Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Bolsa sobe e dólar cai com recuperação do petróleo e melhora no humor sobre ajuste fiscal

Alta da commodity influenciou tanto o Ibovespa quanto a moeda americana, que fechou em queda e terminou o dia cotada a R$ 3,23

Paula Dias, Ana Luísa Westphalen, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2016 | 11h17

Não faltou boa notícia para a Bovespa, que foi reconduzida ao patamar dos 57 mil pontos nesta quarta-feira, 3, de ganhos generalizados. O fato é que o investidor estrangeiro segue na ponta compradora, quase anulando as perdas de 2,0% contabilizadas nas últimas duas sessões. Principal índice de ações da Bolsa, o Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira, 3, em alta de 1,63%, aos 57.076,91 pontos.

Já o dólar perdeu fôlego em relação ao real e fechou em queda de 0,65%, cotado a R$ 3,2384. O período da manhã foi marcado pela volatilidade, mas a notícia de redução de estoques de gasolina nos Estados Unidos foi suficiente para impulsionar os preços petróleo, que avançou mais de 3% em Londres e em Nova York após começar a semana em baixa. 

O sinal positivo do petróleo no exterior também impulsionou os papéis da Petrobrás, puxaram o Ibovespa. As ações ordinárias (ON) da estatal avançaram 4,47% e as preferenciais (PN), 4,75%. Os papéis da Vale também ajudaram, engatando trajetória ascendente com o anúncio de uma captação da ordem de US$ 1 bilhão via emissão de bônus no exterior. As ações da mineradora subiram 4,78% (ON) e 5,73% (PN).

Para completar o cenário ideal, os bancos passaram por uma recuperação das perdas recentes liderados por Itaú Unibanco PN, papel de maior peso na carteira do índice à vista, que avançou mais de 4,0% dando continuidade aos ganhos da véspera, quando divulgou resultados.

Ajuste fiscal. O esforço do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em abrandar as inquietações no mercado, que recentemente passou a se mostrar mais cético em relação ao ajuste fiscal, ajudou o mercado doméstico. O mal-estar se acentuou com a notícia de que o governo Michel Temer teria cedido a pressões para flexibilizar a regra que define o que é despesa de pessoal dentro do projeto de lei de socorro aos Estados. Meirelles afirmou que o governo não cedeu na negociação do projeto das dívidas estaduais. Segundo ele, o fundamental do texto, que diz respeito à reestruturação dos débitos e ao estabelecimento de limites de crescimento das despesas, está mantido no parecer do relator Esperidião Amin (PP-SC).

Profissionais das mesas de câmbio também afirmam que o fluxo positivo foi o pano de fundo nas negociações durante todo o dia, o que garantiu que a moeda americana permanecesse na contramão das demais. Pela manhã, o Banco Central voltou a ofertar contratos de swap cambial reverso, que equivalem à compra de dólares no mercado futuro. Foram vendidos todos os 10 mil contratos, equivalentes a US$ 500 milhões. Nesta quinta-feira, 4, o BC marcou um novo leilão nos mesmos moldes.

Pela manhã, o Ibovespa chegou a testar o patamar dos 56 mil pontos com a desconfiança do mercado sobre o ajuste fiscal. Na avaliação de um operador de renda variável, a trajetória negativa foi consequência mais da desconfiança dos agentes econômicos sobre o governo Michel Temer do que da cautela externa.

"A validade daquele cheque em branco que o mercado deu para o governo Temer se ajustar e apresentar novas propostas está acabando", diz o profissional. "E as melhoras que estamos colhendo agora são resultados de medidas tomadas pelo (ex-ministro da Fazenda Joaquim) Levy lá atrás", diz. "O (ministro da Fazenda, Henrique) Meirelles fala, fala, fala, mas a coisa não anda", afirma.

O governo enfrenta dificuldades em seu primeiro teste para aprovar no Congresso uma medida efetiva de corte de gastos públicos. Os parlamentares retiraram do projeto de lei que autoriza a renegociação das dívidas dos Estados os dispositivos que impunham aos governadores mais disciplina nos gastos, sobretudo os com pessoal, como contrapartida ao socorro financeiro.

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