Bolsas caem com sinais fracos na economia dos Estados Unidos

Principais índices do mercado de ações fecharam em baixa após o relatório periódico do Fed sobre a economia,  ter apresentado sinais de fraqueza no crescimento do país

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

19 de outubro de 2011 | 19h01

Os principais índices do mercado de ações dos EUA fecharam em baixa após o relatório periódico do Federal Reserve sobre a economia - o chamado Livro Bege - ter apresentado sinais de fraqueza no crescimento do país.

Segundo o documento, a economia dos EUA melhorou levemente entre setembro e o início de outubro, mas o ritmo de expansão foi classificado como "modesto" ou "leve" e os entrevistados afirmaram que a perspectiva para as empresas segue incerta ou fraca.

"As palavras ''incerto'' ou ''incerteza'' aparecem 26 vezes no relatório e essa ainda é a palavra do dia", disse John Canally, economista e estrategista de investimentos do LPL Financial. Segundo ele, os dados do Livro Bege sugerem que o programa do Federal Reserve para alongar a duração média dos títulos que possui em carteira trouxe benefícios limitados à economia. "O Fed não teve nenhuma resposta do mundo real", disse Canally.

O Dow Jones caiu 72,43 pontos, ou 0,63%, para 11.504,62 pontos, enquanto o S&P 500 teve declínio de 15,50 pontos, ou 1,26%, para 1.209,88 pontos. O Nasdaq perdeu 53,39 pontos, ou 2,01%, para 2.604,04 pontos, pressionado particularmente pela queda de 5,50% nas ações da Apple. A companhia anunciou ontem, após o fechamento das bolsas, resultados que ficaram aquém das expectativas do mercado.

Ainda no setor de tecnologia, a Hewlett-Packard perdeu 2,46% e a Cisco Systems recuou 2,00%, mas a Intel subiu 3,59% depois de ter divulgado ontem, após o fechamento das bolsas norte-americanas, um balanço que superou as estimativas de analistas e uma previsão otimista sobre a receita no quarto trimestre.

Entre outros destaques da sessão, a Travelers divulgou que seu lucro líquido encolheu 67% no terceiro trimestre em relação a um ano antes, mas a receita cresceu 3% e ficou acima das expectativas do mercado, o que garantiu uma alta de 5,69% nas ações da companhia.

O Morgan Stanley subiu apenas 0,06% mesmo depois de anunciar que seu lucro no terceiro trimestre cresceu cerca de sete vezes em relação ao resultado obtido um ano antes. O Yahoo, que ontem divulgou um declínio de 26% no lucro do terceiro trimestre, avançou 3,04%, visto que os números vieram acima das expectativas do mercado.

Alguns investidores acham que a fraqueza na economia dos EUA aparentemente não afetou os lucros corporativos, que em geral ficaram acima do esperado até o momento. "Se realmente tivermos uma recessão, nossas empresas estão muito melhor posicionadas para suportá-la do que em 2008", disse Scott Schermerhorn, diretor da Granite Investment Advisors. "Este mercado está barato sob qualquer ponto de vista, exceto se os lucros despencarem, mas isso não está acontecendo."

Entre os indicadores divulgados hoje, o índice de preços ao consumidor dos EUA subiu 0,3% em setembro ante agosto, acompanhado por um aumento de 0,1% em seu núcleo - que exclui do cálculo o custo com energia e alimentação. Além disso, a construção de moradias no país cresceu 15% em setembro e atingiu o maior nível em 17 meses, mas o volume de permissões para construções caiu 5% na comparação com o mês anterior.

No mercado de Treasuries, os preços caíram, em sua maioria, com respectivo movimento inverso dos juros, pressionados pela realização de lucro. A exceção foi a T-note de 10 anos, que registrou alta nos preços em meio a notícias sobre a falta de consenso das autoridades da zona do euro sobre como ampliar o poder de fogo da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, em inglês).

Segundo uma reportagem do Wall Street Journal, advogados dos governos europeus e outras instituições da região avisaram que utilizar a EFSF como garantidora de bônus da zona do euro - proposta que vinha circulando recentemente entre as autoridades da região - violaria normas da União Europeia. "Isso é um atraso", disse Thomas Roth, diretor executivo de negociações com bônus dos EUA no Mitsubishi UFJ Securities (USA). "Não sei se outras opções poderão alavancar suficientemente a EFSF", acrescentou.

No final da tarde em Nova York, o juro projetado pelos T-bonds de 30 anos estava em 3,174%, de 3,168% na terça-feira; o juro das T-notes de 10 anos estava em 2,163%, de 2,170%; o juro das T-notes de 2 anos estava em 0,278%, de 0,273%. As informações são da Dow Jones.

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