Bolsas da Europa fecham em baixa após alta volatilidade

 Índices ampliaram perdas dos últimos pregões em meio a preocupações com frágil situação da Espanha e Grécia

Sergio Caldas, da Agência Estado,

24 de julho de 2012 | 14h44

As bolsas europeias fecharam em baixa nesta terça-feira, após um dia de volatilidade, ampliando as perdas dos últimos pregões em meio a preocupações com a frágil situação da Espanha e Grécia. O índice Stoxx Europe 600 recuou 0,5% e encerrou o terceiro pregão seguido de baixa aos 250,57 pontos.

A Espanha continuou sendo fator de pressão nesta terça-feira após notícias de que Madri considera pedir um pacote de resgate total, e não mais apenas para seu setor bancário. Além disso, o jornal El País informou que o governo da Catalunha, a maior região espanhola em termos econômicos, confirmou que deverá buscar ajuda do governo federal.

Também pesou no mercado a decisão da Moody''s, anunciada na noite de segunda-feira de rebaixar as perspectivas dos ratings ''AAA'' de Alemanha, Holanda e Luxemburgo, de estável para negativa.

Os dados de atividade manufatureira, divulgados hoje, também desagradaram. O índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da zona do euro ficou estável em 46,4 em julho, marcando o sexto mês consecutivo de contração, e o da Alemanha caiu para 47,3 este mês, de 48,1 em junho.

Nos EUA, o PMI recuou para 51,8 pontos, de 52,5 em junho. Apesar da queda, leituras acima de 50 indicam expansão da atividade. Já o PMI preliminar da China, medido pelo HSBC, subiu para 49,5 em julho, de 48,2 no mês anterior, mas marcou o nono mês consecutivo de retração na atividade.

Após o fechamento das bolsas na Europa, surgiu outra notícia com potencial de manter as ações pressionadas. Segundo três autoridades, a Grécia dificilmente conseguirá pagar suas dívidas e uma nova reestruturação deverá ser necessária. De acordo com a reportagem, a equipe da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional que está em Atenas para avaliar os progressos feitos nas reformas exigidas em troca de ajuda descobrirá que o país está longe de ter cumprido as metas.

Na Itália, o primeiro-ministro Mario Monti anunciou que Roma vai supervisionar um plano para reestruturar a administração da Sicília em meio a preocupações sobre a solvência da ilha.

O índice Ibex-35, de Madri, teve a maior queda nesta terça-feira de 3,58%, fechando aos 5.956,30 pontos. Depois de uma abertura em alta, a bolsa espanhola virou em meio à alta dos custos de financiamento da dívida soberana da Espanha.

Em Milão, o índice FTSE Mib teve o segundo pior desempenho, caindo 2,71% para 12.362,51 pontos, o menor nível da história. As ações do setor financeiro, cujos negócios foram temporariamente suspensos pelo segundo dia seguido, mais uma vez lideram as perdas. O Intesa SanPaolo caiu 4,6%. No setor de energia, recuaram a A2A (7,4%) e a Enel (4,6%).

Em Londres, o índice FTSE-100 teve uma baixa menor, de 0,63%, e encerrou o pregão aos 5.499,23 pontos. Entre bancos, o HSBC e o Standard Chartered perderam 0,8% e 2%, respectivamente. Já a petrolífera BP fechou em baixa de 0,6%, apesar de ter iniciado negociações com a OAO Rosneft para vender sua participação na russa TNK-BP.

O índice CAC-40, de Paris, caiu 0,87% e fechou na mínima do dia, aos 3.074,68 pontos. A STMicroelectronics caiu 3,7% após divulgar os resultados do segundo trimestre, na noite de ontem, e o Crédit Agricole recuou 3,2%. A Capgemini, multinacional francesa que está entre os maiores fornecedores de serviços de consultoria, tecnologia e outsourcing do mundo, avançou 2,5% depois de sua equivalente alemã SAP anunciar um forte resultado trimestral.

Em Frankfurt, o índice Dax terminou o dia aos 6.390,41 pontos, 0,45% mais baixa que na segunda-feira. A BMW apresentou a maior perda, de 2,6%. Já a seguradora Allianz recuou 2,3%. A SAP, pelo motivo citado no parágrafo acima, avançou 3,5%.

Entre bolsas menores, a de Atenas encerrou os negócios de hoje perto da estabilidade, em ligeira alta de 0,1%, com o índice ASE a 586,64 pontos. No pregão de ontem, a bolsa grega havia tombado 7,1%. As informações são da Dow Jones.

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