Bolsas da Europa mostram estabilidade com Fed

O sentimento de cautela diante das tensões geopolíticas no Iraque e na Ucrânia prevalece nos mercados acionários da Europa nesta terça-feira, 17, ao mesmo tempo em que aumentam a ansiedade em relação à decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que será divulgada na quarta-feira, 18. As bolsas da região, que operam agora perto da estabilidade, receberam uma pressão adicional de indicadores abaixo do esperado do Reino Unido e da Alemanha, que também pesaram sobre a libra e o euro.

LUCAS HIRATA, COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES, Agência Estado

17 de junho de 2014 | 08h18

Os investidores continuam em alerta diante do conflito no Iraque, que elevou os preços do petróleo nos últimos dias e resultou em baixas nos mercados de ações na segunda-feira. Ontem, os Estados Unidos anunciaram que estão enviando tropas armadas ao Iraque e consideram deslocar um contingente adicional de forças especiais, embora a Casa Branca insista que os EUA não serão conduzidos novamente à guerra.

A decisão foi tomada para conter o avanço do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigla em inglês) em direção à capital Bagdá. Por outro lado, as tensões no país do Oriente Médio abriram a possibilidade para uma aliança inusitada. O governo dos EUA admitiu que pode colaborar com o Irã para tentar estabilizar a situação no Iraque. A contenção dos radicais sunitas é um dos raros pontos de concordância da política externa de Washington e Teerã, que cortaram relações diplomáticas há mais de 30 anos.

Outro fator que alimenta o sentimento de cautela vem do Leste Europeu. A gigante estatal de gás russa OAO Gazprom suspendeu o fornecimento de gás para a Ucrânia, devido à falta de pagamento em embarques anteriores. Além disso, separatistas no leste da Ucrânia reforçaram o controle sobre a região de Donetsk e passaram a controlar os escritórios regionais do Banco Nacional, o que interrompeu o pagamento de aposentadorias e salários realizado por Kiev.

No campo econômico, a conclusão da reunião de política do Federal Reserve dos EUA, prevista para esta quarta-feira, atrai a atenção dos investidores e aumenta a inquietação nos mercados. Hoje, além do início do encontro regular do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), os diretores do banco farão uma reunião a portas fechadas para discutir assuntos de política monetária de médio prazo. O encontro dos diretores poderá trazer discussões mais profundas sobre a estratégia de retirada dos estímulos, enquanto o banco central continua a avaliar qual combinação de ferramentas será usada para apertar a política monetária quando chegar o momento.

Entre os indicadores divulgados mais cedo, o índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha caiu para 29,8 em junho, de 33,1 em maio. O resultado contrariou a previsão de analistas, de alta para 35,0, e pesou sobre o euro.

Já o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Reino Unido desacelerou para uma alta de 1,5% em maio na comparação com o mesmo período do ano passado, o menor nível desde outubro de 2009. O resultado ficou abaixo da previsão dos analistas, de uma aceleração para 1,7%. Na comparação com abril, os preços caíram 0,1%, e também ficaram abaixo da previsão de alta de 0,1%. Após a divulgação dos números de inflação, a libra caiu para o menor nível do dia frente ao dólar, a US$ 1,6937.

Às 8h (de Brasília), as bolsas europeias operavam em direções divergentes, mas bem perto da estabilidade: Londres ganhava 0,03%, Paris subia 0,09% e Frankfurt tinha alta de 0,15%. Já Milão perdia 0,30% e Lisboa cedia 0,15%. O euro recuava a US$ 1,3567 e a libra mostrava uma certa recuperação e subia levemente a US$ 1,6987.

Tudo o que sabemos sobre:
bolsas da EuropaFed

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.