Bolsas da Europa sobem com ações do setor farmacêutico

Papéis de empresas farmacêuticas lideraram os ganhos e levaram o índice pan-europeu Stoxx 600 a encerrar o dia com ganho de 1,38%

22 de abril de 2014 | 14h00

Retomando as operações após o feriado de Páscoa, as bolsas europeias fecharam com altas robustas nesta terça-feira, 22, impulsionadas por ações da indústria farmacêutica em meio a notícias sobre negócios concretos e possíveis acordos no setor. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou o dia com ganho de 1,38%, a 337,03 pontos.

Os papéis do setor farmacêutico lideraram os ganhos. Os da AstraZeneca saltaram 4,7% em Londres, reagindo à notícia de que a empresa foi alvo de uma oferta de compra pela Pfizer. Segundo o jornal britânico Sunday Times, a Pfizer teria oferecido US$ 101 bilhões pela rival, mas a proposta já teria sido rejeitada.

GlaxoSmithKline e Novartis, por sua vez, subiram 5,2% e 2,28%, respectivamente. A suíça Novartis concordou em comprar a unidade de oncologia da GlaxoSmithKline por aproximadamente US$ 14,5 bilhões e, ao mesmo tempo, vender sua operação de vacinas à empresa britânica por US$ 5,25 bilhões. Em outra operação, a Novartis fechou a venda de sua unidade de saúde animal para a Eli Lilly por US$ 5,4 bilhões.

Também contribuiu para a confiança no setor farmacêutico uma oferta feita pelo investidor ativista William Ackman e pela Valeant Pharmaceuticals para a compra da Allergan, fabricante do Botox.

Os investidores na Europa também deram boas-vindas a comentários de dois membros do Banco Central Europeu (BCE), Benoît Coeuré e Luis Linde, que afirmaram que a instituição pode ampliar a acomodação da política monetária na zona do euro. Além disso, o clima positivo foi reforçado por dados favoráveis sobre a confiança do consumidor na Europa e o setor imobiliário e atividade industrial dos EUA.O índice de confiança do consumidor da zona do euro subiu para -8,7 na leitura preliminar de abril, de -9,3 em março, atingindo o nível mais alto desde outubro de 2007. Nos EUA, as vendas de moradias usadas caíram 0,2% em março ante fevereiro, mas a previsão era de queda maior, de 0,7%, e o índice de atividade industrial regional do Federal Reserve de Richmond subiu para 7 em abril, revertendo a leitura de -7 observada no mês anterior.

Apesar da sessão positiva na Europa, a crise da Ucrânia ainda gera cautela diante da aparente fragilidade do acordo fechado entre a Rússia e o Ocidente na última quinta-feira, com ambos os lados se acusando de terem desrespeitado o pacto. "Questões geopolíticas na Ucrânia continuam lançando uma sombra sobre o sentimento (do investidor)", disseram analistas do Crédit Agricole.

Em Londres, o índice FTSE 100 subiu 0,85%, fechando a 6.681,76 pontos, com a ajuda da AstroZeneca e GlaxoSmithKline. A Bolsa de Frankfurt, porém, teve o maior ganho do dia, de 2,02%, com o Dax terminando o pregão a 9.600,09 pontos. Os destaques na Alemanha foram Bayer (+4%) e Merck (3,8%). Em Paris, o CAC 40 avançou 1,18%, a 4.484,21 pontos.

A segunda maior alta nesta terça-feira foi da Bolsa de Lisboa, cujo índice PSI 20 saltou 1,82%, a 7.544,59 pontos. Em Milão, o FTSE Mib subiu 1,49%, a 21.935,34 pontos, com auxílio da Telecom Italia (+4%), Fiat (+3,5%) e dos bancos Unicredit (+2,6%) e Intesa Sanpaolo (+1,8%), que anunciaram estar negociando a venda de carteiras de empréstimos inadimplentes à firma de private equity norte-americana Kohlberg Kravis Roberts (KKR). No mercado espanhol, o Ibex 35, das ações mais negociadas em Madri, teve alta de 1,41%, a 10.437,80 pontos. (Sergio Caldas, com informações da Dow Jones Newswires - sergio.caldas@estadao.com)

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