Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsa segue tensão global e opera em queda de mais de 1%

Mercados reagem negativamente a críticas de Trump ao banco central americano

Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2018 | 12h35

A Bolsa brasileira abriu em queda nesta quarta-feira, 26, refletindo a forte retração no mercado acionário em Nova York, na segunda-feira, dia em que o Ibovespa não funcionou em razão do feriado natalino. Contudo, o declínio pode ser moderado ao longo do dia, já que os futuros nos EUA e o petróleo tentam se firmar em alta nesta manhã.

"O Ibovespa deve se ajustar ao que aconteceu na segunda-feira em NY, em razão das incertezas em relação à paralisação parcial do governo norte-americano, já que o Senado não deve liberar recursos para o governo de Donald Trump construir o muro na fronteira com o México", avalia o economista-chefe da ModalMais, Álvaro Bandeira.

Na sexta-feira, o Ibovespa subiu 0,50%, fechando aos 85.697,15 pontos. Às 10h15, o índice cedia 1,02%, aos 84.822,06 pontos.

Além desse impasse do governo dos EUA com o Senado, o tombo de quase 3% em Wall Street também refletiu notícias de que Trump estaria sondando se há possibilidade de demitir o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell. O governo norte-americano tem feito declarações de desconforto com relação ao aumento de juros pelo Fed. Para Trump, o Fed tem elevado os juros em ritmo "demasiadamente rápido".

Conforme ressalta em nota o economista-chefe da Nova Futura, Pedro Paulo Silveira, a campanha de Donald Trump contra a alta do juro básico tem produzido efeitos contrários aos desejados pelo presidente dos EUA. "Piora ainda mais o cenário, a manutenção da paralisação do governo (shutdown), resultante da estratégia de Trump de pressionar o Congresso a aprovar o orçamento com as despesas de construção do muro na fronteira com o México", cita.

Se o Fed mantiver o processo de normalização da política monetária, Silveira avalia que poderá aumentar os receios com o arrefecimento econômico. Se interrompê-lo, explica, pode produzir um ciclo de desmoralização da autoridade monetária, o que levará, da mesma maneira, a uma queda generalizada dos mercados acionários e, por essa via, à desaceleração da economia dos EUA.

Para Bandeira, da ModalAsset, nesta quarta-feira, o Ibovespa pode até sofrer perdas mais fortes, caso a situação nos EUA piore mais. "Avançar mais não tem como. O mercado está quase parando. Faltam poucos dias para fechar o ano. Não tem como ter um rali. Deve ficar mais da linha da manutenção", diz.

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