Bolsas asiáticas fecham em queda após decisão do Fed

As bolsas asiáticas encerraram o pregão desta quinta-feira em terreno negativo, em meio à preocupação de que os Estados Unidos elevem a taxa de juros antes do previsto. Além disso, persistem as preocupações com uma desaceleração da economia da China, especialmente depois de o yuan apresentar mais uma queda em relação ao dólar.

MARCELO RIBEIRO SILVA COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES NEWSWIRES, Agencia Estado

20 de março de 2014 | 08h40

Ontem, durante a primeira decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) sob o comando da nova presidente, Janet Yellen, ela deu sinais de que o banco central norte-americano poderia elevar a taxa de juros antes do previsto. Yellen indicou que o Fed poderia elevar a taxa de juros seis meses após encerrar o programa de compra mensal de bônus, o que, caso o ritmo atual de redução seja mantido, acontecerá em abril do próximo ano. A previsão anterior indicava que a elevação começaria no final de 2015.

Na China, as bolsas fecharam em queda em função das preocupações com a desaceleração econômica do país, que aumentaram depois que o yuan atingiu o menor nível em mais de um ano frente ao dólar. O índice Xangai Composto recuou 1,40%, a 1.993,48 pontos, enquanto o Shenzhen Composto perdeu 2,65%, a 1.065,43 pontos.

Na tarde de quinta-feira, o dólar subiu para 6,2334 yuans e atingiu o maior nível desde fevereiro de 2013. A moeda chinesa se enfraqueceu pelo quarto dia consecutivo, ainda refletindo a decisão do Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês), no fim de semana, de ampliar a banda de flutuação do yuan ante o dólar para 2%, de 1%.

Entre os destaques, os papéis de bancos, siderúrgicas e mineradoras de carvão se destacaram negativamente. O Bank of China caiu 0,4%, enquanto o China Citic Bank perdeu 3,0%. No mesmo sentido, o Baoshan Iron & Steel recuou 0,8%, o China Shenhua Energy cedeu 1,6% e o Yanzhou Coal deslizou 2,4%.

No mesmo sentido, a Bolsa de Hong Kong fechou em queda de 1,79%, com o índice Hang Seng a 21.182,16 pontos. O índice se desvalorizou diante de resultados pouco favoráveis de grandes empresas chinesas. As ações da China Mobile caíram 3,6%, depois de anunciar que o lucro líquido da companhia recuou 5,9% em 2013, para 121,70 bilhões de yuans (US$ 19,6 bilhões), marcando o primeiro declínio nos ganhos desde 1999.

Os papéis da Tencent Holdings também contribuíram para o recuo da Bolsa de Hong Kong. As ações se desvalorizaram 1,7%, em reação ao avanço mais lento em quase dois anos no lucro líquido da empresa, que foi de 13% no quarto trimestre de 2013.

Entre os demais índices da região, o sul-coreano, Kospi, caiu 0,94%, a 1.919,52 pontos, enquanto o Taiex, de Taiwan, perdeu 1,06%, a 8.597,33 pontos.

As reuniões de política monetária do Fed resultaram em um alto grau de volatilidade na Ásia durante o ano passado - especialmente em países como a Indonésia e as Filipinas - já que os mercados tentavam antecipar quando o banco central dos EUA começaria a cortar seu programa de compra de ativos. Desta vez não foi diferente. O índice JCI, da Bolsa da Indonésia, teve a maior queda entre os principais da Ásia e recuou 2,54%, a 4.698,97 pontos, enquanto o PSEi, das Filipinas, caiu 0,70%, a 6.417,35 pontos.

Na região do Pacífico, o pessimismo prevaleceu na Bolsa da Austrália também refletindo as preocupações com os sinais dados pelo Fed de uma elevação da taxa de juros antes do previsto. O índice S&P/ASX 200, da Bolsa de Sydney, perdeu 1,15%, a 5.294,00 pontos.

Tudo o que sabemos sobre:
ásiabolsas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.