Márcio Fernandes/ Estadão
Márcio Fernandes/ Estadão

Bolsa sobe impulsionada por bancos e dólar cai para R$ 3,23

Debate nos EUA e melhores perspectivas para a economia brasileira após a divulgação do Relatório de Inflação do Banco Central movimentaram os negócios

Lucas Hirata. Paula Dias, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2016 | 18h33

A Bovespa subiu 0,57%, aos 58.382,48 pontos, e o dólar à vista fechou em queda de 0,31%, negociado aos R$ 3,2330, com o mercado embalado pelas melhores perspectivas para a economia brasileira. 

Nesta terça-feira, 27, o Banco Central informou que espera a inflação abaixo do centro da meta, de 4,5%, em 2017 e 2018. Em seu Relatório Trimestral de Inflação (RTI), a autoridade monetária sinalizou também um possível corte nos juros em outubro.

No cenário internacional, os investidores reagiram à percepção de um melhor desempenho de Hillary Clinton no debate entre os presidenciáveis nos Estados Unidos, o que fez com que moedas de países emergentes, incluindo o real, se valorizassem em relação ao dólar.

Entretanto, o alívio oriundo da disputa eleitoral norte-americana não evitou alguns momentos de estresse no câmbio doméstico, tendo em vista fluxos pontuais de saída de recursos do País.

O recuo do dólar também foi limitado pela queda superior a 3% dos contratos futuros de petróleo. A principal fonte de incerteza nas commodities diz respeito a um possível acordo entre os integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para limitar a produção. O grupo faz uma reunião informal nesta quarta-feira, diante de dúvidas sobre o encaminhando de um pacto.

Por aqui, a divisa norte-americana chegou a subir em alguns momentos durante a manhã. Na máxima, no mercado à vista, a moeda chegou aos R$ 3,2475 (+0,14%). De acordo com dados registrados na clearing da BM&F Bovespa, o volume de negócios somou US$ 2,079 bilhões.

Mercado de ações. A Bovespa teve dois momentos distintos nesta terça-feira, influenciada essencialmente por fatores do cenário externo. Pela manhã, chegou a cair mais de 1%, sob o peso de uma forte desvalorização dos preços do petróleo. À tarde, inverteu o sinal e passou a subir, comandada por ações de bancos, que mostraram recuperação frente a perdas recentes. O cenário interno teve como principal destaque o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que reforçou apostas em corte da taxa Selic em 2016, mas a repercussão foi parcialmente ofuscada no mercado de ações. 

Os investidores nesse segmento viram no fechamento estável dos papéis do Deutsche Bank a abertura de um espaço para recomposição de perdas registradas desde que começou a crescer o temor envolvendo a crise com o banco alemão. Bradesco PN (+2,08%) e Santander Brasil Unit (+1,72%) estiveram na lista de maiores altas do Ibovespa. Além disso, a Bolsa brasileira também recebeu contribuição positiva das ações do varejo e de empresas com alto grau de financiamento interno, ambos os casos beneficiados pela expectativa de queda da Selic no Brasil. Os destaques nessas categorias foram Lojas Renner ON (+1,73%) e Ecorodovias (+2,76%). 

A alta do Ibovespa foi limitada pela queda das ações da Petrobras, que se mantiveram em terreno negativo por todo o dia, puxadas pelas perdas do petróleo. Os preços da commodity chegaram a cair mais de 3% nas bolsas de Nova York e Londres, influenciados pelas especulações pessimistas em relação à possibilidade de acordo na reunião de amanhã de grandes produtores de petróleo. Ao final do pregão, Petrobrás ON e PN recuaram 0,34% e 2,09%, respectivamente.

Com o resultado de hoje, o Ibovespa passa a contabilizar alta de 0,83% em setembro e de 34,68% no acumulado de 2016.

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