Colin Ziemer/New York Stock Exchange via AP
Colin Ziemer/New York Stock Exchange via AP

Bolsas de Nova York e Europa fecham em queda, de olho em dados econômicos ruins

Último pregão de agosto foi marcado pelo recuo de indicadores nos Estados Unidos, avanço da inflação na Europa e desaquecimento da indústria chinesa

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2021 | 17h50

As Bolsas de Nova York e Europa fecharam o último pregão de agosto em queda nesta terça-feira, 31, de olho em indicadores das economias americana e europeia. Além disso, a realização de lucros típica do final do mês também pesou nos índices. Na contramão, o mercado asiático subiu.

Na agenda de indicadores, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos medido pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) de Chicago, caiu a 66,8 em agosto. O dado levantou temores de que o crescimento da maior economia do mundo pode estar desacelerando.

A Pantheon Macroeconomics avalia, em relatório, que a queda do indicador se deu pela disseminação da cepa Delta do coronavírus nos EUA, mesma razão que explica o recuo 113,8 do índice de confiança do consumidor americano em agosto, segundo a Oxford Economics, que ainda destaca a baixa a 94,1 no índice de expectativas, que mede a perspectiva a curto prazo dos consumidores nos EUA.  

Na Europa, o índice de preços ao consumidor (CPI) da zona do euro saltou 3% em agosto, atingindo o maior nível desde 2011, apontou a agência de estatísticas da União Europeia. Na visão da Capital Economics, o avanço da inflação da região ainda deve acelerar mais nos próximos meses, dados os fatores temporários - como reflexo da reabertura pós-lockdown e problemas na cadeia de suprimentos - que só devem perder força no ano que vem.  

Ainda por lá, o Produto Interno Bruto (PIB) da França subiu 1,1% no segundo trimestre deste ano ante o primeiro, mas segue 3,2% abaixo do patamar registrado antes da pandemia. Na Itália, o PIB avançou 2,7% neste trimestre em relação ao anterior.

Na China, o índice de gerentes de compras (PMI) oficial da indústria caiu mais do que o esperado em agosto, para 50,1, mostrando que a manufatura cresce apenas marginalmente, enquanto o PMI de serviços diminuiu para 47,5 neste mês, com a leitura abaixo de 50 indicando que o setor voltou a se contrair.  

Bolsa de Nova York

No último pregão de agosto, o índice Dow Jones recuou 0,11%, seguido pela baixa de 0,13% do S&P 500. Já o Nasdaq caiu 0,04%. Estrategista-chefe de mercados da LPL Financial, Ryan Detrick destaca, em relatório enviado a clientes, que setembro é historicamente um mês de perdas para as Bolsas nova-iorquinas. "Mesmo no ano passado, em meio à forte recuperação das baixas de março de 2020, vimos uma correção de quase 10% em meados de setembro", diz o analista.

Bolsas da Europa

Diante dos dados negativos, o Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, recuou 0,38%, enquanto a Bolsa de Londres caiu 0,40% e Frankfurt, 0,33%. A Bolsa de Paris cedeu 0,11%. Já os índices Milão e Madri baixaram 0,06% e 0,24% cada. Na contramão, o mercado de Lisboa subiu 1,44%.

Bolsas da Ásia

Na esteira dos ganhos do dia anterior em Wall Street, o mercado asiático fechou em alta. A Bolsa de Tóquio subiu 1,08%, enquanto a de Hong Kong avançou 1,33, Seul, 1,75% e Taiwan, 0,54%. Na China, o índice de Xangai subiu 0,45%, mas o de Shenzhen foi na contramão e recuou 0,46%.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no azul hoje, em alta de 0,41%, impulsionada por ações de tecnologia e consumo.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta terça. Os operadores monitoravam as notícias sobre o furacão Ida e seu impacto nas petroleiras americanas, que podem afetar a produção e diminuir a oferta do ativo, num momento em que a demanda ainda é afetada pela pandemia. As posições também eram ajustadas às vésperas da reunião ministerial da Organização dos Países Exportadores de  Petróleo e aliados (Opep+), que vai definir um novo ritmo para a produção do óleo.

O barril de WTI com entrega prevista para outubro fechou em queda de 1,03%, a US$ 68,50, enquanto o Brent para novembro caiu 0,83%, a US$ 71,63. No mês de agosto, o recuo acumulado foi de 7,37% e 5,01%, respectivamente. /MAIARA SANTIAGO, GABRIEL CALDEIRA, ILANA CARDIAL E SÉRGIO CALDAS

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