Bolsas da Europa recuam por indicadores da zona do euro

Outro fator negativo foram rumores de que a Grécia planeja taxar ganhos de capital de não residentes obtidos com os bônus do país e sobre um possível colapso na coalizão governista grega

Sérgio Caldas, da Agência Estado, com informações da Dow Jones Newswire,

15 de maio de 2014 | 14h13

As bolsas europeias fecharam em forte baixa nesta quinta-feira, 15, pressionadas principalmente pela última rodada de números do Produto Interno Bruto da Europa, que evidenciou como a recuperação da região é menos forte do que se imaginava, e também por indicadores fracos dos Estados Unidos. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou o dia com perda de 0,90%, aos 338,50 pontos.

Segundo a Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia, a economia da zona do euro cresceu apenas 0,2% no primeiro trimestre ante os últimos três meses do ano passado e 0,9% na comparação anual. Analistas consultados pela Dow Jones Newswires previam expansão maior, de 0,4% e 1,1%, respectivamente. Nos países periféricos, Portugal teve queda no PIB trimestral e a Grécia manteve a recessão no confronto anual. No centro da Europa, a França mostrou estagnação no início do ano e a Holanda apresentou contração de 1,4% no trimestre. Por outro lado, a Alemanha, maior economia do bloco europeu, cresceu mais que o esperado no período.

Já a inflação final da zona do euro ficou em 0,7% em abril, igual à leitura preliminar e indicando aceleração em relação à taxa de 0,5% verificada em março. O ritmo da alta dos preços, porém, está muito abaixo da meta de inflação do Banco Central Europeu (BCE), que é de um índice ligeiramente abaixo de 2,0%. Os sinais de economia fraca e inflação distante da meta reforçaram a aposta de que o BCE adotará novas medidas de estímulo em junho, após decidir manter sua política monetária inalterada há uma semana.

Indicadores decepcionantes dos EUA também contribuíram para a mão vendedora de ações na Europa. A produção industrial se destacou ao cair 0,6% em abril ante março, bem mais do que o declínio previsto de 0,1%. Alguns dados norte-americanos, porém, vieram positivos. O número de pedidos de auxílio-desemprego, por exemplo, caiu 24 mil na semana passada, a 297 mil, sendo que a projeção era de ligeira alta, a 320 mil solicitações.

Outro fator negativo para as bolsas europeias foram rumores de que a Grécia planeja taxar ganhos de capital de não residentes obtidos com os bônus do país e sobre um possível colapso na coalizão governista grega. A boataria levou o yield dos bônus gregos de 10 anos para perto das máximas em dois meses nesta quinta-feira.

A Bolsa de Londres teve a menor queda do dia, de 0,55%, com o índice FTSE 100 fechando a 6.840,89 pontos. Em Paris e Frankfurt, as perdas superaram 1%. O índice francês CAC 40 recuou 1,25%, a 4.444,93 pontos, enquanto o alemão DAX cedeu 1,01%, a 9.656,05 pontos, influenciado por Deutsche Post (-5,2%), Commerzbank (-3,9%) e RWE (-3,3%). Ao longo da sessão, porém, o DAX chegou a marcar a máxima histórica de 9.810,20 pontos. A desvalorização mais expressiva foi de Milão, onde o índice FTSE Mib despencou 3,61%, a 20.419,62 pontos.

Os destaques de baixa na bolsa italiana foram Mediaset (-8,54%), Intesa Sanpaolo (-6,22%), apesar do lucro trimestral do banco ter vindo bem acima do esperado, e Unicredit (-5,66%). Em Lisboa, a queda do PSI 20 foi de 2,65%, a 6.889,55 pontos. Na Bolsa de Madri, o recuo do IBEX 35 também foi significativo, de 2,35%, a 10.365,00 pontos.

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