Dario Oliveira/Código-18
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Bolsa volta a bater alta histórica e dólar fecha a semana em queda

Nesta sexta, Ibovespa alcançou 81.219,50 pontos, o maior patamar de sua história; dólar terminou a semana negociado a R$ 3,20

O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2018 | 19h12

Com alta de 0,32%, o último pregão da semana registrou quase todo o dia uma forte cautela por parte dos investidores.No entanto, na última hora, das 17h às 18h, o mercado ganhou força e, assim, a sexta-feira, 19, entra para a história com mais um recorde da Bolsa. O Ibovespa, índice com as principais ações negociadas na B3, fechou aos 81.219,50. Os ganhos na semana somam 2,36%, um giro financeiro acumulado de R$ 8,4 bilhões.

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Já o dólar teve uma semana de desvalorização frente ao real. Nesta sexta-feira, a moeda norte-americana fechou o dia cotada a R$ 3,201, queda de 0,26% no dia e 0,18% durante a semana.

Dinheiro de fora. O fluxo de capital estrangeiro segue ingressando na Bolsa e foi isso que fez a diferença na última etapa da sessão desta sexta-feira. As principais ações ligadas ao segmento financeiro, que têm peso de pouco mais de 25% no Ibovespa, se valorizaram, com ItauUnibanco PN avançando 0,81% e Bradesco, 0,71%. Também Petrobras PN ganhou 0,22%.

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Segundo Aldo Muniz Filho, analista da Um Investimentos, a cautela que se viu preponderantemente durante o pregão estava relacionada à espera dos investidores sobre o que poderia acontecer no exterior, onde os mercados acionários estão bem valorizados.

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Em Wall Street, o Dow Jones ensaiou uma queda que não se sustentou até o fim da tarde. S&P 500 e Nasdaq, pelo contrário, mantiveram o sinal positivo durante todo o dia pregão. "Como não há um gatilho nem para cima nem para baixo, ficamos aí na expectativa de realização a qualquer momento", disse Muniz Filho.

Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura CTVM, aponta que, principalmente o Dow Jones, índice correlato do Ibovespa, oscilou em razão das incertezas sobre a aprovação pelo Senado dos Estados Unidos do projeto que estende provisoriamente o teto da dívida americana. "Sem notícias por aqui, no Brasil, lá fora oscilou e fomos junto em dia de volume menor", disse.

Segundo o profissional da Um Investimentos, também conta para a cautela do mercado nesta sexta a proximidade do dia 24 - quando o Tribunal Regional Federal (TRF-4) julga o recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a sua condenação em primeira instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex do Guarujá.

Câmbio. O dólar, por sua vez, fechou em baixa nesta sexta-feira, motivado pelo maior ingresso de recursos no País, segundo profissionais do mercado. 

O dólar à vista fechou em queda de 0,26%, a R$ 3,2010. O volume comercializado da moeda foi de US$ 1,919 bilhão. Na mínima do dia, chegou a R$ 3,1994 (-0,31%) e, na máxima, a R$ 3,2143 (+0,16%). Na semana, acumulou perda de 0,18%. No mercado futuro, a moeda americana para fevereiro terminou em baixa de 0,33%, a R$ 3,2020.

O movimento de queda ocorreu apesar da queda do petróleo no mercado internacional e da cautela dos mercados em relação a uma possível paralisação do governo americano a partir deste sábado se o Senado local não aprovar a ampliação do teto de endividamento e a extensão do financiamento ao governo federal. 

"Se não fosse o fluxo forte de recursos para o País, o dólar estaria em alta ante o real", avaliou Bruno Foresti, gerente de câmbio do Ourinvest. O fluxo para o Brasil tem se intensificado neste início de ano, com a maior entrada de capital estrangeiro na bolsa e captações externas, diante do aumento do apetite global ao risco.

Durval Correa, diretor de câmbio da MultiMoney, ressaltou que o apetite do investidor ficou evidente com a emissão de dívida realizada na quinta pelo governo brasileiro, resultando numa captação de US$ 1,5 bilhão. 

Além de a emissão de dívidas com vencimento em 30 anos ter sido mais barata do que na data original de lançamento do papel, a demanda ficou em torno de quatro vezes maior do que o volume emitido, segundo informações do Tesouro Nacional. Inicialmente, a expectativa era emitir cerca de US$ 1 bilhão em bônus. "Isso mostra que o cenário se mantém favorável a países emergentes", afirmou. / COM SIMONE CAVALCANTI

 

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