Bolsas da Europa fecham em baixa após Fed e dados fracos

Também repercutiu mal comentário de ministro das Finanças da Alemanha sobre a Grécia

Sergio Caldas, da Agência Estado,

23 de agosto de 2012 | 14h37

As bolsas europeias fecharam quase todas em baixa nesta quinta-feira, influenciadas por comentários de um oficial do Federal Reserve, o banco central norte-americano, e dados mais fracos do que o esperado das economias dos EUA e da zona do euro.

O índice Stoxx Europe 600 caiu 0,6%, encerrando o dia aos 267,69 pontos, o nível mais baixo desde 6 de agosto. Ontem, o índice pan-europeu já havia recuado 1,21%, registrando seu pior desempenho em uma única sessão desde o início do mês.

Em entrevista à rede CNBC, o presidente do Fed de Saint Louis, James Bullard, disse que as atuais condições econômicas dos EUA não são suficientemente ruins para justificar mais relaxamento quantitativo no país. Segundo Bullard, os indicadores econômicos mudaram desde a reunião do Fed em 31 e julho e 1º de agosto, quando, de acordo com a ata divulgada ontem, os membros do comitê de política monetária consideraram que novas medidas de estímulo seriam justificáveis em breve. Para ele, a ata já está "um pouco passada".

Também pesaram nesta quinta-feira na Europa dados mostrando que cresceu na semana passada o número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego. A alta foi de 4 mil, para um total de 372 mil solicitações, frustrando expectativas de que o número recuaria 1 mil. Além disso, o total de solicitações da semana anterior foi revisado para cima, de 366 mil para 368 mil.

Já o crescimento do setor manufatureiro dos EUA ganhou força em agosto, segundo dados preliminares da Markit, com o índice dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) subindo para 51,9 em agosto, de 51,4 em julho. Enquanto isso, as vendas de moradias novas nos EUA cresceram 3,6% no mês passado, superando a previsão dos economistas, que esperavam um acréscimo de 2,9%. Segundo um trader, esses números diminuem as chances de o Fed retomar as medidas de estímulo.

Na zona do euro, o índice de confiança preliminar caiu para -24,6 em agosto, de -21,5 em julho, ficando bem abaixo da média medida até a década de 1990, de -12,8, e em seu menor nível em cerca de 3 anos. O PMI preliminar da região, por sua vez, subiu para 46,6 este mês de 46,5 em julho, indicando que a atividade industrial local continua a encolher a um ritmo acentuado.

Outro fator que repercutiu mal hoje nas praças europeias foi um comentário do ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, que afirmou em entrevista à uma rádio alemã que conceder mais tempo e dinheiro à Grécia não resolverá os problemas enfrentados pelo país.

Além disso, analistas voltaram a citar a reunião prevista para esta sexta-feira entre o primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, e a chanceler alemã, Angela Merkel, em Berlim. Não são poucas as vozes na Alemanha que se opõem a qualquer nova concessão para que Atenas consiga cumprir os termos do pacote de ajuda que recebeu da troica de credores internacionais. No sábado, Samaras terá encontro com o presidente da França, François Hollande.

O índice FTSE 100, de Londres, foi o único a contrariar o movimento de queda de hoje e apresentou um ligeiro avanço de 0,04%, fechando a 5.776,60 pontos. A bolsa inglesa foi sustentada pelas ações de mineração, que na sessão anterior tinham feito pressão de baixa. A Randgold Resources e a Frenillo saltaram 4,2% e 3,9%, respectivamente, após dados fracos da atividade industrial da China realimentarem esperanças de que o banco central chinês, conhecido como PBOC na sigla em inglês, venha a adotar novas medidas de estímulo. Por outro lado, a Kazakhmys recuou 3,4%, após divulgar um resultado semestral decepcionante.

Em Paris, o índice CAC-40 cedeu 0,84%, para 3.432,56 pontos. Tanto Société Générale quanto EADS perderam 2,4% no pregão de hoje.

O índice Dax, de Frankfurt, registrou queda de 0,97%, encerrando o dia aos 6.949,57 pontos. Entre as ações que recuaram estavam as da Metro (-2,9%) e Infineon (-2,2%).

Em Madri, o índice Ibex-35 recuou 0,79%, a 7.282,90 pontos. Já a Bolsa de Milão caiu 1,37%, com o índice FTSE Mib a 14.953,76 pontos. Em Lisboa, o índice PSI-20 teve o pior desempenho desta quinta, com queda de 1,68%, a 4.881,62 pontos. Entre bolsas de menor peso, a de Atenas recuou 1,5%, com o índice ASE a 629,69 pontos, em meio à expectativa gerada pelas reuniões que Samaras terá com Merkel e Hollande. As informações são da Dow Jones.

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