Amauri Nehn|Pagos
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Bolsa sobe 1,96% e dólar fecha em alta, cotado a R$ 3,88

Guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo foi amenizada pela decisão americana de retirar proibição a empresas do país de fazerem negócios com a chinesa ZTE

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2018 | 13h37
Atualizado 12 Julho 2018 | 18h20

A melhora do apetite pelo risco no exterior não conseguiu sustentar o dólar em queda durante a tarde, quando a moeda inverteu o sinal e passou a subir para fechar em R$ 3,8837, valorização de 0,21%. Descolada da tendência das demais divisas de economias emergentes, o real foi a única moeda daquele grupo a perder valor ante o dólar nesta quinta-feira. Já a Bolsa fechou o pregão desta quinta-feira, 12, em alta de 1,96%, aos 75.856,22 pontos, apoiada principalmente no alívio da tensão internacional.

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O pregão foi marcado por forte valorização de ações do setor financeiro e de commodities, com indícios de ingresso de recursos externos, segundo avaliação corrente nas mesas de negociação. Os negócios somaram R$ 9,6 bilhões.

As altas das bolsas da Europa e de Nova York foram determinantes para o bom desempenho da Bolsa brasileira, principalmente no período da tarde, quando o Ibovespa ampliou os ganhos e chegou a subir mais de 2% (máxima de 75.897,89 pontos), na contramão do viés negativo dos mercados de câmbio e juros. As bolsas de Nova York subiram com a melhora na tensão comercial e com a inflação no varejo abaixo do esperado em junho.

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Com a restauração do apetite por risco e a recuperação das bolsas nos Estados Unidos e na Europa, os mercados acionários emergentes reagiram com alta generalizada. Por volta das 17h, o índice de mercados emergentes do MSCI, que mensura a variação de índices de ações de 25 países, tinha avanço de 1,36%.

No Brasil, as ações do setor financeiro repetiram os ganhos da véspera e subiram em bloco, com altas de até 5%. A expectativa pelo início da safra de balanços corporativos foi um dos fatores apontados para justificar o comportamento desses papéis. As units do Santander terminaram o dia com alta de 5,64%, seguidas por B3 ON (+3,04%), Bradesco PN (+2,93%) e Banco do Brasil ON (+1,91%).

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Dólar.  O dólar voltou a subir e encostar na casa dos R$ 3,90 pela tarde, após operar desde a abertura em queda, acompanhando o movimento da moeda norte-americana ante as divisas de emergentes. O real foi a única moeda entre os principais mercados emergentes a perder valor ante o dólar nesta quinta-feira. Operadores de câmbio ressaltam que houve saída de recursos para o exterior na tarde de hoje, principalmente do mercado de renda fixa, o que pressionou a divisa.

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Mesmo na falta de uma notícia nova capaz de catalisar a virada do dólar, os profissionais dizem que o ambiente doméstico segue incerto, por causa das eleições, e de renovadas preocupações com a situação fiscal do Brasil com Congresso aprovando medidas que podem ter impacto relevante nas contas públicas, pois aumentam despesas e/ou abrem mão de receitas para o governo.

O Banco Central fez apenas o leilão tradicional de rolagem de swaps que vencem em agosto, mas não houve novamente a intervenção extraordinária. Já são 14 dias úteis sem novas ofertas de swap (venda de dólar no mercado futuro) e 11 dias sem leilões de linha (venda de dólar à vista com compromisso de recompra). Na mínima do dia, a moeda dos EUA chegou a cair para R$ 3,83 e foi só no meio da tarde que virou e passou a subir, chegando a bater na máxima de R$ 3,9022.

Ao contrário do dólar, o risco Brasil medido pelo Credit Default Swap (CDS) de 5 anos, derivativo de crédito que protege contra calotes na dívida soberana, operava em baixa hoje, a 246,52 pontos-base, ante 252,9 do fechamento da última quarta-feira, 11.

Na avaliação do operador da corretora Multimoney, Durval Corrêa, não há notícias positivas agora que atraiam estrangeiros no Brasil neste momento mais conturbado também no exterior, marcado pelo medo da piora da tensão comercial entre Estados Unidos e seus principais parceiros, sobretudo a China. No mercado doméstico, há uma sucessão de notícias negativas, seja no campo fiscal, tributário ou na atividade, ressalta ele. Nesta quinta. o ministro da Fazendo, Eduardo Guardia, disse ao Broadcast que o governo vai revisar para baixo a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2018 de 2,5% para 1,6%. A estimativa fará parte do relatório bimestral de receitas e despesas, previsto para ser publicado dia 22.

Para o operador de câmbio da corretora Spinelli, José Carlos Amado, os investidores estão preocupados com o ambiente político, por contas das eleições muito indefinidas, enquanto o Congresso aprovou medidas que vão contra o ajuste fiscal. Ele avalia que o BC só vai voltar a intervir no mercado de câmbio quando os movimentos ficarem mais bruscos. "Parece que o mercado está mais sustentado, trabalhando mais no racional", disse ele.

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