Andrew Kelly/Reuters - 23/8/2021
Andrew Kelly/Reuters - 23/8/2021

Bolsas de Nova York e Ásia fecham em alta, mas índices do mercado europeu caem

Nos EUA, investidores já criam expectativas em torno do Simpósio de Jackson Hole, evento do Federal Reserve que será realizado na próxima sexta-feira; PIB alemão subiu em linha com o esperado no segundo trimestre

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2021 | 17h30

As Bolsas de Nova York e da Ásia voltaram a repetir a recuperação do dia anterior e fecharam em alta generalizada nesta terça-feira, 24, com a primeira batendo recorde. No entanto, alguns índices do mercado europeu fecharam em queda, ainda em dúvida sobre o ritmo de crescimento da economia da região.

Nos Estados Unidos, a expectativa é grande pelo Simpósio de Jackson Hole, organizado pela distrital do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Kansas. O evento, realizado virtualmente por conta do avanço da variante Delta do coronavírus, deverá trazer mais pistas sobre os próximos passos da autoridade monetária, o que inclui a possível redução do programa de compra de títulos públicos, o chamado 'tapering'. Além disso, espera-se que o Fed adote um tom "mais duro" sobre os estímulos.

Enquanto isso, a economia americana continua sendo monitorada de perto. Índice do Fed mostra que as vendas de casas novas aumentaram 708 mil em julho, melhor do que a estimativa de 697 mil. "Os dados de hoje confirmam que o mercado imobiliário está se estabilizando. Os estoques estão aumentando à medida que o preço médio de uma nova casa aumentou 18% em relação ao ano passado", diz o analista de mercado financeiro da OANDA, Edward Moya.

No entanto, as contas do governo americano começam a preocupar. Em relatório, o Citi alerta que o teto da dívida pública nos Estados Unidos tem recebido pouca atenção dos mercados, mas pode se tornar um problema maior aos negócios nas próximas semanas. Depois de dois anos suspenso, o limite do endividamento federal voltou a vigorar no início deste mês, na esteira da possível aprovação do pacote de infraestrutura de US$ 1 trilhão de Joe Biden na Câmara.

Na agenda de indicadores europeus, o governo da Alemanha informou hoje que o Produto Interno Bruto (PIB) do país subiu 1,6% no segundo trimestre deste ano ante o anterior, dado levemente acima da expectativa de analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal. O resultado, porém, fez os investidores se perguntarem se o ritmo de retomada da economia alemã conseguirá se manter forte até o final do ano.

Para o ING, os problemas de gargalos de oferta representarão maior risco para o crescimento da economia alemã no segundo semestre de 2021. "Provavelmente também por conta das eleições que estão por vir (em setembro), o governo alemão não se cansa de reforçar que não planeja novos lockdowns para pessoas totalmente vacinadas", observa o banco holandês, que estima que a economia da Alemanha retorne aos níveis pré-crise antes do fim do ano. 

Sobre a pandemia, há preocupaçõe com o lento ritmo de vacinação na região asiática. Embora estejam em queda na China, Índia, Taiwan e Indonésia, os casos de infecção por covid-19 ganharam força no Japão, Coreia do Sul, Malásia, Filipinas e Vietnã.

Ainda sobre o tema, depois de o governo americano ter concedido ontem à Pfizer o registro definitivo de sua vacina contra covid, o infectologista e principal conselheiro médico da Casa Branca, Anthony Fauci, disse hoje esperar que os imunizantes da Moderna e da Johnson & Johnson recebam autorização integral da FDA, o órgão regulador de alimentos e medicamentos dos EUA, "relativamente logo". As licenças permitem aos gestores públicos desenvolverem novas políticas para o combate à doença, alimentando expectativas de superação da pandemia e abrindo espaço para maior apetite a risco nos mercados.  

Bolsa de Nova York

Estendendo a recuperação, os índices da Bolsa de Nova York subiram, com S&P 500 e Nasdaq avançando 0,15% e 0,52% cada, com ambos batendo novos recordes de fechamento. Com ganhos mais contidos, o Dow Jones teve ganho de apenas 0,09%.

Segundo Moya, os resultados recordes da Best Buy ajudaram o mercado de Nova York, pois "pintaram uma perspectiva muito forte para os consumidores nos EUA". A empresa teve alta de 8,36%, após entregar resultados recordes no segundo trimestre. "Parece que o consumidor está adotando o home office e atualizando seu equipamento de tecnologia. A loja de software e eletrônicos aumentou sua previsão para o resto do ano, já que os gastos parecem continuar fortes", aponta o analista.

Bolsas da Ásia

Seguindo o desempenho positivo de Wall Street no dia anterior, o mercado asiático fechou em alta. A Bolsa de Tóquio subiu 0,87%, enquanto a de Hong Kong teve ganho de 2,46%, Seul, de 1,56% e Taiwan, 0,46%. Os índices chineses de Xangai e Shenzhen registraram altas de 1,07% e 0,77% cada.

Na Oceania, a Bolsa australiana ficou levemente no azul hoje, com ganho de 0,17%, apesar de fortes perdas de empresas que divulgaram balanços anuais.

Bolsas da Europa

Apesar do resultado positivo, o crescimento do PIB alemão não convenceu e afetou o desempenho de alguns índices. O Stoxx 600, por exemplo, que concentra as principais empresas do continente, cedeu 0,02%, enquanto Paris teve queda de 0,28%, com o setor de luxo em queda. Os índices de Milão e Madri recuaram 0,07% e 0,22%.

Na Bolsa de Frankfurt, porém, o resultado da economia alemã foi visto com bons olhos e o índice local subiu 0,33%. Já a Bolsa de Londres teve ganho de 0,24%. Seguindo a alta de mais de 6% do minério de ferro na China, papéis de empresas do setor avançaram no mercado londrino, com Rio TintoBHPAnglo American avançando 2,97%, 1,29% e 2,77%.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta terça, estendendo os ganhos da sessão anterior. A commodity foi sustentada em parte pelo câmbio, mas sobretudo com o ajuste para cima após perdas recentes, embora a variante Delta e seus riscos à demanda sigam no radar.

O petróleo WTI para outubro fechou com ganho de 2,89%, em US$ 67,54 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês subiu 3,35%, a US$ 71,05 o barril. O Deutsche Bank destacou em relatório a clientes que na segunda-feira o petróleo exibiu o maior ganho desde novembro, "após semanas de pressões sobre as commodities". Os contratos vinham de sete baixas consecutivas, e o movimento de recuperação se estendeu hoje.

"Os preços do petróleo devem se beneficiar da queda dos estoques e conforme as duas maiores economias do mundo começam a ver um retorno da demanda normal de petróleo", diz Moya, da OANDA. /MAIARA SANTIAGO, ILANA CARDIAL E GABRIEL BUENO DA COSTA

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