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Bolsa sobe e dólar cai em dia de reforma ministerial

Moeda americana recuou para R$ 3,94, enquanto a Bolsa fechou em alta de 3,80%, com destaque para as empresas estatais

FABRÍCIO DE CASTRO, O Estado de S. Paulo

02 de outubro de 2015 | 12h16

Texto atualizado às 17h30

A reforma ministerial anunciada pela presidente Dilma Rousseff abriu espaço nesta sexta-feira, 2, para a queda do dólar e alta da Bovespa. A moeda americana fechou em queda de 1,18%, cotada aos R$ 3,9430. Na semana, a moeda acumulou baixa de 0,66%. Já a Bolsa subiu 3,80%, aos 47.033 pontos, com destaque para as ações das empresas estatais.

A mudança de ministros, acompanhada pelo anúncio de cortes de Pastas, secretarias e salários, foi bem recebida pelos investidores, que também reagiam desde cedo aos números do mercado de trabalho dos Estados Unidos.

No início do dia, o dólar chegou a subir em alguns momentos, tendo atingido a máxima de R$ 4,0420 (+1,30%) às 10h40. O viés positivo era resultado da expectativa em torno do anúncio da reforma ministerial. A notícia de que seriam extintos oito ministérios - e não mais dez, como anunciado anteriormente - trouxe um pouco de pressão de alta para o dólar. 

Na outra ponta, os dados de hoje do relatório de empregos nos EUA fizeram a moeda perder força. Isso porque os números foram piores que o esperado, reduzindo as chances de alta de juros nos EUA no fim de outubro. A economia americana criou 142 mil vagas de emprego em setembro, ante a previsão de 200 mil. A criação de vagas em agosto foi revisada de 173 mil para 136 mil, enquanto a de julho passou de 245 mil para 223 mil. 

Com o anúncio dos detalhes da reforma promovida por Dilma - uma espécie de "pacote político" para recuperar o apoio da base e a confiança dos agentes econômicos -, o dólar acabou virando para o negativo e se firmando em baixa à tarde. Dilma cortou oito ministérios, acabou com 30 secretarias das Pastas remanescentes, fechou 3 mil cargos na máquina pública e reduziu em 10% os salários dos ministros. Dilma também passará a ganhar 10% menos. Entre os ministérios remanescentes, sete foram para as mãos do PMDB. E Aloizio Mercadante foi deslocado da Casa Civil - onde tinha influência na política econômica - para a Educação.

As mudanças, na visão do mercado financeiro, podem ajudar a recuperar a governabilidade. E com o aumento do cerco em torno do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, com os indícios de que ele possui recursos na Suíça, os investidores também enxergaram vantagens políticas para a presidente. Cunha, aliás, não se pronunciou diretamente sobre a acusação de que ele e familiares teriam contas na Suíça.

Bolsa. Com essa leitura, as ações das estatais estiveram entre os papéis que mais subiram hoje, afetados ainda por um forte recuo recente. Petrobrás PN disparou 10,68%, maior alta do Ibovespa, e Petrobrás ON, 9,32%. BB ON avançou 6,77%, Eletrobras ON, 7,69%, e Eletrobras PNB, 6,40%. Vale ON, 3,48%, Vale PNA, 3,88%, Bradesco PN, 3,78%, Itaú Unibanco PN, 4,06%, Santander unit, 4,18%.

Em Nova York, o Dow Jones terminou o dia em alta de 1,23%, aos 16.472,37 pontos, o S&P avançou 1,43%, aos 1.951,36 pontos, e o Nasdaq teve valorização de 1,74%, aos 4.707,78 pontos. Na semana, acumularam, respectivamente, 0,97%, 1,04% e 0,45%.

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