Bolsas da Europa fecham sem direção definida

Indicadores da França e da Itália mostraram melhora da economia, mas pesam preocupações com abismo fiscal nos EUA

Stefânia Akel, da Agência Estado,

27 de dezembro de 2012 | 15h37

As bolsas europeias fecharam sem direção nesta quinta-feira com dados positivos da França e Itália e noticiário divergente vindo dos Estados Unidos. O impasse nas negociações para evitar o abismo fiscal nos EUA também pesou sobre o humor dos investidores após o líder dos democratas no Senado, Harry Reid, afirmar que o país está se dirigindo ao abismo. O índice pan-europeu Stoxx 600 teve uma leve alta de 0,04%, terminando a sessão aos 280,60 pontos.

Duas das maiores economias da zona do euro apresentaram melhora nesta quinta-feira. A confiança do consumidor na França subiu para 86 em dezembro, de 84 em novembro, afirmou a agência de estatísticas da França Insee, marcando o primeiro aumento do indicador em sete meses. As famílias francesas estão mais otimistas sobre sua situação financeira e seus padrões de vida.

Na Itália, a confiança das empresas subiu pelo segundo mês seguido em dezembro, para 88,9, de uma leitura sem revisão de 88,5 em novembro, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (Istat). Ao mesmo tempo, o país realizou um leilão bem-sucedido de bônus, o primeiro após a renúncia do ex-primeiro-ministro Mario Monti.

Já nos Estados Unidos, o índice de confiança do consumidor norte-americano do Conference Board caiu para 65,1 em dezembro, menor nível desde agosto e abaixo da queda esperada pelos analistas pesquisados pela Dow Jones, que previam um recuo para 70,0. O índice de expectativa dos consumidores para os próximos seis meses caiu ainda mais, recuando do patamar revisado de 80,9 em novembro para 66,5 em dezembro.

Porém, dados positivos divulgados pelo Departamento do Comércio dos EUA apontaram que as vendas de moradias novas cresceram 4,4% em novembro, em comparação com outubro, para a média anualizada de 377 mil unidades, a mais alta desde abril de 2010. O mercado de trabalho do país também registrou melhora. O número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego caiu 12 mil, para 350 mil em bases sazonalmente ajustadas, na semana até 22 de dezembro, segundo o Departamento de Trabalho dos EUA. O aumento veio melhor do que a previsão de economistas consultados pela Dow Jones, que esperavam aumento de 4 mil solicitações.

Já as negociações para evitar o abismo fiscal nos EUA - uma série de cortes de gastos e aumentos de impostos automáticos que entrarão em vigor em 1º de janeiro caso não haja acordo no Congresso - não parecem sair do impasse. Hoje, o líder dos democratas no Senado, Harry Reid, fez fortes críticas aos republicanos e afirmou que a economia dos Estados Unidos está se dirigindo ao abismo fiscal. Segundo ele, a Câmara está sendo governada "por uma ditadura".

Nesse cenário, a Bolsa de Londres encerrou a sessão estável, com o índice FTSE a 5.954,30 pontos. O índice DAX, de Frankfurt, avançou 0,26%, fechando a 7.655,88 pontos. As montadoras puxaram a alta, com a BMW e a Volkswagen registrando valorização de 1,0% e 0,9%, respectivamente.

Em Paris, o índice CAC-40 registrou a maior valorização do mercado europeu, avançando 0,59%, a 3.674,26 pontos. As ações da Peugeot subiram 0,2% após a empresa anunciar que planeja aprofundar sua aliança com a General Motors.

Já em Madri, o índice IBEX-35 caiu 0,22%, fechando a 8.280,90 pontos. A perda foi liderada pelo Bankia, com suas ações despencando quase 20% após o Fundo Ordenado de Reestruturação Bancária (FROB, na sigla em espanhol) do governo da Espanha ter feito uma avaliação negativa do banco espanhol estatal. O FROB avaliou o Bankia em 4,15 bilhões de euros (US$ 5,6 bilhões) negativos, sem especificar as perdas que os acionistas terão, embora não descarte perda total.

O índice PSI 20 da Bolsa de Lisboa recuou 0,11%, fechando a 5.704,45 pontos e, em Milão, o índice FTSE Mib teve alta de 0,46%, fechando a 16.408,28 pontos. As informações são da Dow Jones.

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