Bolsas de Nova York sobem, mesmo com alta dos juros

O mercado norte-americano de ações fechou com pequena valorização nesta quinta-feira, apesar da alta do juro do título de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos para mais de 5%, pela primeira vez desde junho de 2002, e das notícias desfavoráveis divulgadas pela General Electric e Advanced Micro Devices. "As evidências da economia continuam apontando para expansão e os investidores estão respondendo a isso comprando as ações. Também tivemos comentários do diretor do Fed (banco central norte-americano), Donald Kohn, e o que me chamou atenção foi que ele disse que o Federal Reserve (Fed) exagerou ao elevar as taxas de juros no passado e que desta vez vai tentar evitar isso. Isso é tranqüilizador para os investidores", disse o analista Joe Battipaglia. Após a fala de Kohn, o Dow Jones reverteu a perda que vinha registrando. O estrategista Peter Boockvar, da Miller Tabak, alertou que o movimento do mercado hoje ocorreu em meio ao baixo volume e com muitos participantes já ausentes e por isso não é indicativo de tendência. O estrategista da Standard & Poor's, Alec Young, destacou que o mercado de ações mostrou-se resistente à elevação da taxa de juros, "mas isso deve limitar a alta das ações", segundo ele. Michael Sheldon, da Spencer Clarke LLC, afirmou que a combinação de preços altos de energia com taxas de juros de longo prazo em elevação continua sendo fonte de preocupação. "A interrupção da trajetória de queda dos rendimentos dos bônus abre espaço para juros mais altos nas próximas semanas." Os maiores ganhos foram registrados pelos setores de aviação, biotecnologia, semicondutores e de serviços de rede. Por outro lado, a alta do juro afetou principalmente construtoras e empresas de serviços públicos. As ações da General Electric fecharam em baixa de 1,7%, a maior perda porcentual entre os componentes do índice Dow Jones. O conglomerado informou hoje que seu lucro líquido por ação foi de US$ 0,41 no primeiro trimestre, em linha com as previsões, enquanto a receita subiu para US$ 37,82 bilhões, levemente acima da previsão de US$ 37,36 bilhões. "A falta de uma surpresa em alta do lucro pode ter sido um pouco decepcionante, dados os anúncios positivos que haviam sido feitos anteriormente pela Illinois Toll Works, 3M e Danaher", disse um analista do Goldman Sachs, que reiterou a recomendação para as ações da companhia em outperform. Advanced Micro Devices caiu 10%, depois de fazer uma previsão para o segundo trimestre abaixo das expectativas do mercado, o que sinaliza a crescente concorrência com a Intel, que subiu 1,7% no Nasdaq, beneficiada por comentários positivos do Banc of America e Bear Stearns. Lam Research ganhou 4,6%. A fabricante de equipamentos para computador divulgou balanço melhor que as previsões de Wall Street, o que ajudou também outras companhias do setor (Applied Materials +4%, KLA-Tencor +2%). McDonald's recuou 1%, apesar de ter anunciado aumento de 6,6% das vendas de mesmas lojas em março e de prever lucro de US$ 0,49 por ação para o primeiro trimestre, em linha com as previsões de analistas consultados pela Thomson First Call. Alcoa apresentou perda de 1,1% após informar que planeja separar-se da unidade Home Exteriors. A componente do Dow Jones disse que a divisão tem mais de 1.400 empregados e registrou de receita de mais de US$ 600 milhões no ano passado. O índice Dow Jones fechou em alta de 7,68 pontos (0,07%), em 11.137,65 pontos. A mínima foi em 11.105,80 pontos e a máxima em 11.177,76 pontos. O Nasdaq encerrou com ganho de 11,43 pontos (0,49%), em 2.326,11 pontos, com mínima em 2.310,12 pontos e máxima em 2.333,03 pontos. O Standard & Poor's-500 subiu 1,00 ponto (0,08%), para 1.289,12 pontos. O NYSE Composite avançou 7,40 pontos (0,09%), para 8.227,95 pontos. O volume na NYSE alcançou 1,247 bilhão de ações negociadas, de 1,401 bilhão de ações ontem; 1.491 ações subiram, 1.786 caíram e 148 ficaram estáveis. No Nasdaq, o volume ficou em 1,571 bilhão de ações negociadas, de 1,592 bilhão de ações ontem, com 1.777 ações fechando em alta e 1.208 em queda. As informações são da Dow Jones.

Agencia Estado,

13 Abril 2006 | 19h26

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