Kimimasa Mayama/EFE
Kimimasa Mayama/EFE

Com temor de desaceleração, Bolsa da China cai 8,5% e zera ganhos do ano

Após sucessivas quedas, bolsa de Xangai, que chegou a acumular ganho de 60% no ano, agora registra a mesma pontuação de janeiro; demais bolsas da Ásia também tiveram fortes perdas

Sérgio Caldas, O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2015 | 05h17

As bolsas asiáticas fecharam em forte baixa nesta segunda-feira em meio a preocupações com a desaceleração da China, que ameaça comprometer o desempenho da economia mundial, e diante da falta de novas medidas de estímulo de Pequim no fim de semana.

O Xangai Composto, principal índice acionário chinês, fechou com queda de 8,5%, a 3.209,91 pontos, apagando os ganhos do ano e após chegar a acumular valorização de 60% até atingir o pico de meados de junho. Com isso, as perdas do Xangai desde o ápice de junho chegam a quase 38%. O Shenzhen Composto, de menor abrangência, registrou perda de 7,7%, encerrando o pregão a 1.882,46 pontos.

A ausência de novas iniciativas do governo chinês ao longo do fim de semana, para conter a recente onda de liquidação nos mercados locais e estimular a segunda economia do mundo, manteve os investidores avessos a risco na Ásia. Fontes do Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês), no entanto, disseram ao Wall Street Journal que a instituição planeja anunciar novas medidas de injeção de liquidez no sistema financeiro, com o objetivo de ampliar a concessão de empréstimos bancários. Analistas preveem que o PBoC deverá cortar os depósitos compulsórios exigidos dos bancos no curto prazo.

Os últimos indicadores comprovam que a China de fato atravessa um período de desaceleração. Na indústria, por exemplo, a atividade se contraiu em agosto no ritmo mais intenso em seis anos e meio, segundo leitura preliminar divulgada na semana passada pela Markit e pela Caixin Media.

A inesperada desvalorização do yuan, anunciada pelo PBoC há duas semanas, é outro fator preocupante e gerou especulação de que a economia chinesa encontra-se em pior estado do que se imaginava. O sentimento nos mercados também é afetado pela possibilidade de as dificuldades da China comprometerem a perspectiva da política monetária nos EUA. Existe a avaliação de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) poderá adiar mais para o final do ano - ou talvez para 2016 - o planejado primeiro aumento dos juros básicos em quase uma década. Anteriormente, muitos apostavam que o início do aperto monetário viria na reunião de setembro.

Queda das bolsas. Em outras partes da Ásia, as perdas foram igualmente pesadas. Em Seul, o índice sul-coreano Kospi caiu 2,47%, a 1.829,81 pontos, enquanto no mercado taiwanês, o Taiex sofreu um tombo de 4,8%, fechando a 7.410,34 pontos, depois de chegar a perder 7,5% ao longo da sessão, a maior queda intraday já registrada pelo índice. Em Hong Kong, com o pregão ainda em andamento, o Hang Seng recuava mais de 4,6%.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou o dia no menor nível em dois anos, influenciada pelo fraco desempenho dos mercados asiáticos e também pela queda nos preços de commodities, como o petróleo e metais. O S&P/ASX 200, índice que reúne as empresas mais negociadas em Sydney, teve baixa de 4,1%, a 5.001,30 pontos. Esse é o menor patamar do índice desde julho de 2013 e amplia suas perdas acumuladas no ano a 7,6%. Já em relação ao pico intraday atingido no começo de março, o mercado australiano se desvalorizou 17%.

Japão. A Bolsa de Tóquio sofreu o maior tombo em mais de dois anos nesta segunda-feira. O Nikkei, índice que reúne as empresas mais negociadas na capital do Japão, fechou com queda de 4,61%, a 18.540,68 pontos, registrando a maior perda porcentual em um único dia desde junho de 2013 e após o declínio de 5,3% verificado na semana passada. Em relação ao pico atingido em junho, o índice japonês acumula baixa de 11%, o que significa que entrou em território de correção.

O avanço do iene frente ao dólar também pressionou o mercado em Tóquio, em especial as ações de exportadoras. A demanda dos investidores pela moeda japonesa costuma ganhar força em momentos de incerteza. Os destaques negativos desta segunda na bolsa japonesa foram justamente no setor exportador: a Honda Motor caiu 6.5%, enquanto a TDK Corp. perdeu 5,6%.

Tudo o que sabemos sobre:
ÁsiabolsaChinaJapão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.