Bolsa segue exterior e sobe 1,83%; construtoras recuam

As ações de empresas relacionadas a matérias-primas ajudaram a puxar o Ibovespa, com efeito principalmente sobre as ações da Vale

Claudia Violante, da, Agência Estado

29 de março de 2010 | 17h37

A Bolsa de Valores de São Paulo abriu a última semana do mês de março e também do trimestre em alta, voltando a se aproximar dos 70 mil pontos. Acompanhou a melhora no mercado externo, onde as preocupações com situação da dívida da Grécia amenizaram após a ajuda acertada entre União Europeia e FMI, e os indicadores nos EUA vieram favoráveis. As ações de empresas relacionadas a matérias-primas (commodities) ajudaram a puxar o índice Bovespa para cima, com efeito principalmente sobre as ações da Vale, que estão repercutindo a proximidade da definição do reajuste do minério de ferro. No dia da divulgação pelo governo federal da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), as ações de construção civil foram destaque de baixa.

O Ibovespa fechou em alta de 1,83%, aos 69.939,12 pontos. Na mínima do pregão, operou estável, aos 68.681 pontos. Na máxima, atingiu 69.943 pontos (+1,83%). No mês, acumula ganhos de 5,17% e, no ano, de 1,97%. O giro financeiro totalizou R$ 5,479 bilhões. Os dados são preliminares.

Na final da semana passada, a União Europeia costurou, finalmente, um acordo para ajudar a Grécia a solucionar seu problema fiscal, num pacote que terá a mão do FMI. Hoje, os investidores continuaram reagindo a esse anúncio ao espelharem ainda o bom resultado da captação de 5 bilhões de euros anunciada pelo governo de Atenas. Além da captação grega, os indicadores divulgados na Europa também vieram bons, como o índice de sentimento econômico na zona do euro, que subiu para 97,7 em março, de 95,9 em fevereiro, superando a previsão dos economistas de elevação para 97,4. Com a aversão a risco menor, o euro subiu em relação ao dólar e impulsionou a alta dos preços das commodities, com reflexo sobre as empresas de matérias-primas ao redor do globo.

As bolsas europeias subiram e também as norte-americanas. O Dow Jones fechou em alta de 0,42%, aos 10.895,86 pontos, o S&P avançou 0,57%, aos 1.173,22 pontos, e o Nasdaq terminou com elevação de 0,39%, aos 2.404,36 pontos. Vieram bons os números sobre renda e gastos ao consumidor e sobre a atividade industrial em Dallas.

No Brasil, Vale e siderúrgicas foram destaque de elevação. No caso da mineradora, além da alta dos metais, os investidores continuam comprando por causa das boas previsões para o reajuste do minério de ferro. Hoje, o presidente da empresa, Roger Agnelli, disse que o aumento deve ser acertado com as siderúrgicas até abril. Vale ON terminou em alta de 2,24% e Vale PNA, de 1,87%.

No setor siderúrgico, Usiminas PNA (+5,72%) foi a segunda maior alta do Ibovespa, seguida por Usiminas ON (5,69%), por Gerdau PN (+4,70%) e MMX ON (+4,56%). Metalúrgica Gerdau subiu 4,07% e CSN ON, 3,45%. Os especialistas avaliam que as empresas conseguirão repassar o aumento de seus custos por conta da recuperação da economia.

Na outra ponta, as ações das construtoras foram destaque de baixa, no dia do lançamento do PAC 2. Alguns especialistas avaliaram que o pacote ficou em linha com o que era esperado no segmento habitacional e, por isso, os papéis teriam recuado, numa zeragem de posições. Outros, no entanto, esperavam mais do programa. Também foi citado nas mesas que os papéis estariam antecipando um aumento da taxa básica de juros (Selic) a partir de abril. PDG Realty ON liderou as perdas do índice ao cair 4,65%, seguida por Gafisa ON (-2,75%), e MRV (-2,55%). Cyrela ON caiu 1,18%.

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