Bolsas de Nova York recuam, enquanto mercado digere fala de Bernanke

Os índices do mercado de ações dos EUA operam em queda, mas perto da estabilidade antes do fechamento, em meio à expectativa dos investidores com um eventual pacote de auxílio à Grécia e aos comentários do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, sobre as estratégias do banco central norte-americano para um futuro aperto monetário.

Gustavo Nicoletta e Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

10 de fevereiro de 2010 | 19h15

 

Às 18h48 (de Brasília), o Dow Jones caía 0,25%, para 10.032 pontos, o Nasdaq recuava 0,21%, para 2.146 pontos, enquanto o S&P 500 tinha queda de 0,23%, para 1.067 pontos.

 

Os investidores disseram que o rali de ontem foi amparado pela expectativa de que a União Europeia ajudará a Grécia a resolver o problema do déficit fiscal, mas ainda aguardam mais detalhes sobre qual seria a estrutura de um eventual pacote de auxílio.

 

Além disso, no início da tarde, Bernanke divulgou em uma nota que a instituição pode apertar a política monetária por meio de um aumento no juro pago aos bancos pelos recursos depositados no Federal Reserve, de forma que ele seja superior à taxa dos Fed Funds, utilizada como referência para empréstimos interbancários no overnight.

 

Isso incentivaria as instituições financeiras a depositar dinheiro no Fed em vez de emprestar os recursos para empresas ou consumidores e ajudaria o banco central a evitar um eventual superaquecimento da economia e um aumento da inflação.

 

O aperto monetário seria relativamente prejudicial ao mercado, que recentemente baseou-se no contexto de juros extremamente baixos para justificar um rali. No entanto, Bernanke ressaltou que a economia norte-americana ainda precisa de políticas monetárias acomodatícias, o que tranquilizou os investidores.

 

"Nós todos desejamos que qualquer anúncio sobre apertos monetários ocorra apenas daqui a algum tempo", disse Doreen M. Mogavero, presidente da corretora Mogavero, Lee & Co. "Mas, nas circunstâncias atuais, este anúncio não é muito negativo para o mercado", acrescentou.

 

Entre as moedas, o euro foi pressionado pela dívida soberana da Grécia, já que as notícias conflitantes sobre um possível plano de socorro para o país levaram os nervosos investidores para a segurança do dólar e do iene. Às 18h47 (de Brasília), o euro recuava para US$ 1,3737, de US$ 1,3779 na terça-feira. Durante a sessão, a moeda chegou a tocar a mínima intraday de US$ 1,3676. O dólar subia para 89,95 ienes, de 89,63 ienes ontem.

 

"As declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que a instituição poderia tomar medidas para restringir o crédito no país ajudaram a alavancar o dólar", afirmaram os analistas. Segundo eles, os comentários destacaram a crescente disparidade entre a recuperação econômica dos EUA e os déficits orçamentários registrados pelos países da zona euro.

 

No mercado de Treasuries, os preços caíam, com respectivo movimento inverso dos juros, refletindo a demanda relativamente fraca observada no leilão primário de US$ 25 bilhões em notes de 10 anos, e com as declarações do presidente do Fed mais cedo. Às 18h40, o juro projetado pela T-note de 10 anos estava em 3,694%, de 3,641% na terça-feira. As informações são da Dow Jones.

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