Andrew Kelly/Reuters - 20/8/2021
Andrew Kelly/Reuters - 20/8/2021

Bolsas de Nova York e Europa se recuperam de perdas do dia anterior, mas Ásia cai

No entanto, saldo semanal ainda é negativo para os mercados americano e europeu; preço do minério de ferro também voltou a subir depois do tombo do dia anterior

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2021 | 17h40

O dia foi de recuperação para as Bolsas de Nova York e Europa após as perdas do dia anterior, quando os índices foram afetados pelas incertezas que rondam a recuperação da economia global, como o avanço da variante Delta do coronavírus e a chance do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) antecipar o aperto nos estímulos. Nesta sexta-feira, 20, porém, algum temor ainda afetou o desempenho do mercado asiático e do petróleo.

Ontem, o minério de ferro desabou mais de 13% - e atingiu o menor patamar desde 30 de novembro de 2020. Hoje, o contrato com vencimento para janeiro de 2022 negociado na Bolsa de Dalian subiu 0,3%, a US$ 119,64 por tonelada. A decisão da China de limitar a produção de aço neste ano, em meio à intensificação de seus esforços de descarbonização e a novas restrições ligadas à covid-19, que podem segurar a demanda pelo minério, têm afetado duramente o preço da commodity.

"As condições mais fracas de demanda nesses dois setores cruciais apenas reafirmaram ao mercado preocupações de que os cortes de produção de aço na China no segundo semestre de 2021 sejam inevitáveis”, disse Vivek Dhar, analista do Commonwealth Bank.

Além disso, a fraca demanda pelo insumo também tem servido como um termômetro da recuperação da segunda maior economia do mundo, que já perde dinamismo. O mesmo acontece com os Estados Unidos. Com a variante Delta impondo novas restrições, a percepção do mercado é a de que o forte crescimento visto no começo do ano pode estar ficando para trás.

Nesse cenário, preocupa o investidor o fato do Fed já discutir uma diminuição do seu programa de compra de títulos públicos - um primeiro passo no aperto das medidas de estímulo adotadas na pandemia. A decisão pode diminuir a liquidez das economias americana e mundial - principalmente nos países emergentes - em um momento no qual a recuperação ainda é incerta.

Hoje, o dirigente do Fed de DallasRobert Kaplan, tentou acalmar o mercado. Segundo ele, a variante Delta pode forçá-lo a mudar a postura sobre a redução gradual nas compras de títulos a partir de outubro.

"Mesmo se o Fed sinalizar na próxima semana que um anúncio formal de redução gradual será feito em setembro, a economia ainda será sustentada por taxas de juros baixas e mais apoio fiscal do governo Biden. Os investidores não devem esperar um ataque de cólera semelhante em 2013, mas um recuo modesto do mercado de ações que provavelmente será comprado", diz Edward Moya, analista de mercado financeiro da OANDA em Nova York.

Na agenda de indicadores, as vendas no varejo caíram 2,5% em julho ante junho no Reino Unido, leitura abaixo do esperado por analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal. Já na Alemanha, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) subiu 1,9% em julho em comparação ao mês anterior.

Bolsa de Nova York

Ensaiando uma recuperação, após o fechamento sem sinal único do dia anterior, os índices americanos terminaram em alta generalizada. Dow Jones subiu 0,64%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq tiveram ganhos de 0,81% e 1,19%. Na semana, os índices perderam 1,11%, 0,59% e 0,73% cada,

Bolsas da Europa

Com exceção de Milão, que cedeu 0,04%, todos os índices europeus fecharam em alta. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, subiu 0,33%, enquanto a Bolsa de Londres teve ganho de 0,41%, a de Paris, de 0,31% e a de Frankfurt, de 0,27%. Os índices de Madri e Lisboa subiram 0,15% e 0,63% cada.

O resultado, porém, não foi o bastante para apagar as perdas da semana. O Stoxx 600 teve baixa de 1,48% nos últimos cinco dias - Londres, Paris e Frankfurt caíram 1,81%, 0,31% e 0,27%, respectivamente, no mesmo período. Já Milão, Madri e Lisboa cederam 2,76%, 0,15% e 0,63% cada.

Bolsas da Ásia

O dia foi novamente de perdas para o mercado asiático. A Bolsa de Tóquio caiu 0,98%, enquanto a de Hong Kong cedeu 1,84% e a de Seul, 1,20%. Os índices chineses de Xangai e Shenzhen cederam 1,10% e 1,17%, respectivamente. 

Na Oceania, a bolsa australiana fechou em baixa apenas marginal hoje, de 0,05%, mas já vem acumulando perdas por cinco pregões seguidos, seu pior desempenho desde março de 2020.

Petróleo

Os contratos futuros mais líquidos do petróleo fecharam em baixa pela sétima sessão consecutiva. De acordo com analistas, assim como o minério, a queda se dá, especialmente, pelas preocupações com a diminuição da demanda pelo óleo, devido a possíveis restrições por conta do avanço da cepa Delta.

Em Nova York, o ativo mais líquido do petróleo WTI despencou 9% na semana e alcançou o menor nível desde maio de 2020. O barril com entrega prevista para outubro teve recuo de 2,14% nesta sessão, a US$ 62,14. Já em Londres, o Brent para outubro acumulou um recuo semanal de 7,66%. Nesta sessão, o barril do petróleo caiu 1,91%, a US$ 65,18, no nível mais baixo desde maio deste ano.

"Os preços do petróleo terão dificuldade em conseguir um melhor desempenho, já que o pico do verão (no hemisfério norte) ficou para trás e, agora, o retorno ao escritório pode estar em risco para muitas empresas", observa Moya, da OANDA/MAIARA SANTIAGO, SÉRGIO CALDAS E ILANA CARDIAL, COM INFORMAÇÕES DA REUTERS

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