Erin Schaff/The New York Times - 9/8/2021
Erin Schaff/The New York Times - 9/8/2021

Bolsas de Nova York e Ásia caem com variante Delta e crise no Afeganistão; Europa sobe

Em discurso, presidente do banco central americano disse que o impacto da cepa da covid sobre a economia dos Estados Unidos ainda não está claro

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2021 | 17h50

Os mercados de Nova York e da Ásia fecharam em queda nesta terça-feira, 17, com os investidores de olho no avanço da variante Delta da covid e na crise política que recai sobre o Afeganistão. Dados da economia americana também foram monitorados. Na Europa, alguns índices subiram, com destaque para Londres.

Em discurso, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, disse que o impacto da variante Delta sobre a economia dos Estados Unidos ainda "não está claro", mas disse que a pandemia de covid-19 ainda "está conosco" e deve seguir desta forma por "algum tempo".

Durante evento, o dirigente disse que a crise sanitária ainda lança uma "sombra sobre a produtividade" e os EUA não podem "declarar vitória" neste assunto. Segundo Powell, o país não vai "simplesmente retornar" à economia do período anterior à pandemia de coronavírus e apontou que tanto o mercado de trabalho quanto o setor de serviços ainda enfrentam uma dura tentativa de recuperação. 

O analista da CMC Markets, Michael Hewson, observa que as ações dos setores de viagem e lazer continuam registrando os piores desempenhos, especialmente na Europa,"em grande parte por quedas parecidas em companhias aéreas na Ásia, na esteira do lockdown da Nova Zelândia por conta de um único caso de covid-19". 

Os investidores também monitoram a crise enfrentada pelo Afeganistão, que teve sua capital dominada pelo Taleban. "Para além das preocupações com o terrorismo, os vizinhos do país estão se preparando para uma possível crise de refugiados. Apesar da importância geopolítica desses riscos, é improvável que tenham muito impacto no mercado para além do Paquistão e da Índia", dizem analistas do Eurasia Group. No entanto, o risco de novos ataques terroristas promovidos pelo grupo, que ficaram ainda mais fortes com o anúncio da retirada das tropas dos Estados Unidos do país afegão, continua no radar.

Na agenda de indicadores, as vendas do varejo dos EUA registraram queda de 1,1% na passagem de junho a julho. A queda foi maior do que esperado por economistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam retração de 0,3% na comparação mensal. Já em relação a julho de 2020, houve expansão de 15,8% no varejo do país.

Em relatório, o banco holandês ING afirma que, sem o setor automotivo, o desempenho do varejo americano em julho teria sido apenas 0,4% inferior ao do mês anterior. Já o Commerzbank considera que a economia dos EUA está perdendo parte do ímpeto visto durante a recuperação, já que os dados do país não são claramente positivos como nos últimos meses

Já na zona do euro, a Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia, informou que o Produto Interno Bruto (PIB) teve alta de 2,0% no segundo trimestre deste ano, em comparação ao anterior. O crescimento se deu em linha com as expectativas de analistas ouvidos pelo The wall Street Journal. Enquanto isso, no Reino Unido, a taxa de desemprego do terceiro trimestre deste ano caiu ligeiramente, a 4,7%.

Bolsa de Nova York

As Bolsas de Nova York fecharam em queda hoje, com investidores atentos à covid e ao impasse no Afeganistão, mas também à espera da ata da última decisão do Fed. O documento deve sinalizar os próximos passos da entidade sobre a política monetária dos EUA, com a possibilidade de apontar algum corte nas medidas de estímulos.

Em resposta, o índice Dow Jones recuou 0,79%, o S&P 500 teve baixa de 0,71% e o Nasdaq cedeu 0,93%. 

Bolsas da Ásia

O dia também foi negativo para os índices asiáticos. A Bolsa de Tóquio teve baixa de 0,36%, enquanto os índices chineses de Xangai e Shenzhen baixaram 2% e 2,52%, afetados por papéis ligados ao consumo de serviços. A Bolsa de Hong Kong recuou 1,66%, Taiwan, 1,17%, e Seul, 0,89%.

Na Oceania, a Bolsa australiana terminou em baixa de 0,94%. Após recordes recentes, o mercado australiano teve jornada negativa para algumas de suas maiores empresas, com o setor financeiro entre as maiores baixas.  

Bolsas da Europa

O mercado europeu ficou sem sinal único, com a Bolsa de Londres em alta de 0,38%, enquanto o índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, subiu 0,07%. O mercado de Lisboa teve ganho de 0,46%. Na contramão, a Bolsa de Frankfurt cedeu 0,02% e Paris, 0,28%. Já Milão e Madri recuaram 0,85% e 0,68% cada.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo estenderam as perdas de ontem e fecharam em queda nesta terça-feira. A sessão foi marcada pela volatilidade, com investidores ponderando uma melhora na atividade industrial nos EUA e os possíveis impactos da variante delta do coronavírus sobre a economia mundial.

O barril do petróleo WTI com entrega prevista para setembro recuou 1,04%, a US$ 66,59, enquanto o do Brent para o mês seguinte teve queda de 0,69%, a US$ 69,03 o barril. /MAIARA SANTIAGO, ILANA CARDIAL, GABRIEL BUENO DA COSTA E GABRIEL CALDEIRA

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