Daniel Slim/AFP
Daniel Slim/AFP

Bolsas de Nova York e Europa fecham em alta, de olho em divulgação da ata do BC dos EUA

Federal Reserve voltou a dizer que a inflação é temporária e sinalizou que ainda não é a hora de retirar os estímulos; previsões para o crescimento do PIB da zona do euro foram reajustadas para cima

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2021 | 17h30

As Bolsas de Nova York e Europa fecharam em alta nesta quarta-feira, 7, com investidores de olho na divulgação da ata do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que adotou um tom menos 'duro' e pró-estímulos, e também repercutindo dados da economia europeia. O mercado asiático fechou misto, à espera do BC dos Estados Unidos.

A ata da reunião mais recente do Fed trouxe que os membros da entidade olharão para dados de saúde, mercado de trabalho e riscos de inflação que, para vários, seguem temporários. "A inflação subiu refletindo fatores transitórios em grande parte", escreveram. Os dirigentes avaliaram que o "progresso substancial" esperado para a retirada de estímulos à economia ainda não foi alcançado, e que ainda há espaço para buscar. No entanto, avisaram que, será possível ajustar política monetária, caso necessário.

Sobre a redução do programa de títulos públicos, um dos pontos que mais tem chamado atenção do mercado, a ata diz que o Fed "deve ser paciente ao avaliar o progresso em direção a seus objetivos e ao anunciar mudanças em seus planos de compra de ativos. O banco central americano indicou ainda que a compra de ativos preservará o funcionamento do mercado e a acomodação financeira.

Já na Europa, a Comissão Europeia revisou para cima suas projeções de crescimento do PIB para a zona do euro. O órgão chefiado por Ursula von der Leyen agora prevê um crescimento de 4,8% em 2021 e 4,5% em 2022 para a região. Em maio, a previsão era de altas de 4,3% e 4,4%, respectivamente. "O fortalecimento das previsões refletem uma recuperação mais rápida do que o previsto, ao passo que o andamento da vacinação permite uma reabertura veloz", diz o banco americano BBH.

A comissão também revisou para cima sua projeção de inflação ao consumidor da zona do euro de 1,7% para 1,9%, em 2021, e de 1,3% para 1,4%, em 2022. "A revisão mais alta para a inflação incorpora o aumento dos preços da energia e das commodities, os gargalos de produção e escassez de insumos e matérias-primas, que devem se atenuar gradualmente até 2022", afirmam os analistas.

Bolsa de Nova York

A manutenção, ainda por um longo período, das medidas de estímulo do Fed, somada a projeção de que a inflação dos EUA é temporária, deram força para o mercado acionário de Nova York. Dow Jones subiu 0,30%, enquanto S&P 500 e Nasdaq tiveram ganhos de 0,34% e 0,01% cada, com ambos batendo novo recorde de fechamento.

Bolsas da Europa

Com a exceção de Madri, que cedeu 0,07%, o mercado acionário europeu fechou em alta. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, subiu 0,78%, enquanto a Bolsa de Londres teve alta de 0,71% e Paris avançou 0,31%. Já Lisboa e Milão tiveram ganhos de 0,63% e 0,23% cada. 

A Bolsa de Frankfurt registrou um avanço de 1,17%, apesar da produção industrial da Alemanha ter recuado 0,3% em maio ante abril.

Bolsas da Ásia

O mercado acionário asiático fechou em baixa, à espera da ata do Fed, que veio apenas quando os índices locais já estavam fechados. A Bolsa de Tóquio caiu 0,96%, enquanto Hong Kong recuou 0,40% e Seul se desvalorizou 0,60%, em meio a um novo salto nos casos de covid-19 na Coreia do Sul. Taiwan cedeu 0,35%. Na contramão, os índices chineses de Xangai e Shenzhen subiram 0,66% e 1,68% cada.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no azul, com ganho de 0,9%, embora Sydney tenha estendido em uma semana o atual lockdown motivado pela covid.

Petróleo

petróleo fechou em forte baixa no mercado futuro nesta quarta, após sessão volátil marcada pela cautela de investidores diante do impasse na Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) sobre ajustes no acordo de corte de produção, após a última reunião sobre o tema ter sido adiada indefinidamente

O impasse entre Emirados Árabes Unidos e demais membros da Opep+ sobre um possível aumento na oferta do cartel, bem como a extensão do acordo que instituiu os cortes de produção do grupo, ainda gera muito receio no mercado, principalmente em um momento no qual a demanda ainda é afetada pela pandemia. Com isso, o barril do petróleo WTI com entrega prevista para agosto fechou em baixa de 1,59%, a US$ 72,20, enquanto o do Brent para o mês seguinte recuou 1,48%, a US$ 73,43. /MAIARA SANTIAGO, ILANA CARDIAL, GABRIEL CALDEIRA E SÉRGIO CALDAS

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