carteira Ibovespa, destaque para Locaweb, com ganho de 15,31%, Banco Pan, de 10,47%, Azul, de 8,45%, e Weg, de 8,02%

“Mesmo na ausência de indícios de que a situação está resolvida, o movimento (de retirada de tropas russas) vem como uma luz no fim do túnel e já é o suficiente para dar sustento à redução do prêmio de risco nos mercados, que já iniciaram a sessão com alta nas Bolsas e dólar mais fraco - além de uma queda acentuada nos preços do petróleo. Naturalmente, a confirmação de que a Rússia irá retirar suas forças por completo será providencial para destravar mais valor”, observa em nota a Guide Investimentos. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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