Mark Schiefelbein/AP
Mark Schiefelbein/AP

Bolsas da China sobem após intervenção de Pequim

Governo chinês lançou regras para limitar operações no mercado de ações em busca de amenizar as fortes altas e quedas das bolsas

Sérgio Caldas, O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2015 | 11h10

As bolsas chinesas interromperam as perdas recentes e voltaram a fechar em alta nesta terça-feira, 4, após Pequim anunciar nova medida em mais uma tentativa de conter a forte onda de volatilidade que tomou conta dos mercados locais nos últimos meses. Em outras partes da Ásia, as bolsas encerraram os negócios sem direção única.

O Xangai Composto, principal índice acionário chinês, teve forte ganho de 3,7%, a 3.756,54 pontos, enquanto o Shenzhen Composto, de menor abrangência, subiu 4,8%, a 2.150,95 pontos, e o ChiNext, composto por empresas de pequeno valor de mercado, saltou 6,1%, a 2.546,16 pontos. Desde meados de junho, porém, o Xangai ainda acumula perdas de 27%.

A recuperação na China veio após Pequim anunciar mudanças nas regras para as chamadas vendas a descoberto (quando o investidor ainda não possui o papel que negocia). Pela nova orientação, os vendedores a descoberto devem esperar pelo menos um dia para cobrir suas posições e pagarem de volta empréstimos utilizados para a compra de ações. Anteriormente, os investidores podiam cobrir suas posições no mesmo dia, uma prática que, segundo o governo chinês, tende a "aumentar a volatilidade anormal dos preços das ações e a afetar a estabilidade do mercado".

A expectativa é que a alteração desencoraje as vendas a descoberto porque elas efetivamente forçam os investidores a manterem suas apostas abertas, situação que os deixa vulneráveis a quaisquer medidas de estímulos adotadas por Pequim antes do início dos negócios nas bolsas. Em vendas a descoberto, os investidores vendem ações emprestadas com a expectativa de, posteriormente, recomprá-las a preços bem menores, embolsando, assim, a diferença.

Sinais opostos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng terminou o dia estável, a 24,406.12 pontos, mas o índice de ações chinesas listadas no território subiu 0,6%, a 11.074,92 pontos, seguindo o comportamento das bolsas na China continental. Na capital sul-coreana, Seul, o Kospi avançou 0,97%, a 2.027,99 pontos, a máxima do dia.

No mercado taiwanês, por outro lado, o índice Taiex recuou 0,2%, a 8.510,96 pontos, seu menor patamar desde março de 2014, influenciada pelo mau desempenho de fornecedoras de componentes da Apple. Já em Cingapura, o FTSE Straits Times teve ligeira queda de 0,14%, a 3.188,19 pontos.

Já a bolsa de Tóquio fechou em baixa pelo segundo pregão consecutivo, com os investidores permanecendo na defensiva após dados econômicos fracos dos EUA e em meio à forte venda de algumas ações de tecnologia, como as da TDK e Kyocera. O índice Nikkei, que reúne as empresas mais negociadas na capital do Japão, recuou 0,14%, a 20.520,36 pontos, mostrando perdas em seis das últimas oito sessões.

Na Oceania, a bolsa australiana teve um pregão positivo, sustentada por ações do setor financeiro e de bens de consumo, na esteira de sólidos dados de vendas do varejo local. O S&P/ASX, que reúne as empresas mais negociadas em Sydney, avançou 0,3%, a 5.697,90 pontos. O índice, porém, reduziu ganhos que haviam chegado a 0,9% ao longo da sessão, após o Banco da Reserva da Austrália (RBA, na sigla em inglês) decidir manter sua principal taxa de juros inalterada na mínima histórica de 2,0% pelo terceiro mês consecutivo. (Com informações da Dow Jones Newswires).

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