José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Dólar e Bolsa fecham em queda após estímulos da China

Divisa fechou o dia cotada a R$ 3,88 após China anunciar corte em suas taxas de juros de empréstimos e depósitos de um ano; Bolsa inverteu sinal após deterioração do cenário fiscal brasileiro

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2015 | 11h56

Atualizado às 17:42

SÃO PAULO - O anúncio de novos estímulos à economia chinesa conduziu nesta sexta a queda do dólar ante o real. A moeda americana cedeu em todo o mundo ante as divisas de emergentes ou exportadores de commodities e, no Brasil, chegou a cair mais de 1%, encerrando o dia cotada a R$ 3,88.

Perto das 9 horas, o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) anunciou corte de 0,25 ponto porcentual em suas taxas de juros de empréstimos e depósitos de um ano, para 4,35% e 1,50%, respectivamente. Foi o sexto corte de juros anunciado pelo PBoC desde novembro do ano passado.

Além disso, o BC chinês removeu o limite sobre as taxas de depósitos para bancos comerciais e cooperativas rurais, em um movimento em direção à liberalização dos juros. O PBoC cortou em 0,5 ponto porcentual, para 17,5%, a proporção de reservas compulsórias dos bancos - o montante que as instituições, obrigatoriamente, precisam deixar depositado na autoridade. Com isso, o BC eleva a capacidade dos bancos de fazer operações de crédito, o que é um estímulo adicional à economia. 

Passada a euforia inicial com as medidas da China, parte do mercado passou a ponderar que os novos estímulos sugeriam que a desaceleração econômica do país pode ser pior que o projetado. Isso fez o dólar retomar um pouco de força no exterior e, inclusive, passar a subir ante várias divisas. No Brasil, a moeda americana tocou pontualmente o território positivo, mas rapidamente voltou a cair. 

O recuo visto à tarde, no entanto, não foi tão intenso, mesmo porque os investidores se voltaram para o ambiente interno. No foco, estiveram os receios com o rombo fiscal do País, que pode se aproximar dos R$ 76 bilhões em 2015 conforme alguns cálculos. Mas alguns outros números que são citados indicam um buraco próximo de R$ 100 bilhões.

Bolsa. A Bovespa sustentou ganhos durante a maior parte do dia, alinhada com o ambiente externo, favorecido pelo anúncio de estímulos à economia chinesa. Porém, no meio da tarde, o mal-estar com a piora do cenário fiscal no Brasil fez a Bolsa brasileira passar a cair 0,37%, nos 47.596,59 pontos.

No momento mais favorável do dia, a Bovespa chegou a marcar a máxima de 48.837 pontos (+2,23%), sendo que, em Nova York e na Europa, os principais índices também mostravam ganhos firmes.

Passado o primeiro impacto das medidas da China, os investidores voltaram a atenção para o ambiente interno. No foco, estiveram os receios com o rombo fiscal do País, que pode se aproximar dos R$ 76 bilhões em 2015 conforme alguns cálculos. Mas alguns outros números que são citados indicam um buraco próximo de R$ 100 bilhões. A mínima do Ibovespa foi registrada no período da tarde, quando o índice marcou 47.502 pontos (-0,56%), para depois encerrar em patamar levemente mais alto.

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