Bolsas asiáticas têm forte queda; Xangai perde 2,9%

Mercados foram influenciados principalmente pelos números preocupantes da economia chinesa, que indicam redução do crescimento econômico do país

Hélio Barboza, Ricardo Criez e Roberto Carlos dos Santos, da Agência Estado,

23 de maio de 2011 | 07h29

Os mercados da Ásia fecharam em baixa acentuada nesta segunda-feira, influenciados principalmente pelos números preocupantes da economia chinesa.

Na Bolsa de Hong Kong, a espetacular estreia da varejista Milan Station não foi suficiente para alavancar os negócios. Os investidores mostraram temores com dados da atividade manufatureira na China, que indicam redução do crescimento econômico. O índice Hang Seng caiu 488,37 pontos, ou 2,11%, e terminou aos 22.711,02 pontos - todas as 45 blue chips fecharam em queda. Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) cedeu 2,7%. Shenhua Energy perdeu 4%. Foxconn International caiu 2,9%. Já as ações da Milan Station dispararam 66%.

Na China, as bolsas também caíram em virtude das preocupações com as pressões inflacionárias. O índice Xangai Composto caiu 2,9% e terminou aos 2.774,57 pontos. O índice Shenzhen Composto perdeu 3,6% e encerrou aos 1.149,39 pontos. Os bancos pesos pesados foram os que mais sofreram. China Minsheng Banking recuou 2,6% e China Everbright Bank teve baixa de 3,2%. Entre as montadoras, SAIC Motor apresentou retração de 3,3% e FAW Car perdeu 5,8%.

O yuan se desvalorizou em relação ao dólar, após o Banco Central chinês elevar a taxa de paridade central dólar-yuan (de 6,4983 yuans para 6,4998 yuans), depois de a moeda norte-americana apresentar ganhos nos mercados internacionais. No mercado de balcão, o dólar fechou cotado em 6,5050 yuans, de 6,4923 yuans do fechamento de sexta-feira.

Em Tóquio, o índice Nikkei 225 perdeu 146,45 pontos, ou 1,5%, e fechou aos 9.460,63, o menor nível desde 19 de abril.

A Bolsa caiu fortemente desde a abertura e logo rompeu a barreira psicológica dos 9.500 pontos. Um relatório da corretora Nomura projetando uma pausa na demanda de maquinários de construção na China deflagrou pesada liquidação de papéis do setor.

"Investidores estrangeiros, como fundos de hedge, estão desmontando suas posições no setor de maquinário pesado, em ações como Caterpillar e Komatsu, à luz de uma iminente desaceleração nas economias emergentes", disse Norihiro Fujito, estrategista da Mitsubishi UFJ Morgan Stanley Securities. Esses investidores agora estão mudando para ações defensivas, como farmacêuticas, acrescentou Fujito.

Em Taiwan, a Bolsa de Taipé fechou em baixa devido à realização de lucros após a explosão da fábrica da Foxconn em Chengdu, na noite de sexta-feira, disse o analista da Mega Securities Stanley Chou. Na unidade é fabricado o IPad 2, da Apple. O Índice Taiwan Weighted caiu 1,01% e terminou aos 8.747,51 pontos. O incidente derrubou os papéis da Hon Hai, que detém 71% da Foxconn, em 2,9%. Outras ações de empresas relacionadas com a Apple também caíram: TSMC recuou 0,5% e TPK retrocedeu 1%.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi da Bolsa de Seul teve queda de 2,6% e fechou aos 2.055,71 pontos, com realização de lucros por parte dos investidores estrangeiros e baixa nas ações das montadoras, por causa de uma disputa trabalhista na indústria de autopeças Yoosung. Hyundai Motor caiu 5,4% e Kia Motors perdeu 4,7%.

A Bolsa de Sydney, na Austrália, sofreu sua maior queda em dois meses e meio, com o índice S&P/ASX 200 em baixa de 1,9%, terminando aos 4.643,0 pontos. BHP Billiton declinou 1,7% e Rio Tinto cedeu 1,5%.

Nas Filipinas, a Bolsa de Manila estendeu seu recuo para seis das últimas oito sessões, influenciada pelo declínio do mercado norte-americano na sexta-feira. O índice PSE recuou 0,51% e fechou aos 4.263,19 pontos.

A Bolsa de Cingapura teve baixa por causa de renovadas preocupações sobre a crise da dívida grega e temores de que um possível recuo na economia chinesa afete o sentimento do mercado. Perdas nos mercados europeus também pesaram na bolsa local à tarde. O índice Straits Times cedeu 1,8% e fechou aos 3.110,48 pontos.

O índice composto da Bolsa de Jacarta, na Indonésia, perdeu 2,4% e fechou aos 3.778,45 pontos, liderado por vendas de blue chips em meio a preocupações sobre a situação das dívidas europeias.

O índice SET da Bolsa de Bangcoc, na Tailândia, caiu 1,8% e fechou aos 1.053,97 pontos, em linha com os demais mercados regionais. Principais perdas concentraram-se em pesos pesados dos setores de energia e bancário.

O índice composto de cem blue chips da Bolsa de Kuala Lumpur, na Malásia, recuou 0,8% e fechou aos 1.528,98  pontos, com realizações de lucros em meio a amplas preocupações sobre a crescente crise da dívida europeia. As informações são da Dow Jones.

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