Bolsas da Europa fecham em alta com apetite por risco

O histórico acordo diplomático entre o Irã e as seis potências mundiais deu um fôlego extra para investidores 

Edgar Maciel, com informações da Dow Jones Newswires,

25 de novembro de 2013 | 16h29

O histórico acordo diplomático fechado entre o Irã e as seis potências mundiais deu um fôlego extra para as bolsas europeias terminarem o dia no terreno positivo nesta segunda-feira, 25. Com a assinatura do pacto temporário, Teerã se compromete a reduzir o ritmo do programa nuclear, com a contrapartida de ter uma redução em parte dos embargos que impediam a compra de produtos iranianos. As ações de empresas que têm relações comerciais com o país do Oriente Médio foram os destaques da sessão. O índice Europe Stoxx 600 encerrou com alta de 0,4%, aos 324,18 pontos.

"Os mercados europeus abriram a semana em alta com a melhora do apetite por risco entre os investidores após o acordo entre o Irã e as potências mundiais", dizem os analistas da corretora ETX Capital em nota aos clientes. Para Michael Hewson, analista da corretora CMC Markets, há "melhora do sentimento de risco e alívio com o acordo com as autoridades iranianas".

Na madrugada de domingo, o Irã chegou a um histórico acerto temporário com as seis potências globais (EUA, França, Reino Unido, China, Rússia e Alemanha), conhecidas como P5+1. O país do Oriente Médio se comprometeu, durante os próximos seis meses, a não enriquecer urânio a mais de 5% e a neutralizar todo seu estoque de urânio enriquecido a quase 20%, patamar acima do qual o combustível pode ser usado na produção de armas nucleares. Os iranianos também serão submetidos à supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica.

Em contrapartida, o P5+1 se comprometeu a suspender os bloqueios sobre o ouro e metais preciosos, o setor automobilístico e às exportações petroquímicas do país, o que fornecerá cerca de US$ 1,5 bilhão em receita potencial aos iranianos. Também permitirão que US$ 4,2 bilhões das vendas de petróleo possam ser transferidas em parcelas ao governo do país.

Na Bolsa de Paris, o índice CAC 40 fechou com alta de 0,6%, aos 4.301,97 pontos, com ações de empresas ligadas ao Irã impulsionando os ganhos da sessão. A Peugeot Citroen, por exemplo, é uma das líderes no mercado automobilístico iraniano e suas ações saltaram mais de 5% em reação ao acordo. Os papéis da Renault subiram 1,4%. A Solva, empresa do setor químico, também foi um dos destaques do pregão, com os papéis em alta de 2,6%. Os bancos terminaram o dia sem direção única. As ações do Société Générale ganharam 2,3% e as do BNP Paribas avançaram 0,5%. Já o Credit Agricole terminou o pregão em queda modesta de 0,1%.

Na Espanha, o destaque foram as ações da IAG, que subiram 2,20% e colaboraram para o índice IBEX fechar em alta de 0,12%, aos 9.689.10 pontos. A empresa aérea teve um dia positivo influenciada pela perspectiva de combustível mais barato após o acordo do Irã. Segundo traders, as boas expectativas geopolíticas no Oriente Médio ajudaram a bolsa espanhola a recuperar parte dos 500 pontos perdidos recentemente. No setor bancário, o Banco Popular teve perda de 1,8% nas suas ações.

Em contrapartida, as ações das petroleiras Shell e BP caíram em Londres com a perspectiva de que a oferta de petróleo não deve se alterar nos próximos seis meses. As ações tiveram queda de 0,34% e 0,68%, respectivamente. O índice FTSE, no entanto, fechou no terreno positivo, com alta de 0,30%, aos 6.694,62 pontos.

O índice DAX, da Bolsa de Frankfurt, encerrou com ganhos de 0,9%, aos 9.299,95 pontos. O grupo Fresenius Medical Care liderou o pregão com as ações subindo 7%, após a empresa reduzir o pagamento aos prestadores de serviços de diálise. A Diversified, empresa que detém 36% da Fresenius, registrou alta de 3,8% nos papéis.

A Bolsa de Lisboa também fechou o dia no território positivo, com ganhos de 0,15%, aos 6.359,63 pontos. Na contramão, o índice FTSEMIB, de Milão, caiu 0,20%, aos 18.784,30 pontos, pressionado pela aproximação da votação de expulsão do ex-primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi do Senado. Na quarta-feira, parlamentares devem votar a proposta de expulsão de Berlusconi.

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