Bolsas da Europa fecham em queda após dado dos EUA

As Bolsas européias fecharam em queda, em reação a indicadores fracos divulgados ontem nos EUA e à baixa dos mercados norte-americanos de ações. Entre as ações que mais caíram estavam as de empresas com muita exposição ao ciclo de crescimento econômico dos EUA, como ABB (-2,7% em Zurique) e SKF (-2,7% em Estocolmo). Os estrategistas europeus, porém, minimizaram o risco de uma recessão nos EUA. "Nós não esperamos um desastre na economia norte-americana. Esperamos uma desaceleração no crescimento, mas prevemos um pouso suave, e não um crash", disse Felix Lanters, da Theodor Gilissen Bankiers de Amsterdã. Outro destaque negativo do dia foi KPN, do setor de telecomunicações, com queda de 2,3% em Amsterdã, depois de o governo holandês anunciar que vai vender os 167 milhões de ações da empresa ainda sob seu controle. Londres Na Bolsa de Londres, o índice FT-100 fechou em queda de 74,4 pontos, ou 1,26%, em 5.822,3 pontos. As ações cíclicas, mais vulneráveis a oscilações no ciclo econômico, caíram em reação ao índice de atividade do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) de Filadélfia, divulgado nos EUA ontem, depois do fechamento do mercado londrino (British Airways recuou 1,96%, Sage Group cedeu 1,95% e Rolls-Royce teve perda de 2,16%). As ações das mineradoras também caíram, apesar da recuperação dos preços dos metais (Anglo American registrou baixa de 2,78%, Antofagasta, de 1,69%, BHP Billiton, de 3,17%, Kazakhmys, de 2,56%, e Rio Tinto, de 2,47%). "Se a desaceleração econômica implica que os preços das commodities continuarão caindo, isso será um freio significativo para o mercado britânico", comentou Robert Parkes, do HSBC, observando que as ações de empresas ligadas a commodities representam 1/4 da Bolsa de Londres. No setor de petróleo, as ações da Shell caíram 1,38% e as da BP recuaram 0,86%, depois de a Morgan Stanley elevar sua recomendação para BP e rebaixar a Shell. A queda do rand sul-africano no mercado de câmbio teve impacto nas ações da cervejaria SABMiller, que recuaram 2,63%, e da seguradora Old Mutual, que sofreram desvalorização de 2,29%. Na semana, o FT-100 acumulou uma queda de 0,93%. Paris O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, encerrou em baixa de 66,37 pontos, ou 1,27%, em 5.141,95 pontos. Entre as ações que mais caíram estavam STMicroelectronics, com perda de 3,07%, Alstom, em baixa de 2,35%, Michelin, com recuo de 2,39%, Sanofi-Aventis, que caiu 1,44%, e BNP Paribas, que cedeu 1,84%. As da EADS subiram 0,58% e as da Pernod Ricard avançaram 0,81%, recuperando terreno depois das quedas fortes dos últimos dias. As ações da Renault caíram 2,11%, depois de o jornal Detroit News informar que as conversações para uma aliança com a General Motors estão paralisadas. Na semana, o CAC acumulou uma baixa de 0,06%. Frankfurt A Bolsa de Frankfurt terminou o dia com o índice Xetra-DAX em queda de 78,71 pontos, ou 1,32%, em 5.883,32 pontos. Um operador atribuiu a queda não a fundamentos, mas à redução de posições por investidores antes do fim de semana. As ações da ThyssenKrupp caíram 0,99% e as da Siemens recuaram 1,02%, em reação ao acidente com um trem de alta velocidade que as duas empresas estão desenvolvendo. O acidente, ocorrido durante um teste, deixou um morto e cerca de 20 feridos. Em reação à recuperação dos preços do petróleo, as ações da Volkswagen caíram 2,10%, as da BMW recuaram 1,84% e as da DaimlerChrysler perderam 0,86%. No setor de tecnologia, as ações da Infineon caíram 2,66%. As da Adidas-Salomon operaram a maior parte do dia em alta, em reação ao informe de resultados da norte-americana Nike, mas reverteram a direção e fecharam em queda de 0,64%. Na semana, o DAX acumulou uma queda de 0,92%. Milão O índice S&P-Mib, da Bolsa de Milão, fechou em queda de 388 pontos, ou 1,01%, em 37.855 pontos. As ações da Telecom Italia caíram 2,01% e as de sua acionista majoritária, a Pirelli, recuaram 3,37%, com os investidores decepcionados com as indicações de que o novo chairman da Telecom Italia vai se concentrar mais no pagamento de dívidas do que num esforço para vender a Telecom Italia Mobile (TIM). As ações da Autostrade recuaram 0,17%, depois de as autoridades da União Européia darem sinal verde para sua fusão com a espanhola Albertis. Na semana, o S&P-Mib acumulou uma queda de 0,10%. Madri Na Bolsa de Madri, o índice Ibex-35 encerrou com desvalorização de 87,40 pontos, ou 0,70%, em 12.389,50 pontos. Segundo operadores, os investidores venderam ações dos bancos e do setor de telecomunicações para realizar lucros (BBVA perdeu 1,43%, BSCH, 1,20%, e Telefónica, 1,05%). As ações da Unión Fenosa subiram 1,44%, depois de a Merrill Lynch elevar seu preço-alvo. As da Albertis avançaram 0,74%, após a aprovação de sua fusão com a Autostrade. As da Metrovacesa tiveram valorização de 6,9%, devido à cobertura de posições. Na semana, o Ibex acumulou uma alta de 0,90%. Lisboa A Bolsa de Lisboa fechou com o índice PSI-20 em queda de 1,75 ponto, ou 0,02%, em 10.093,93 pontos. As ações do Banco Comercial Português caíram 0,41% e as da Cimpor recuaram 0,53%. As da Portugal Telecom subiram 0,20%, depois de o Crédit Suisse elevar seu preço-alvo, devido à expectativa otimista quanto a uma decisão das autoridades antitruste sobre a oferta de aquisição da empresa pela SonaeCom (cujas ações subiram 0,95%). Na semana, o PSI-20 acumulou uma alta de 0,61%. As informações são da Dow Jones.

Agencia Estado,

22 de setembro de 2006 | 15h19

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