Bolsas da Europa caem por preocupação com Leste Europeu

As preocupações com uma possível separação da Escócia frente ao Reino Unido e as tensões geopolíticas no Leste Europeu mantêm as bolsas europeias sob leve desvalorização. A alguns dias do referendo sobre a independência escocesa, os investidores ponderam com cautela o impacto sobre a economia mais ampla. A sensação de incerteza também é acentuada pela adoção formal de um pacote com novas sanções contra a Rússia pelo Conselho Europeu, ainda que a entrada em vigor das medidas será postergada para que se possa avaliar, antes, a implementação do acordo de cessar-fogo.

LUCAS HIRATA, COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES, Estadão Conteúdo

09 de setembro de 2014 | 08h17

De acordo com uma pesquisa da empresa TNS, divulgada nesta terça-feira, 09, a apoio à separação da Escócia subiu seis pontos para 38%, em comparação com uma consulta feita há cerca de um mês. Enquanto isso, entrevistados contrários à medida respondem por 39%.

O resultado ecoa uma sondagem do instituto YouGov, publicado no fim de semana, que mostrou que os partidários da autonomia pela primeira vez superaram os que se opõem à separação. A pesquisa do YouGov indicou que 47% dos entrevistados votariam "sim" à independência, enquanto 45% votariam "não". Excluídos os não votantes e os indecisos, os defensores do "sim" levam vantagem com 51%, ante 49% que não querem mudanças.

Um referendo favorável à independência escocesa teria implicações mistas para as ações do Reino Unido, de acordo com os analistas do Credit Suisse. Exportadores poderão se beneficiar de uma libra mais fraca, enquanto as empresas com foco doméstico, como bancos, poderão sofrer diante da incerteza política, disseram.

Outro foco dos britânicos reside na política monetária do Banco da Inglaterra (BoE). O presidente da instituição, Mark Carney, afirmou que o banco deve atingir suas metas de inflação e empregos se começar a elevar juros no começo do ano que vem. De acordo com o dirigente, o ritmo de elevação dos salários nos próximos meses será crucial para determinar o momento exato do primeiro movimento nos juros. Ele garantiu novamente, no entanto, que um aumento da taxa de juros será "gradual e limitada".

Os investidores da Europa também estão concentrando as atenções na crise geopolítica no Leste Europeu. O Conselho Europeu adotou formalmente um pacote com novas sanções contra a Rússia por causa de suas ações no leste da Ucrânia, mas o braço executivo da União Europeia (UE) vai adiar a entrada em vigor da medida para avaliar, antes, a implementação do acordo de cessar-fogo.

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse ontem que as sanções serão implementadas "nos próximos dias". Ele afirmou que isso dará tempo para "uma avaliação da implementação do acordo de cessar-fogo e do plano de paz". Van Rompuy também declarou que a UE está preparada para revisar totalmente ou em parte a agenda de sanções, dependendo da situação em solo.

Às 8h05 (de Brasília), grande parte das bolsas operava no terreno negativo: Paris perdia 0,11%, Londres recuava 0,08% e Frankfurt tinha baixa de 0,12%. Na contramão, Milão tinha leve alta de 0,23%. Dentre as moedas, o euro caía a US$ 1,2887 e o dólar avançava a 106,15 ienes. A libra mostrava uma recuperação com alta a US$ 1,6125, após forte queda na segunda-feira.

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